Porto 2 – Nacional 0: Identificado o “maestro”, falta a orquestra

“Dragões” venceram os insulares sem grandes contratempos mas continuam à procura de maior consequência para qualidade com que circulam a bola.

Óliver Torres candidata-se a vaga de "regista azul-e-branco".
Óliver Torres candidata-se a vaga de “regista azul-e-branco”.

Cumpre 20 anos no próximo dia 10 de Novembro mas pauta o jogo do FC Porto como se acumulasse muito mais “horas de voo” ao mais alto nível de exigência. Falamos de Óliver Torres, um jogador que certamente fará muita falta aos “dragões” caso a sua passagem seja efémera pela Invicta. O jovem espanhol fez 75 passes, quase mais 20 do que qualquer outro companheiro, incluindo Casemiro e restantes colegas do sector recuado, normalmente mais solicitado. Óliver distribuiu a bola com 87% de eficácia, liderando também na criação de ocasiões de golo (quatro) e realizando uma assistência. Em Itália seria apelidado de “regista” e em Inglaterra de “playmaker”. Até ver é o “maestro” deste Porto, à procura de uma orquestra que dê melhor sequência ao jogo que sai dos seus pés.

Clique na infografia para ler em detalhe (infografia: GoalPoint)
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Em busca de (maior) objectividade

Óliver resume muito do que de melhor o FC Porto ofereceu este sábado à noite, em mais um jogo que exemplifica as qualidades (circulação de bola) e os desafios (definição no último terço) que se colocam ao conjunto de Lopetegui. Num jogo em que o FC Porto entrou de forma determinada, chegando ao golo cedo (nove minutos) através de recarga de Danilo, após cabeceamento de Jackson travado por Rui Silva, rapidamente o jogo entrou numa toada que caracteriza o “dragão” actual: muita circulação (498 passes, 85% de eficácia) mas dificuldades em converter esse ascendente na resolução de um jogo que apenas a 15 minutos do fim foi sentenciado pelo génio de Brahimi, que (parece mentira) marcou o seu primeiro golo na Liga num gesto técnico primoroso a passe de, lá está, Óliver Torres. O Porto rematou por 15 vezes, sete das quais enquadrado com a baliza e 13 já dentro da área adversária, mas foi passando por calafrios defensivos sempre que, no último terço, definia mal o ascendente de posse que consegue criar sobre o adversário.

Quaresma pede bola

Ricardo Quaresma é um bom exemplo de um elemento à procura do seu melhor momento, inscrito numa orquestra que ainda não encanta. O “Mustang” parecia querer aproveitar a titularidade, pedindo a bola, realizando 34 passes com cerca de 91% de eficácia, rendimento invulgar não só para ele como para um extremo. O número 7 fez três passes para ocasião, o segundo melhor registo da equipa logo atrás de Óliver, mas no capítulo do remate não esteve feliz: sendo o “dragão” mais rematador (cinco disparos), apenas por uma vez alvejou com pontaria a baliza adversária. Terminou o jogo deitando as mãos à cabeça em mais um remate por cima da barra, demonstrando que o que lhe falta em acerto e inspiração sobeja em vontade de inverter o rumo dos acontecimentos.

Destaque final para Casemiro, que com sete cortes e três intercepções demonstrou particular acerto, ao evitar que os contra-ataques nacionalistas criassem maiores embaraços, numa noite em, que perante o triunfo de um surpreendente Vitória frente a um Sporting de má memória recente, os “azuis-e-brancos” não podiam facilitar. O Porto venceu e terá ganho maior tranquilidade para prosseguir a afinação da orquestra pela qual espera o precoce Óliver.