Porto 🆚 Benfica | As estratégias para o Dragão 💡

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Controlo do espaço

Não é por acaso que Aboubakar e Marega têm ambos 1,5 ocasiões flagrantes por 90 minutos, enquanto no Benfica só Salvio tem acima de uma. Claro que têm forma de criar perigo contra linhas mais recuadas, mas quando lhes é dada a possibilidade de atacar o espaço nas costas da defesa são devastadores – sendo a vitória frente ao Mónaco o exemplo perfeito, e sendo esta então a ideia por trás do “trade-off” de atacar de forma mais directa, tendo menos posse. Acabam mesmo fazendo muito menos passes no geral (454 p/90m vs 522 p/90m do Benfica) e menos passes no próprio meio-campo (193 vs 227 dos “encarnados”).

Se já entendemos que a probabilidade de o Benfica ter o controlo da bola é elevada, como poderá Rui Vitória proteger o espaço que irá aparecer naturalmente nas costas da sua linha defensiva? A resposta estará naquele que foi, para alguns, o melhor jogo da época do Benfica: a derrota em casa frente ao Manchester United.

Mantendo as linhas compactas, mas subidas, com uma armadilha de fora-de-jogo extremamente agressiva, o Benfica reduziu as chances de golo do United praticamente a zero. Os comandados de Mourinho criaram perigo apenas com bolas paradas e remates de longe, tendo sido apanhados em fora-de-jogo sete vezes. Mesmo no campeonato não é uma abordagem nova, sendo que os “encarnados” apanham os adversários em “offside” 2,4 vezes por jogo, enquanto os dragões apenas 0,8.

Para tal acontecer é necessário que jogue Svilar para diminuir o risco que “brincar” com a armadilha de fora-de-jogo acarreta: o belga tem clara capacidade de cobrir o terreno entre a baliza e a linha defensiva, tendo muito mérito nessa excelente exibição da equipa frente aos ingleses. É ainda bastante problemática para Rui Vitória a ausência de Ruben Dias, central com bastante capacidade física para jogar numa linha subida – Jardel e Luisão não darão tantas garantias. Veremos qual será a opção do treinador.

Confrontos nas alas

Yacine-BrahimiAssim que pensamos nas faixas laterais do terreno de jogo, é natural imaginarmos um extremo a partir no um-para-um contra um lateral – as alas são propícias a tendências de jogo onde momentos individuais ocorrem, já que há mais espaço para tal. Também aqui teremos alguns confrontos de elevado interesse no Estádio do Dragão.

Brahimi – sim, sabemos que já estavam a pensar nele – é um dos reis do drible da Europa: lidera a Liga com 5,3 dribles completos por 90 minutos, está em segundo na Champions com 6,7 e nas “top 5” europeias só o trio composto por Neymar, Hazard e Messi completam números superiores. No entanto, o mágico argelino vai ter pela frente dois dos jogadores do Benfica que menos vezes são ultrapassados em drible: André Almeida e Luisão, com 0,3 e 0,2 vezes por jogo respectivamente.

Tendo em conta que do outro lado há Grimaldo, jogador do Benfica que mais vezes é ultrapassado por jogo (1,6), começamos a perceber o quão impactante poderá ser a ausência de Corona – apenas atrás de Brahimi na lista de dribladores da Liga NOS – para este jogo.

Ainda importante nesta ala esquerda defensiva do Benfica será “secar” Ricardo Pereira. O Jogador do Mês GoalPoint cria mais ocasiões flagrantes que qualquer outro “dragão”, e irá procurar atacar o corredor aproveitando os movimentos interiores de Marega. Cervi parece ter ganho o lugar à frente de Grimaldo e será importante pelo seu apoio defensivo: dos extremos benfiquistas apenas Zivkovic (aparentemente fora das contas do treinador) executa mais desarmes e intercepções que o argentino.

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Tiago Estêvão
Tiago Estêvão
Performance Analyst na GoalPoint, já colaborou com a Statsbomb e WhoScored, entre outros.
GoalPoint

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