Quando Danilo Pereira saiu lesionado do jogo da meia-final da Taça da Liga disputada em Braga, com ele saía a principal referência do meio-campo defensivo dos portistas, à altura líderes do campeonato. Como bem notou Sérgio Conceição, após praticamente dois jogos sem Danilo – nessa mesma meia-final e em Moreira de Cónegos -, o balanço é bastante negativo: dois empates, o falhanço no acesso à final e o permitir da ultrapassagem do Sporting na tabela da Liga NOS.

Estes resultados podem até não estar directamente relacionados com a ausência de Danilo, mas Sérgio Conceição tem que pesar as suas opções para o período em que o internacional português se mantiver entregue aos cuidados do departamento médico.

Com as chegadas de Paulinho e Yordan Osorio, aumentaram para sete as opções de jogadores que podem ser utilizados no corredor central do meio-campo portista. Vamos à procura de quem fará mais sentido ter em cada uma das posições dessa zona do terreno, seja no mais habitual 4-4-2, seja na alternativa 4-3-3.

Ser Danilo Pereira, qualquer coisa de intermédio

A poção mais fácil seria ter uma alternativa directa a Danilo Pereira, um jogador que apresentasse o mesmo tipo de qualidades do internacional português. No entanto, se foi possível, logo no início da temporada, ter em Marega quem “fosse Tiquinho Soares” (mas numa versão algo diferente e mais completa), existem outros casos em que o plantel não tem encontrado resposta (ainda se procura quem possa “ser Yacine Brahimi”). Ora, o caso de Danilo Pereira não é o caso de Tiquinho, nem o de Brahimi, é qualquer coisa de intermédio.

Dentro das opções disponíveis no plantel do FC Porto, o mexicano Héctor Herrera é o elemento que mais se aproxima daquilo que Danilo Pereira oferece à equipa, proporcionando a manutenção do equilíbrio, seja no processo defensivo, seja no ofensivo, a partir da “posição 6”. De recordar que, ainda no Verão passado, o mexicano entrou no “onze ideal” da Taça das Confederações, precisamente nessa posição.

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Olhando para alternativas mais defensivas, nem Diego Reyes, nem o recém-chegado Yordan Osorio proporcionam as mesmas soluções a Sérgio Conceição. O facto de ambos serem jogadores mais habituados à posição de defesa-central condicionará a análise ao que já fizeram na presente temporada, mas enquanto Reyes oferece as mesmas garantias ao nível do passe, falta-lhe a capacidade de Danilo para progredir no terreno com a bola nos pés (apenas 0,3 tentativas de drible por jogo) e desequilibrar através do remate (ainda não rematou de fora da área esta época). Osorio até apresenta números interessantes no que toca à capacidade de progressão (1,7 tentativas de drible com eficácia de 72%), sobretudo tendo em conta a equipa em que jogava, mas não se espere dele que seja tão forte no jogo aéreo (apenas 55% de duelos aéreos defensivos ganhos) e na qualidade de passe.

Falta saber quem pode… ser Héctor Herrera

Mesmo se deslocar o mexicano para a posição de “6” no “onze” titular do FC Porto, Sérgio Conceição ainda não pode dormir sossegado. Porque tapando um buraco que se abriu no espaço mais recuado, reabre uma discussão sobre que médio pode, no plantel do FC Porto, ser o dínamo da ligação defesa-ataque, com a complexidade de não ceder defensivamente, enquanto se apresenta com capacidade para, nas zonas mais próximas da área, aparecer com capacidade de decisão. Sim, ser o Héctor Herrera que Héctor Herrera deixará (provisoriamente) de poder ser.

Em Moreira de Cónegos a opção passou por Óliver Torres. O espanhol é o jogador certo para estes jogos onde a equipa espera ter mais bola e dominar a partida (dizem vocês). E é verdade, entre as opções que a equipa apresenta (estamos a excluir Paulinho da possibilidade de ser o companheiro de Herrera num meio-campo a dois), que Óliver é o elemento que melhor estará capacitado para oferecer um contributo ofensivo. O espanhol é o médio que cria mais ocasiões flagrantes, muito por culpa da sua qualidade no passe longo. Mas também no momento defensivo Óliver vem rendendo. Apesar da imagem de menor “intensidade” no seu jogo, os números demonstram que o “camisola 10” (a actuar em zonas do terreno onde Herrera também tem habitado) supera o mexicano em desarmes (4,0 contra 3,3) e bloqueios de passe (2,4 contra 1,4), apesar de ser muito menos forte nas intercepções (0,5 contra 1,9).

GoalPoint-Héctor_Herrera_2017_vs_Óliver_Torres_2017-infog
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Por outro lado, Sérgio Oliveira, maioritariamente utilizado em jogos europeus, vem-se revelando um jogador muito sólido em missões mais defensivas, não descurando a qualidade de passe que continua a apresentar. Escolhido para ser o melhor candidato a “canivete-suíço-suplente” de Sérgio Conceição na temporada 2017/18, o jovem formado no Dragão comprovou ser capaz de ser esse elemento, que se adapta às necessidades de cada partida. Mas é bom não esquecer que, para além do contributo defensivo, Sérgio Oliveira também apresenta condições para ser um médio um pouco mais adiantado no 4-3-3, visto ser aquele com mais tendência para desmarcar os companheiros.

O terceiro passageiro

As variações possíveis neste meio-campo portista a partir dos jogadores disponíveis no plantel atingem, desta forma, o encontro com um sistema de jogo que o treinador tem preferido para enfrentar competições europeias e os jogos frente aos outros dois grandes. A tendência natural destes meio-campos, sem Danilo Pereira, apontará para uma divisão de tarefas entre Sérgio Oliveira e Óliver Torres, se a opção passar por ter dois alas ligeiramente adiantados a Herrera, mas apenas por um deles se a ideia for ter um médio-ofensivo para lá de dois jogadores com características de cobertura.

É aqui que entra Paulinho. Na sua estreia com a camisola “azul-e-branca”, Paulinho foi sugestivamente encostado ao lado direito, mas a sua natural busca de espaços interiores proporcionava as subidas de Ricardo Pereira na faixa e o surgimento de um terceiro elemento no corredor central. Esta opção, mais trabalhada ao longo das próximas semanas, poderá vir a oferecer ao Porto um jogador com capacidade de desequilíbrio ao nível de Brahimi nas mesmas deambulações diagonais que o argelino adopta. Ao mesmo tempo, o brasileiro encarará esta sua chegada ao Dragão com uma maior disponibilidade de aprendizagem em termos defensivos.

Sobra, ainda, André André, um jogador que pode ser caracterizado como um elemento que Sérgio Conceição utiliza em territórios mais adiantados, se pretender colocar aí um elemento de forte comportamento defensivo. Pelo número de desarmes tentados, André André será o jogador preferido para situações de pressão alta, não deixando cair os números da equipa em termos de presença perto da área. Mas perante opções muito mais criativas em Paulinho e Óliver Torres, os seus minutos continuarão a ser limitados.

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Médias por 90 minutos na Liga NOS + Liga dos Campeões 17/18
DP: Danilo Pereira; HH: Héctor Herrera; ÓT: Óliver Torres; DR: Diego Reyes; AA: André André; SO: Sérgio Oliveira; P: Paulinho; YO: Yordan Osorio