O FC Porto foi a equipa que mais pontos somou na Liga dos Campeões 2018/19. Este é um feito já muito falado e elogiado, que iguala o conseguido em 1996/97, pelo plantel de António Oliveira. Pelo caminho, os portistas obliteraram alguns máximos, um deles o dos expected goals (xG), que esmiuçamos em profundidade num outro artigo (link). Para que tal fosse possível, os “azuis-e-brancos” estiveram verdadeiramente imparáveis em situações de finalização.

Nem foram precisos muitos remates para os “azuis-e-brancos” terem um dos melhores ataques da fase de grupos, com 15 golos. Os portistas foram apenas a 23ª equipa com mais remates a cada 90 minutos, mais concretamente 11,7, mas a forma como conseguiram aproveitar esses remates é digna de estudo.

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Das 32 formações em prova, os “dragões” foram os que marcaram mais golos por cada remate. A taxa de conversão nestas seis jornadas foi de 21,4%, 19,0% em lances de bola corrida, igualmente o valor mais alto entre todas as equipas. Para termos uma ideia da competência neste parâmetro, basta olhar para o “top 5” desta variável, onde vemos que a segunda equipa com melhor estatística neste detalhes, o Paris Saint-Germain, não passou dos 16,8% de aproveitamento.

A outra equipa portuguesa em competição, o Benfica, foi somente a 16ª que mais rematou, com 13,3, mas foi a 24ª no que toca a conversão, com 7,6% dos remates a darem em golo.

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Quanto às ocasiões flagrantes convertidas, os “dragões” também dominaram. Dos 1,8 destes lances a cada 90 minutos, os comandados de Sérgio Conceição aproveitaram 63,6%, acima, por exemplo, dos 60,0% do Barcelona. Neste aspecto o Benfica não esteve mal, aproveitando 50% das ocasiões flagrantes de que dispôs, numa média de 1,3, a oitava equipa mais eficaz nestes lances.

“Águias” exímias no desarme

No que toca ainda às duas equipas portuguesas, o Benfica destacou-se noutros dois detalhes importantes. No desarme, nenhuma equipa esteve tão bem como os “encarnados”, com 23,0 a cada 90 minutos. O FC Porto não passou dos 14,7, o 21º valor mais alto.

Ainda no que toca aos desarmes, mas os completos (em que a acção termina com posse efectiva de bola por parte dos jogadores), o Benfica também foi dominador, registando 16,0, bem acima dos 13,5 do Schalke e dos 13,4 do Lokomotiv, ambos adversários do FC Porto no Grupo D. Dortmund e Bayern fecham o “top 5” neste detalhe.

Apesar de ter estado um pouco abaixo do que nos habitou na Liga dos Campeões, o português da Juventus, Cristiano Ronaldo foi, ainda assim, o mais rematador em prova. O internacional luso fez 28 remates nesta fase de grupos, mais um que Harry Kane, ponta-de-lança do Tottenham. Ainda assim, CR7 marcou apenas um golo, muito por culpa de ter enquadrado somente sete desses 21 disparos.

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Mas há outras curiosidades que saíram desta fase de grupos e que têm ligação a jogadores portugueses ou que actuam nas equipas lusas da Liga dos Campeões:

  • Jardel, também das “águias”, foi o terceiro central com mais remates de cabeça a cada 90 minutos, 1,0, o mesmo que Mats Hummels (Bayern) e atrás dos 1,9 de Sergio Ramos (Real Madrid).
  • Ainda para as bandas do Estádio da Luz, o médio Pizzi registou o segundo valor mais alto de passes para finalização, 4,5, atrás apenas dos 4,7 de Toni Kroos.
  • O portista Yacine Brahimi foi o terceiro jogador que mais tentou o drible, com 8,9, atrás dos 11,0 de Neymar e dos 10,1 de Leroy Sané.
  • O português do Nápoles, Mário Rui, foi o terceiro jogador a realizar mais cruzamentos de bola corrida, 5,2, com 23,3% de eficácia.