Porto 2 – Athletic 1: Quaresma entusiasma Dragão

“Dragões” apagam má imagem do jogo da Taça de Portugal e dominam Grupo H com sete pontos.

Brahimi ofereceu a Quaresma a salvação da noite (foto: J. Trindade infografia: GoalPoint)
Brahimi ofereceu a Quaresma a salvação da noite (foto: J. Trindade infografia: GoalPoint)

Depois de uma sequência de jogos menos conseguidos por parte do Porto, o conjunto orientado por Julen Lopetegui voltou à sua identidade habitual na primeira parte e nos minutos finais da partida.

Equipa de posse, movimentações, profundidade e variação rápida do centro de jogo. A fórmula mais usual do Porto do treinador espanhol também inclui falta de objectividade no último terço. Os “dragões” conseguem explorar facilmente os espaços concedidos pelas equipas adversárias e criar desequilíbrios, mas na quarta fase o conjunto portista apresenta algumas falhas de finalização.

O Porto entrou com um “onze” titular diferente pela 12ª vez, noutros tantos encontros esta temporada. O 4x3x3 teve como novidades a inclusão de Brahimi como protagonista do tridente do meio-campo. Quintero e Tello ocuparam as faixas. O Athletic entrou em 4x2x3x1 com uma atitude defensiva e expectante, procurando o erro adversário.

A formação “azul-e-branca” explorou as variações rápidas de flanco e o jogo exterior com os extremos a arriscarem em iniciativas individuais ou em situações de 2×1 com o apoio dos laterais. O estilo foi o mais acertado para desbloquear a atitude mais defensiva dos bascos que optaram por uma linha defensiva baixa, recuperando a bola no seu meio-campo defensivo para depois explorarem as transições ofensivas, mas sem sucesso. O Athletic nunca conseguiu importunar a baliza defendida por Fabiano, com excepção de um remate de fora de área de San José que acertou no poste.

Lopetegui teve de mexer no decorrer na primeira parte para imprimir mais dinâmica no meio-campo. Com Herrera mais recuado do que o normal e Brahimi sem espaço para organizar o jogo, o argelino passou para extremo-esquerdo, Tello para a direita e Quintero assumiu a posição “10”. Com esta alteração os “dragões” subiram de rendimento e criaram mais situações de perigo, com Quintero em destaque, o mais irreverente.

As estatísticas ao intervalo demonstram a superioridade da equipa portuguesa face ao Athletic Bilbau. Com 61% de posse de bola, 79,5% de eficácia de passe e 56,9% de duelos ganhos, o Porto conseguiu dominar o primeiro tempo mas sentiu dificuldades para controlar o jogo. A equipa basca assustou com um remate ao poste e quando faltava poucos segundos para as equipas rumarem ao balneário, e Herrera fez o 1-0 após um passe de Quintero.

Clique na infografia para ler em detalhe (infografia: GoalPoint)
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Pressão e Intensidade

No segundo período o Athletic reformulou a sua atitude e entrou com vontade de chegar ao empate. Ernesto Valverde lançou Beñat e Muniain para os lugares de San José e Aduriz o que se traduziu em problemas para a defesa portista.

Os bascos subiram as suas linhas e passaram a pressionar o Porto no seu meio-campo defensivo o que levou a que recuperassem a bola em terrenos mais adiantados. Na sequência de uma perda de bola na primeira fase de construção dos “dragões”, Guillermo aproveitou e aos 68 minutos empatou a partida. Um golo que silenciou o Porto mas que se compreende pela forma como os bascos cresceram de uma parte para a outra.

Muniain entrou bem e conseguiu criar dificuldades no lado de Danilo. Guillermo passou para avançado e com a sua mobilidade baralhou as marcações de Maicon e Martins Indi. Munian e Susaeta foram as unidades que mais mexeram com o jogo do Athletic. Susaeta criou quatro oportunidades, somando sete cruzamentos, dos quais três tiveram o destino desejado. Beñat, Guillermo e Laporte chutaram por duas vezes à baliza.

Defensivamente, Iturraspe e Balenziaga foram as figuras do Athletic com 71,4% e 69,2% dos duelos ganhos, respectivamente. O lateral-esquerdo, Balenziaga, teve Quintero, Tello, Quaresma e por vezes Danilo a pisarem os seus terrenos mas mesmo assim completou oito desarmes, quatro alívios e sete intercepções.

Rúben Neves entrou aos 64 minutos para o lugar de Quintero. O Porto ganhou maior estabilidade defensiva mas ofensivamente perdeu capacidade de explosão e irreverência, o que fez com que Quaresma saltasse do banco aos 71 minutos para abanar o jogo e acalmar os adeptos portistas que começavam a mostrar sinais de impaciência quando a equipa não conseguia incomodar Iraizoz. O extremo entrou por Casemiro e não precisou de muito tempo para entusiasmar o Dragão. Quaresma chegou ao golo da vantagem aos 75 minutos, resultado que se manteve inalterado até ao final. Houve ainda tempo para Óliver entrar para o lugar de Tello aos 82 minutos para refrescar o meio-campo e impedir as saídas dos bascos, aproveitando ainda para baixar o ritmo da partida.

Brahimi voltou a ser a figura da equipa em noite de Liga dos Campeões. O argelino apresentou uma eficácia de passes de 90,3% de um total de 31. A percentagem aumenta para 93,8% quando falamos em passes no meio-campo ofensivo, criando três oportunidades de golo. O número 8 do Porto não sabe jogar mal. Começou como organizador mas foi a extremo-esquerdo que esteve melhor. Teve mais espaço e tempo para decidir e com os seus movimentos interiores criou desequilíbrios, arrastando a marcação e permitindo a Alex Sandro aparecer nas suas costas. Casemiro e Herrera também estiveram bem na primeira parte pela forma como meteram a bola a circular e a equipa a jogar com 86,4% e 81,5% de eficácia de passes, respectivamente. Jackson rematou por quatro vezes mas nenhuma foi à baliza do Athletic. Muito trabalhador mas com dificuldades no capítulo da finalização.

Defensivamente, Danilo e Martins Indi ganharam 85,7% dos duelos disputados mas foi o lateral-direito e Alex Sandro que mais se destacaram neste capítulo. O canhoto registou oito desarmes, três alívios, cinco intercepções e ganhou a posse de bola por seis vezes. Danilo completou cinco desarmes, quatro alívios, duas intercepções e recuperou a posse de bola cinco vezes. Estes números reflectem a aposta do Athletic na lateralização do seu jogo e nas situações individuais.

Tello e Danilo foram as unidades mais interventivas do Porto que explorou 46,4% dos seus ataques pelo corredor direito, contra 28,9% do esquerdo. O Athletic repartiu as suas zonas de acção com 31,9% no corredor central, 35,2% no direito e 32,9% no esquerdo. Mais de metade dos 90 minutos (51,4%) foram disputados no sector intermédio o que demonstra que o Porto levou a melhor no meio-campo com os vários jogadores que apresentou no seu tridente, conquistando desta forma três importantes pontos.

O jogo terminou com um maior equilíbrio estatísticos depois de uma segunda parte mais conseguida pelos bascos. O Porto somou 54,5% de posse de bola, 76,7% de eficácia de passes e 55,4% de duelos ganhos contra 45,5%, 71,8% e 44,6% do Athletic.