Portugal 2 – Gana 1: Sem eficácia não há “milagres”

A equipa lusa melhorou em alguns capítulos do meio-campo, bateu o Gana, mas voltou a mostrar deficiências em alguns detalhes, em especial a finalização.

O adeus de Portugal ao Mundial consumou-se frente ao Gana, e se houve melhorias na equipa com as alterações efectuadas em relação aos dois outros jogos, alguns defeitos lusos repetiram-se nesta terceira partida.

Nas duas anteriores, com a Alemanha e os Estados Unidos, o grande problema esteve no meio-campo, nas suas diversas dimensões. Com o Gana, esse sector melhorou em alguns detalhes. A presença de William Carvalho a “trinco” deu equilíbrio à zona intermédia, e João Moutinho beneficiou sobremaneira com isso, sendo um dos melhores em campo. Portugal efectuou 27 desarmes completos (69,2%) e esteve perfeito nos cortes, com destaque para Bruno Alves (12) e Pepe (sete), mas pecou nas recuperações de bola (apenas sete contra os 26 do Gana), permitindo que os africanos discutissem o jogo até final e evitassem mais danos perto da sua baliza.

Em termos de eficácia de passe os números foram, paradoxalmente, menos animadores. Portugal fez 446 passes, mas apenas 80% completos, contra os 87,5% e 88,1% frente a germânicos e americanos. Na defesa chegou aos 95,4%, o melhor registo nos três jogos, mas a meio e no ataque esses valores caíram a pique (84,1% e 68,4%), explicando de certa forma por que o domínio luso acabou por não ter maior sequência ofensiva.

Ainda assim, Portugal criou inúmeras ocasiões de golo (13), cinco delas claras – contra quatro do Gana. Um número que decorre dos 18 remates efectuados, nove deles na grande área, sete enquadrados. No capítulo dos cruzamentos, Portugal fez 35, mas apenas seis tiveram aproveitamento. Analisando estes números, conclui-se que a selecção nacional teve possibilidades de operar o tal “milagre” e chegar aos oitavos-de-final, mas a eficácia ofensiva voltou a não ser a melhor.

Clique na imagem para ler em detalhe (foto: J. Trindade / Infografia: GoalPoint)
Clique na imagem para ler em detalhe (foto: J. Trindade / Infografia: GoalPoint)

William e Moutinho activos

O jovem do Sporting, William Carvalho, foi dos mais intervenientes da partida, juntamente com Nani e Moutinho. O jogo de Portugal passou muito pelos pés destes jogadores. William esteve bem nos desarmes (cinco), nos cortes (três) e nas intercepções (uma), soltando Moutinho para outras tarefas. O médio do Mónaco fez 81 passes (81% completos) e esteve bem no passe longo. Cristiano Ronaldo marcou finalmente e voltou a estar muito activo, com oito remates, seis deles directos à baliza, tendo encontrado pela frente um Fatau Dauda inspirado na baliza do Gana.

Do lado ganês não podemos deixar de realçar o trabalho de Asamoah Gyan. O avançado marcou um golo, rematou nove vezes e até nos passes perigosos foi dos melhores da equipa. Uma autêntica dor de cabeça para Portugal.

 

Apontamento táctico

Uma boa primeira parte de Portugal onde faltou apenas uma melhor finalização e uma segunda parte onde os portugueses, a dar mostras de desmotivação, demonstraram grande desorganização táctica. Com um “onze” inicial diferente das outras partidas, a selecção melhorou bastante na sua dinâmica de jogo. Notou-se porém uma grande falta de automatismos; os jogadores, ao receberem a bola, perdiam demasiado tempo a olhar para o posicionamento dos colegas. A nível defensivo, Miguel Veloso acusou em demasia a falta de rotina na posição de defesa-esquerdo, e o facto de Portugal não tem um médio ala a fechar o corredor lateral deixou Rúben Amorim com uma missão difícil de cumprir.

Ronaldo tentou desequilibrar com o seu posicionamento livre, mas faltou à selecção portuguesa um ponta-de-lança de nível para fazer a diferença no último terço do terreno e ainda um Nani com ritmo de jogo adequado a um campeonato do Mundo. A nota positiva deste jogo foi, sem dúvida, João Moutinho, que pela primeira vez neste Mundial demonstrou alguns rasgos da sua qualidade.

O “Apontamento Táctico” é assinado por Miguel Pontes.

 

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