Portugal 1 – Arménia 0: Vitória aos repelões

Cristiano Ronaldo, quem mais, resolveu para Portugal, que soma agora seis pontos em três jogos no Grupo I, mas para a história fica um jogo confuso com números que revelam total ineficácia lusa. Confira-os.

GP - destaque - PORvsARM - ACE3J - 14Nov2014
Ronaldo voltou a decidir quando a vitória se afigurava difícil (foto: J. Trindade infografia: GoalPoint)

Portugal ganhou por 1-0, depois de rematar 30 vezes à baliza da Arménia, contra nove disparos dos visitantes. Se numa situação normal este número dava para a goleada, a verdade é que depois do jogo disputado no Estádio Algarve fica a sensação de que o triunfo surgiu por mero acaso, num golo de Cristiano Ronaldo aos 72 minutos, depois de uma jogada muito confusa na área contrária. E fica a estreia de Raphael Guerreiro e o regresso de José Bosingwa à titularidade.

No lance decisivo, o recém-entrado Ricardo Quaresma fugiu pela direita, rematou, o guarda-redes Roman Beresovski fez uma defesa incompleta, Nani tentou a recarga, mas a bola sobrou para o Ronaldo, que encostou junto à linha de golo. Estava feito o mais difícil, que supostamente deveria ser o mais fácil. Mas não o foi, por diversos motivos, o primeiro dos quais uma gritante falta de eficácia lusa, traduzida num aproveitamento de 3% do total de disparos…

Ataque deliberado

As outras razões foram variadas. Portugal entrou em campo apresentando um 4x4x2 clássico, com clara ideia de se transformar em 4x2x4, para ter “um gajo a cruzar e três na área”, como disse, mais ou menos assim, o treinador Fernando Santos na conferência de imprensa antes do jogo. Mas viu-se pouco desta ideia. Hélder Postiga, e até Ronaldo, foram presas fáceis para os três centrais arménios – os visitantes actuaram num já ultrapassado 5x4x1; João Moutinho a surgir de trás, está pouco talhado para finalizar cruzamentos; Nani não largou a linha para integrar o lote de homens na área. E assim se desperdiçaram 15 cruzamentos em futebol corrido até ao intervalo (26 no total).

Por outro lado, a linha de meio-campo jogava longe dos dois avançados, fácil para os médios-defensivos arménios travarem Portugal naquela zona. Os extremos Danny e Nani, secundados por Raphael Guerreiro e José Bosingwa, sentiram dificuldades para passar os laterais contrários, Hayrapetyan e Hovhannisyan, que tinham a ajuda constante dos médios-ala, Ghazaryan e Mkhitaryan – a espaços quase funcionavam como laterais.

A Arménia aproveitava regularmente o ataque deliberado de Portugal e a subida dos laterais, em especial pela direita, onde o veloz e tecnicista Henrikh Mkhitaryan, estrela do Borússia de Dortmund, explorava os espaços, efectuando quatro passes para ocasião até ao intervalo. Nesta fase a Arménia somou 45,1% dos ataques pela sua direita, o lado do jovem Guerreiro, 35,3% pela esquerda e apenas 19,6% pelo meio, fruto da exploração das laterais. Ricardo Carvalho e Pepe não davam para as encomendas.

Portugal realizava muitos ataques pela esquerda, com Danny e Guerreiro, e também Ronaldo (41,8% para apenas 28,7% pela direita). E assim se chegou ao descanso. O que mudou na segunda metade foi, na sua essência, a intensidade da pressão lusa, e a forma como o foi conseguindo. Com a saída de Hélder Postiga para a entrada de Éder, Portugal ganhou físico na grande área e alguém com capacidade para guardar a bola de costas para a baliza, o que facilitou o carrossel de passes e mudança de flanco do futebol português. Houve mais lances de perigo, mas cada vez com um futebol mais confuso e aos solavancos. Acabou por resultar, mas ficam os números pobres.

Clique na infografia para ler em detalhe (infografia: GoalPoint)
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Ronaldo vários níveis acima

Salvou-se Ronaldo, com um golo, nove remates, três deles enquadrados com a baliza, cinco bloqueados (malditos livres directos) e quatro passes para oportunidade de golo. Danny atirou oito vezes à baliza, só um com a direcção certa, tendo quatro sido bloqueados – a floresta de jogadores da Arménia não ajudou à eficácia de remate dos lusos, acabando a partida com 12 remates que embateram nos defesas contrários.

Salvou-se também João Moutinho, com impressionantes 114 passes e 91,2% de acerto, tendo 85 (89,4%) acontecido no meio campo contrário. Tiago também esteve bem no passe, com 95 e 90,5% de acerto (69 – 89,9% no meio-terreno arménio) e até Nani – não é uma análise depreciativa do atleta, mas a constatação de que os extremos erram mais passes que os médios puros – conseguiu atingir 87,9% de eficácia de passe. Do lado contrário, o destaque vai para o veterano guarda-redes de 40 anos, Roman Berezovskiy, que efectuou quatro defesas importantes e esteve muito bem a interceptar cruzamentos portugueses.

No final, Portugal acabou com os referidos 30 remates, dois enquadrados, 12 bloqueados, 16 disparos dentro da grande área arménia e 14 de fora – os visitantes remataram nove vezes, seis enquadradas, cinco dentro da grande área de Rui Patrício e quatro fora. Portugal somou 649 passes, com uma eficácia de 85,8% – a ausência de pressão alta da Arménia ajudou a estes números –, contra 289 contrários (69,2% certos). A posse de bola foi esmagadora: 69,4% para Portugal, 30,6% para a Arménia.