O FC Porto assegurou o seu 29º título de Campeão nacional a duas jornadas do fim da Liga, com a vitória caseira diante do Sporting, que garantiu também o pleno de triunfos em clássicos “inter-grandes”. Para Sérgio Conceição este é o segundo título da Liga NOS em três épocas, mas o treinador não esteve sozinho nesta caminhada, foi acompanhado por nove “dragões”, também eles “bicampeões” sob o seu comando, oito deles com papel preponderante em ambas as campanhas e nem todos devidamente destacados pelos adeptos e pela “crítica a olho”. Quem são eles? O que fizeram? Porque merecem alguns maior elogio do que lhes é conferido? É o que revelamos a seguir.

#1 Iván Marcano 🇪🇸, o esteio

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Saiu campeão, voltou para repetir a dose, sob o comando do mesmo mister. Pelo caminho, e para lá da competência defensiva, já somou tantas acções para golo como em 2017/18 (em menos minutos), seis, um número que muitos treinadores gostariam de ver atingido por todos os seus avançados ao longo da época. Exemplo? O melhor marcador da Liga passada, Haris Seferovic, não bate Marcano neste capítulo, à 32ª jornada.

Sendo certo que Pepe e Mbemba foram igualmente importantes, sobretudo a partir do momento em que o espanhol se lesionou, a experiência e qualidade do espanhol foram absolutamente fundamentais, mesmo jogando (até ver) menos 585 minutos do que na temporada do primeiro título.

#2 Alex Telles 🇧🇷, do “Sr. Assistências” ao “Sr. Golos”

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Sobre a preponderância de Alex Telles não é preciso dizer muito, todos o reconhecem neste momento como o mais influente lateral esquerdo a actuar na Liga NOS. A grande diferença entre os “Alexes” de 17/18 e 18/19 está na forma como o brasileiro passou de “rei das assistências” para “rei dos golos”, mesmo sem descurar totalmente o importante papel que cumpre na hora de municiar a restante equipa, sobretudo de bola parada. As bolas paradas (sete dos seus 10 golos), nomeadamente as grandes penalidades (sete convertidas em nove) foram importantes, mas a verdade é que o “dragão” parte para as duas últimas jornadas (caso esteja disponível fisicamente) como o jogador da equipa com mais acções para golo (17), o resto é conversa.

#3 Danilo Pereira 🇵🇹, o capitão decisivo

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Para alguns adeptos, Danilo pode já não estar na moda como já esteve, mas a verdade é que o médio-defensivo até foi mais influente neste título do que no de 2017/18, somando não só mais minutos, como mais acções para golo. Mesmo não sendo isso que se primordialmente se espera de um “trinco”, Danilo marcou dois golos, ambos de cabeça, os dois na sequência de cantos e ainda ambos nos dois últimos jogos que garantiram o título “azul-e-branco” 19/20. Mais decisivo é difícil.

#4 Sérgio Oliveira 🇵🇹, o gigante discreto

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Se ouvir alguém referir Sérgio Oliveira como figura central nos dois títulos de Sérgio Conceição, preste atenção pois provavelmente quem o diz percebe de bola. O médio raramente é destacado nos balanços, não costuma constar do “melhor onze” dos “especialistas” e nem sequer foi, em nenhuma das épocas, titular ao longo de toda a campanha, mas, feitas as contas, é o jogador com melhor GoalPoint Rating que irá ver neste artigo, e com grande margem. Porquê? Porque produz em campo, com regularidade, mesmo se o que produz não lhe valha o epíteto de “diferenciado”, para recorrermos a modernices da bola. Em ambos os títulos apareceu na fase mais importante da época, a segunda metade, para empurrar o meio-campo portista para patamares que até então não apresentava. Destaca-se a construir, a cobrar bolas paradas e a defender. Ao fim do dia, Sérgio Oliveira pode não ser um jogador da moda, mas, pelo que produz, foi um “craque” absolutamente central nos dois títulos de Conceição.

#5 Otávio Monteiro 🇧🇷, o “coelhinho duracell” de João Pessoa

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Otávio Monteiro é outro médio algo “underrated” entre adeptos e “especialistas”, mas seja onde for que o Porto precise dele o brasileiro produz e trabalha como poucos. Pese ser primordialmente um médio-ofensivo, Otávio acumula acções defensivas, assumindo um papel preponderante na forma como o Porto 19/20 se destacou como equipa que menos progressão com bola permitiu aos adversários, após perdê-la. Mas Otávio não é só apoio defensivo: dribla com eficácia, conquista bolas paradas e até melhorou substancialmente o seu índice de participação no título face a 2017/18, com mais minutos e mais do dobro das acções para golo. O brasileiro tem pouco remate (e ainda menos pontaria), é certo, mas vale muito mais em campo do que por vezes fazem dele.

#6 Tecatito Corona 🇲🇽, o anti-vírus “azul-e-branco”

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A preponderância de Tecatito Corona nos títulos de Sérgio Conceição é, a par de Alex Telles, bem mais consensual do que os dois casos anteriores, e com toda a justiça. Se, aquando da sua chegada ao Dragão, em 2015, o seu futebol não reuniu unanimismos, a verdade é que mexicano foi conquistando estatuto de indiscutível, não só pela qualidade mas também pela preponderância. Tecatito ofereceu a Sérgio Conceição a capacidade de fazer todo o corredor direito (e até o esquerdo, por vezes), como extremo, médio ou defesa e o seu desempenho apenas melhorou, com mais minutos e mais acções para golo do que em 2017/18. O ano de 2020 pode não ter sido amigo para Tecatito, ao “amaldiçoar-lhe” o apelido, mas o mexicano respondeu com bola, acções fundamentais no regresso da competição e conquistou, com total merecimento, o papel de figura central da época, no plano da equipa e de toda a competição.

#7 Moussa Marega 🇲🇱, o “comboio” das Antas

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O maliano é muitas vezes destaque nos nossos tweets pela negativa, sobretudo no plano da eficácia técnica com que executa em campo, mas a verdade é que a sua presença física, capacidade de explosão e “golo” chegam e sobram para a Liga NOS, justificando que os seus méritos sejam reconhecidos e destacados. Apesar de beneficiar praticamente do mesmo tempo de jogo, Marega não contribuiu tanto para o título 19/20 como o havia feito em 17/18, mas, ainda assim, 16 acções para golo são tudo menos um pecúlio escasso, sendo que uma delas correspondeu precisamente ao tento da tranquilidade na decisiva vitória frente ao Sporting. “Maregod” nunca será Messi, mas é “bicampeão” no Dragão, e isso não é para qualquer um.

#8 Tiquinho Soares 🇧🇷, “dragão” com cabeça

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A linha avançada “azul-e-branca” não será, para muitos, o segredo dos títulos, sobretudo para quem se habitou a jogadores do nível de um Falcao ou Jackson como referências de área. Tiquinho pode não ter pés para calçar botas com tamanha herança, mas tem cabeça: é o jogador da Liga, a par de Paulinho (SC Braga), com mais golos de cabeça (5) e o que tecnicamente não consegue oferecer ao nível dos seus “antepassados” na posição, mas procura compensar com trabalho. O seu contributo foi menor (apesar de jogar mais minutos) do que em 17/18, mas nove dos 67 golos do campeão tiveram a sua participação.

#9 Saudades de Aboubakar 🇨🇲

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Tecnicamente Vincent Aboubakar não preencheria os requisitos para constar da abordagem proposta nesta análise, ao só ter jogado 89 minutos na época em curso, mas o camaronês merece o destaque por três razões: porque tecnicamente é um dos “bicampeões” de Conceição, porque em 2017/2018 contribuiu claramente para a conquista do título (o statscard publicado reflecte apenas essa época) e porque se este ano não o fez em boa parte isso se deve aos obstáculos físicos com que se tem deparado nas últimas duas épocas e que desejamos fiquem para trás rapidamente, de modo a ainda poder voltar a rematar com alegria, para o fundo das redes.