FC Porto e Sporting jogam este sábado o “clássico” no Estádio do Dragão, e cada um entra em campo com objectivos diferentes. Se para os portistas o que está em jogo é o brio e, eventualmente, o afinar da “máquina” para a final da Taça de Portugal – pois o terceiro lugar já não lhes foge –, para os “leões” poderá ser decisivo na luta pelo título. Facilidades para qualquer um dos lados não são esperadas, mas importa tentar saber quem chega melhor a este jogo ou, pelo menos, como cada uma das equipas chegou a esta fase da prova na posição que ocupa e que pormenores no seu futebol poderão ter influência no Dragão.

Quem pensa que o Sporting ganha estatisticamente em toda a linha na comparação directa com o Porto, engana-se. Mas é relevante sublinhar alguns pontos que explicam muito da diferença de desempenho e pontuação entre as duas formações. A começar pelo ataque. Atente aos números das acções ofensivas, que lhe mostramos a seguir, e tire as suas conclusões. Bom, talvez não haja grande espaço para interpretações: os homens de Alvalade são melhores em frente à baliza e isso tem um peso grande na carreira das duas formações. Mas há outros pontos de interesse. Analise connosco.

Liga NOS | O “clássico” que tudo pode decidir
A evolução dos GoalPoint Ratings colectivos de “dragões” e “leões” ao longo da época

“Leão” certeiro, “dragão” perdulário

Para começar vamos logo contrariar este subtítulo. O Sporting já falhou 60 ocasiões claras de golo, o FC Porto “apenas” 48. O número não abona a favor dos lisboetas, mas tudo muda se enquadrarmos esse total na realidade de cada equipa, nas médias, nas percentagens sobre os totais. Aí o cenário muda de figura e a eficácia leonina dita leis, como mostram os dados abaixo.

  • O Sporting concretizou 42 das 102 ocasiões claras que criou, o Porto 31 de 79
  • FC Porto remata mais do que o Sporting a cada 90 minutos: 16,8 disparos contra 14,8
  • Os “dragões” enquadram mais disparos – 6,1 por 90 minutos para 5,9 dos “leões”
  • Os de Alvalade têm uma melhor percentagem de remates enquadrados relativamente aos disparos realizados: 39,9% para 36,2%
  • A equipa de Jorge Jesus bate a de José Peseiro quanto à eficácia de concretização: 14,6% dos remates dão em golo, para apenas 11,3% dos “dragões”
  • O peso dos remates de cabeça dos lisboetas no total é de 20%, nos portistas de 16,3%

Caminhos diferentes para a baliza

A certeza do remate, a sua eficácia, ou a concretização, também dependem muito da qualidade da entrega, da forma como as equipas constroem jogo ofensivo. Também aqui o Porto lidera na quantidade, mas o Sporting vence na qualidade. Ao olharmos para os números do passe, da zona de definição, para as ocasiões criadas e assistências, nota-se claramente, como pode ver abaixo, que um dos aspectos que separa a boa época leonina na Liga NOS em relação ao seu adversário de sábado é, precisamente, a entrega. Assim a vida dos avançados fica mais fácil. Mas os desequilibradores do Porto podem fazer estragos, como de nota pela capacidade de drible.

  • O FC Porto beneficia de 8,1 cantos por cada 90 minutos (6,4 para a grande área), o Sporting 6,9 (5,5)
  • A eficácia dos cantos batidos pelo Sporting para a grande área é de 41,5%, do Porto é de 32,7%
  • Os “leões” realizam 20,6 cruzamentos de bola corrida por 90 minutos, os “dragões” 16,1 – eficácia leonina de 22,9%, portista de 22,2%
  • “Azuis-e-brancos” realizam uma média de 532,7 passes por 90 minutos, 83,7% deles certos, “verdes-e-brancos” 509,4, 81,3% certos
  • Do total de passes, os lisboetas realizam 34,4% (72,2% eficazes) já no último terço contrário, portistas apenas 29,9% (72,4% certos)
  • Porto faz 13,5 passes para ocasião por 90 minutos, Sporting 11,5
  • “Leões” transformam 11,5% desses passes para ocasião em assistências para golo, Porto 10,8%
  • Porto conta com 45 assistências para golo; Sporting soma 41
  • Os portistas realizam 25,3 dribles por 90 minutos com um 46,2% de sucesso; os homens de Alvalade tentam 21,2% destes lances, com 41,3% de êxito

 

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Clique na infografia para ampliar (infografia: GoalPoint)

“Leão” coeso, Porto lutador

Na defesa já é sabido que o Sporting é o que tem mantido maior coesão ao longo da época e é a equipa com menos golos sofridos, 20, em comparação com os 26 do FC Porto. Estes, por seu turno, apresentam bons valores em termos de duelos individuais, que misturam acções em praticamente todo o terreno de jogo, com grande incidência a meio-campo – os jogadores do Porto são acusados de não lutar, se calhar lutam, mas não da melhor forma. Mas é nas intervenções defensivas puras que os “leões” se destacam e podem fazer a diferença no Dragão.

  • Porto e Sporting equiparam-se na percentagem de duelos ganhos, com ligeiro ascendente “azul”: 51,6%-50,1%; 52,2%-51,9% nos duelos aéreos
  • “Dragões” perdem menos bolas por 90 minutos que os “leões” (156,5 vs 167,6) e recuperam ligeiramente mais (52,4 vs 52,3)
  • Sporting realiza mais desarmes por 90 minutos (19,7 contra 17,6) e tem uma melhor percentagem de desarme com recuperação efectiva de bola (75,8% para 75,4%)
  • Lisboetas permitem bem menos remates aos seus adversários (7,9 contra 8,5 dos portistas; 2,5 contra 2,6 enquadrados)
  • Quanto aos guarda-redes, Rui Patrício contribui para uma eficácia e defesas do Sporting de 75,3% contra 69,1% do Porto (Iker Casillas sobretudo)
  • Sporting soma 15 jogos sem sofrer golos, Porto 12

Em jeito de conclusão, o Porto tem muito jogo ofensivo, ou simplesmente em posse. Tenta criar muitas situações de perigo e luta bastante. Esta é a cara dos anfitriões da partida de sábado. Por seu turno, o Sporting vai tentar manter-se na luta pelo título com as suas armas: maior peso dos passes no último terço, menos passes para ocasião, mas bem mais perigosos, maior eficácia de remate e, acima de tudo, mais qualidade nas entregas e na finalização. Será que no confronto directo estes detalhes se vão manter?