Quis a sorte e o mérito de uma fase de grupos muito bem conseguida que o FC Porto defrontasse nos oitavos-de-final o FC Basileia, o emblema que tem dominado o futebol suíço nos últimos anos e que, sob o comando de Paulo Sousa, atingiu o segundo posto de um grupo B que incluía o Real Madrid e o Liverpool como grandes favoritos ao apuramento. O Real cumpriu, já os “reds” sucumbiram rumo à Liga Europa, muito por mérito da organização e consistência de um Basileia que certamente não quererá ceder facilmente ao favoritismo “azul-e-branco”.

Como joga o Basileia e que armas dispõe para contrariar um “dragão” que se mostrou ao seu melhor nível nesta época precisamente na prova máxima da UEFA? Sobre esse tema publicaremos um artigo específico ainda antes da primeira mão da eliminatória. Por agora olhamos o desempenho de ambas as equipas na fase de grupos da Champions.

Favoritismo do “dragão” mas atenção aos sinais suíços

Uma análise rápida dos números de desempenho dos adversários em contenda apenas confirma o óbvio: os “dragões” não só são favoritos como protagonizaram uma primeira fase mais exuberante que os suíços que, por exemplo, garantiram o segundo posto com um saldo negativo de golos.

No entanto, e tendo precisamente em conta o grau de dificuldade de pelo menos quatro das partidas disputadas pelo Basileia, existem alguns indicadores que merecem a devida atenção, quando conjugados com uma análise cuidada da forma organizada do adversário de Lopetegui.

VACLIK SOBRE FOGO

No plano defensivo sobressai a maior dificuldade sentida pelo Basileia na fase de grupos (5,5 remates permitidos por jogo contra apenas 2 do Porto). O guardião  Tomas Vaclik sofreu oito golos, o dobro de Fabiano, mas cinco foram encaixados frente ao Real Madrid, no jogo de abertura. O checo realizou 27 defesas ao longo da fase de grupos (3,4 por golo) contra apenas oito do brasileiro (duas defesas por cada golo sofrido): os números revelam assim que o checo foi proporcionalmente bem menos permeável que o guardião dos “dragões”.

A MESMA EFICÁCIA E ACUTILÂNCIA… COM MENOS PASSES

O FC Porto realizou uma elevada média de 580 tentativas de passe por jogo na primeira fase, com uma eficácia de 83%, um indicador coerente com a liderança que os portistas apresentam na Liga Portugal neste capítulo. Curiosamente o Basileia registou a mesma eficácia de passe que os “dragões”, realizando cerca de 140 passes a menos por partida que o adversário desta eliminatória. Mas corresponde a eficaz economia suíça a uma menor produção de lances de golo decorrentes do jogo de circulação? Nem por isso, o que surpreende. O Basileia realizou uma média de 10 passes para ocasião de golo por partida, contra 11 do Porto, o que sublinha uma maior objectividade à qual os “azuis-e-brancos” prestarão certamente a devida atenção.

DRAGÃO MAIS “MATADOR”

A produção ofensiva dos suíços não é surpreendente apenas pela quantidade de passes para ocasião mas também pelo número de remates por partida (14,7), num registo muito próximo do obtido pelos portistas (15,3). No entanto, na hora de avaliar a eficácia (% de remates enquadrados) e o aproveitamento (% de remates convertidos em golo), o instinto “matador” do Porto sobressai de forma evidente em ambos os domínios, com 42% dos 92 remates dos “azuis-e-brancos” a encontrar a baliza adversária e 17% a terminar em golo, contra apenas 32% e 8% do Basileia em 88 disparos.

Os números pouco alteram a realidade: o FC Porto é claramente favorito neste confronto mas o desempenho dos suíços revela indicadores que sugerem as necessárias cautelas, sobretudo se os “dragões” não conseguirem engrenar o nível exibicional que vêm revelando nesta competição.

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