O FC Porto sofreu esta quarta-feira uma das piores derrotas da sua história europeia. A expectativa era alta na recepção ao Liverpool, mas os “dragões” acabaram vergados a cinco golos sem resposta, num jogo em que o seu guarda-redes fez… uma defesa.

Num confronto tão desequilibrado logo à partida, seria de esperar superação de todos os jogadores no sentido de equilibrar o jogo, mas o que veio ao de cima foram as lacunas de algumas peças sem andamento para este nível. Moussa Marega confirmou aquilo que já tínhamos escrito há uns tempos e manteve a sua média de 53% de posses de bola perdidas, de longe a mais alta da prova (Ricardo Quaresma é segundo com 43%). Mas foi no guarda-redes que assumiu o expoente máximo das exibições cinzentas. Em seis remates dirigidos à sua baliza no jogo de quarta-feira, José Sá sofreu cinco golos, e a sua percentagem de remates defendidos na Champions League 17/18 é de 50%.

#JogadorClube% Remates defendidos
28Brad JonesFeyenoord45,8%
27José SáPorto50,0%
26Sergio RicoSevilla55,6%
25Alexander SelikhovSpartark56,0%
24Craig GordonCeltic56,1%
1Marc-André ter StegenBarcelona92,9%

Fonte: GoalPoint/Opta

Entre os 28 guarda-redes com mais de quatro jogos na prova, só Brad Jones (Feyenoord) tem pior registo que o português, mas José Sá é o pior entre os que estão nos oitavos-de-final.

No entanto, o que custará mais aos adeptos portistas será o facto de, sentada no banco, estar uma contratação milionária que até já deu muitos pontos e… milhões. O registo de Casillas na prova em 16/17 foi de 75% de remates enquadrados defendidos, semelhante à sua marca na Liga NOS desde que chegou ao FC Porto (73,7%). Já José Sá, mesmo a nível interno, apresenta uma percentagem de 59,1% de remates defendidos desde 2014/15, altura em que começámos a dispor de dados da Opta, muito inferior até à da terceira opção, Vaná, que na época passada, ao serviço do Feirense, defendeu 74,8% dos remates dirigidos à sua baliza.

Só Sérgio Conceição saberá os motivos da aposta no português, mas, ao contrário de outras decisões algo arriscadas, pode dizer-se com clareza que esta não resultou. Prescindir daquele que foi um dos melhores guarda-redes do mundo e de um dos melhores da Liga NOS 16/17, para apostar num jovem com os registos citados acima, tinha tudo para custar caro, e está a custar.