Porto 6 – BATE 0: Brahimi e Jackson cilindram BATE

No 200º jogo do Porto na Liga dos Campeões, a equipa de Lopetegui recebeu e dizimou o BATE por 6-0.

A goleada ficou marcada também pelo regresso de Quaresma ao onze titular (foto: J. Trindade infografia: GoalPoint)
A goleada ficou marcada também pelo regresso de Quaresma ao onze titular (foto: J. Trindade infografia: GoalPoint)

Jogo de sentido único no arranque do Porto na fase de grupos da Liga dos Campeões. Os “dragões” entraram fortes e determinados a marcar cedo no jogo. Pressão intensa e dinâmica foram as palavras de ordem para o encontro frente ao BATE Borisov.

A equipa orientada por Lopetegui foi para o intervalo a vencer por 3-0, dominando em todos os sentidos os bielorrussos. Tudo com 68,6% de posse de bola no primeiro tempo, 86,6% de eficácia de passes e 62,2% de duelos ganhos. Uma primeira parte marcada pelos dois golos de Brahimi e o tento de Jackson. O BATE dispôs de uma oportunidade para empatar por intermédio de Gordejchuk que apareceu na cara de Fabiano, mas o guarda-redes brasileiro levou a melhor.

No segundo tempo, a formação portuguesa não tirou o pé do acelerador e chegou aos 4-0 aos 57 minutos, com Brahimi a apontar um hat-trick. Lopetegui apostou na gestão física e lançou Evandro para o lugar do argelino. Aos 61, Adrián fez o seu primeiro golo em competições oficiais pelo Porto e o 5-0.

Aos 64 e 68 minutos, Aboubakar e Tello entraram para os lugares de Jackson e Herrera, respectivamente. O avançado camaronês também se estreou a marcar com a camisola “azul-e-branca”, estabelecendo o resultado final em 6-0 à passagem do minuto 76.

Apesar das substituições madrugadoras, o Porto não baixou a sua qualidade e acabou a segunda parte com 85,5% de eficácia de passes e 66,1% de posse de bola.

Inovação táctica

O Porto iniciou o jogo com uma inovação táctica por parte do treinador espanhol. O 4x3x3 habitual deu lugar a um 4x1x3x2 com Adrián e Quaresma a serem as grandes surpresas no “onze” inicial desta quarta-feira.

O avançado espanhol alinhou no apoio a Jackson e Quaresma na direita, deixando Brahimi entregue ao corredor esquerdo juntamente com Alex Sandro. Os dois têm desempenhado uma parceria de grande nível.

O BATE entrou em 4x3x3, tal como o GoalPoint previu, com excepção feita para Pavlov, alinhando Aleksievich no lugar de extremo-esquerdo. Yermakovich entrou na tentativa de povoar o meio-campo, formando um sector intermédio com quatro jogadores. Gordejchuk ou Aleksievich fechavam no meio quando o centro do jogo estava nos seus respectivos corredores.

Nos primeiros 45 minutos o Porto procurou desequilibrar através dos seus extremos, Brahimi e Quaresma. Curiosamente o flanco mais chamado a jogo foi o direito, com 43,8% a passar pelos pés sobretudo de Danilo e Quaresma, contra 35,5% do corredor esquerdo.

Se por um lado Brahimi foi dos jogadores com melhor eficácia de passes (90,3%) em 31, e o que mais rematou (quatro), por outro Quaresma foi quem mais cruzou durante todo o jogo (17). Os cruzamentos do extremo português nem sempre tiveram critério, sendo que apenas quatro foram bem-sucedidos.

O lado direito do Porto foi o que mais contribuiu nas acções ofensivas. Danilo executou 44 passes no meio-campo contrário e Quaresma 37.

Do ponto de vista defensivo, destaque para Maicon que com a saída de Mangala tem-se afirmado como o patrão da defesa. O central foi quem ganhou mais duelos em termos de eficácia, pois dos seis disputados venceu 83,3%. Adicionalmente ainda somou nove intercepções. As suas acções não se esgotaram no processo defensivo como podem demonstrar os 101 toques na bola durante os 90 minutos, só superado por Danilo com 103.

Chernik e Mladenovic foram os melhores elementos da equipa bielorrussa. O guarda-redes evitou que o Porto atingisse uma goleada histórica e o lateral-esquerdo esteve bem no plano defensivo, ganhando todos os seis duelos que discutiu.

O Porto conseguiu explorar as debilidades defensivas do BATE, vulgarizando os bielorrussos sem que tivesse de imprimir muita velocidade no jogo. As individualidades como Brahimi e Jackson fizeram a diferença.

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Brahimi e Jackson

Podia ser um nome de uma banda ou um grupo de dança pela forma como o argelino e o colombiano fazem mexer as defesas contrárias. Brahimi e Jackson são neste momento para todos os adeptos portistas uma dupla de sucesso e de garantia de golos.

O argelino consegue transportar irreverência e dinâmica para o sector ofensivo. Com características únicas, o número 8 portista continua a demonstrar que é um jogador que pode decidir um jogo a qualquer momento. Neste caso particular decidiu-o em vários momentos com os três golos que apontou. No primeiro aproveitou a falha de reposição de Chernik, chegou ao segundo com uma jogada que começa com um movimento em diagonal para o centro do terreno e apontou o terceiro através de um livre marcado de forma irrepreensível.

Jackson conta com uma concorrência forte para o lugar de referência ofensiva do Porto mas o capitão portista promete não baixa a qualidade. Mobilidade, jogo aéreo e capacidade de finalização. Com quatro remates em 64 minutos, o colombiano foi a unidade que mais ameaçou a baliza adversária, chegando mesmo ao golo aos 37 minutos na sequência de um cruzamento de Danilo. Jackson cabeceou para o seu sétimo golo em outros tantos jogos.

Mais um jogo em que os “dragões” conseguem transportar as ideias de jogo de Julen Lopetegui para o relvado. Futebol intenso, qualidade ofensiva e posse de bola. Com 19 oportunidades e seis golos, o Porto terminou o jogo com 638 passes contra 315 do BATE.

No outro jogo do grupo, Athletic e Shakhtar empataram a zero, o que deixa os “dragões” numa posição confortável em primeiro lugar do Grupo H.