Portugal 0 – Albânia 1: Desafio do “banho frio” luso

Uma selecção portuguesa dominante mas inofensiva durante todo o encontro que esbarrou na eficácia albanesa. Confira os números da desilusão.

João Moutinho foi dos poucos de Portugal que não naufragou ante a Albânia (foto: (foto: AGIF/Shutterstock)
João Moutinho foi dos poucos de Portugal que não naufragou ante a Albânia (foto: (foto: AGIF/Shutterstock)

Incompetência assumida (pela própria federação), reestruturação efectuada, mudanças de nomes, cabeças a “rolar”. Tudo parecia encaminhar-se para o regresso do melhor Portugal, mas ao primeiro teste numa nova competição, o escândalo caiu sobre Aveiro na forma de uma selecção albanesa insípida mas que levou os três pontos.

Para este primeiro jogo de qualificação para o Campeonato da Europa de 2016, e após o Mundial no Brasil, os portugueses demonstraram uma dinâmica de jogo e futebol muito parecido ao praticado no desaire mundialista. Usando sempre muito os corredores, os extremos e laterais foram os grandes protagonistas na zona de criação, com um ponta-de-lança que, apesar de jogar bem no apoio é pouco eficaz e perigoso. Mesmo com uma percentagem de remates bastante superior à dos adversários, o resultado foi um verdadeiro balde de água fria para a equipa das “quinas”.

Com um total de 19 remates durante o jogo, Portugal bem que tentou o golo, contudo apenas cinco foram na direcção da baliza. A dinâmica ofensiva dependia bastante das combinações entre os médios-centro e extremos, sobretudo perto da área adversária, factor que pode explicar o porquê de neste total de remates, 11 terem sido realizados dentro da áerea – mesmo assim com pouca pontaria.

No momento defensivo Pepe impôs-se como o líder de uma defesa que, apesar de concentrada, revelou alguns problemas em marcar o ponta-de-lança adversário. Com sete recuperações de bola, o defesa-central do Real Madrid, ao jogar bastante na antecipação, conseguiu dar alguma solidez defensiva à equipa de Paulo Bento. Nas transições e no momento ofensivo do jogo, Nani com a sua verticalidade, qualidade técnica e diagonais constantes, conseguiu uns bons 35 passes no meio-campo adversário e um total de dez cruzamentos para a área. O extremo, em conjunto com João Pereira e Fábio Coentrão, colocaram problemas vários à defensiva albanesa, com 28 cruzamentos tirados – embora sem qualquer aproveitamento em termos de finalização.

Moutinho ao comando

No meio de alguma indecisão no momento da construção de jogo baixa e até alguma confusão táctica (com o decorrer das substituições, Portugal jogava em pleno desiquilibrio defensivo), João Moutinho foi sem dúvida alguma dos poucos jogadores que estando inconformado com o resultado remou contra a maré. Na fase de construção alta era ele quem organizava o processo ofensivo luso, tendo contribuido com uns maioritários 65 passes (sendo que 51 foram no meio-campo adversário) e nove cruzamentos para a área. Foi um jogador que geriu bem o ritmo de jogo e, sobretudo, conferiu bastante critério na altura do passe. Talvez por ter sido o jogador que mais passes para golo fez, com três, Moutinho foi também o que mais vezes perdeu a bola, mais precisamente 23.

Os números finais indicam o claro dominio lusitano, com uma posse de bola a rondar os 65,6% contra 43% da Albânia, 522 passes efectuados contra 186 dos adversários, um total de dez cantos para apenas um albanês e ainda 12 remates para fora contra zero da equipa vencedora, que rematou apenas duas vezes durante todo o jogo – ambas já na segunda parte, aproveitando assim o desposicionamento português com contra-ataques rápidos e cirúrgicos. Só que no aproveitar é que está o ganho e a Albânia vez um golo em duas ocasiões, contra zero da equipa de Paulo Bento em 14.