Portugal 🆚 Espanha | Desperdício marca “cimeira” ibérica

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A“cimeira ibérica” terminou com um empate a zero. Esta quarta-feira, no palco do Estádio José Alvalade, 2500 espectadores saudaram o segundo teste com público nos estádios lusos, após o Santa Clara-Gil Vicente da última ronda da Liga NOS. Espanha dominou o encontro durante largos minutos, acumulando inúmeras ocasiões e falhando apenas na finalização, tudo isto expondo uma certa impotência nacional. Após os primeiros avisos lançados na recta final da primeira metade, Portugal despertou do marasmo e demonstrou outra face, desperdiçando três ocasiões flagrantes, com duas bolas na barra – e em cima da linha de golo – pelo caminho.

O jogo explicado em números 📊

  • Algumas notas para o “onze” escolhido por Fernando Santos. Rui Patrício voltou a ser opção inicial em detrimento de Anthony Lopes, após ter falhado os dois duelos anteriores; o estreante Rúben Semedo relegou o habitual titular Rúben Dias para o banco; o meio-campo foi composto por Rúben Neves, João Moutinho e Renato Sanches; e, no ataque, Trincão fez companhia a Cristiano Ronaldo e André Silva.

  • A “fúria” entrou com tudo em cena e, logo no primeiro ataque, Gerard Moreno ficou próximo de marcar, valendo a Portugal a rapidez de reflexos de Rúben Semedo, marcava o relógio apenas dois minutos. Três volvidos, Olmo não conseguiu definir a preceito e, em mais um raide perigoso espanhol, Pepe impediu que o centro de Canales chegasse aos pés de Rodrigo, que pouco depois rematou com perigo. Nesta fase, a Espanha condicionava as acções lusas, tinha 66% da posse de bola, 70 passes trocados e uma eficácia de 94% nas entregas.

  • A toada mantinha-se, com os espanhóis dominantes e a turma das “quinas” sem soluções para ludibriar o futebol rendilhado e ao mesmo tempo objectivo dos contrários. Portugal, aos 20 minutos, ainda não tinha qualquer remate contabilizado, apenas 41% da posse de bola e 96 passes trocados. Já a Espanha tinha oito tiros ao alvo – três enquadrados –, 159 passes trocados e 59% da posse.

  • Aos 25 minutos, Renato Sanches tentou a sorte, mas o remate saiu torto e em direcção às bancadas – a nota é que foi a primeira vez que os campeões europeus lograram uma finalização, o que contrastava com as nove dos comandados de Luis Enrique.

  • A três minutos do intervalo, no melhor lance criado pelo ataque português, Cristiano Ronaldo assistiu, mas Raphaël Guerreiro não conseguiu finalizar a preceito. Pouco depois, na sequência de um livre, João Moutinho cruzou para o cabeceamento de CR7, que saiu ao lado. Sem melhorar de forma substancial, os homens de Fernando Santos passaram a defender de forma mais afincada e assertiva em 4x4x2 – Renato Sanches começou a ajudar Guerreiro – e foi ganhando alguma confiança para atacar. 

  • Intervalo Os números não deixavam margem para dúvidas. Ao final dos primeiros 45 minutos, apenas no marcador o domínio espanhol não imperava. De resto, só deu Espanha que, imprimindo uma forte pressão, conseguiu ia amealhando sucessivas jogadas de perigo. Portugal não encontrava antídotos para travar os constantes ataques adversários. Na primeira metade, o melhor elemento dentro das quatro linhas foi Rui Patrício, com um GoalPoint Rating de 7.0 e um registo de quatro defesas, duas das quais travando remates dentro da área lusa, apenas três passes falhados em 15 tentados e 16 progressivos verticais correctos.

  • Ao intervalo houve alterações nas duas selecções. João Moutinho, André Silva e Pepe foram substituídos por William Carvalho, Bernardo Silva e Rúben Dias. Na Espanha, Ceballos, Reguilón e Rodrigo foram trocados por Campaña, Gayá e Merino.
  • À quinta tentativa, ao minuto 53, Cristiano Ronaldo desferiu um “míssil” que apenas foi travado pela barra da baliza de Espanha para gáudio dos 2500 espectadores que se deslocaram ao Estádio José Alvalade XXI. 

  • Num contragolpe bem orquestrado, aos 68 minutos, iniciado após uma recuperação de William Carvalho, Trincão acelerou, de trivela Cristiano centrou e o remate de primeira de Renato Sanches embateu com estrondo na barra da baliza de Kepa e caiu em cima da linha fatal. Os espanhóis tinham mais bola (68% da posse), mas os lances de maior perigo pertenciam aos anfitriões. Na resposta, Adama traoré ligou o “turbo”, deixou Nélson Semedo para trás, assistiu Olmo, que obrigou Rui Patrício a mais uma intervenção apertada. 

  • Portugal voltou a ameaçar. João Félix, que ocupou a vaga de Cristiano Ronaldo, fez o passe, Trincão, já no interior da área forasteira, atirou e Kepa, lesto a sair dos postes, defendeu e negou o tento luso, naquele que foi o primeiro disparo português enquadrado na partida, assinalavam 75 minutos. Foi o oitavo remate de Portugal, metade dos quais feitos já nesta etapa final. 

  • Passando a defender com um bloco mais compacto, Portugal conseguiu estancar alguns dos raides de Espanha, diminuiu o número de erros no processo defensivo, não obstante os inúmeros problemas colocados por Adama Traoré, e começou a atacar, de forma paciente, o espaço nas costas deixado pela defensiva contrária com outra precisão.

  • Já em período de descontos, por escassos centímetros um “slalom” de Diogo Jota não deu em golo. Instantes depois, na sequência de um canto, Rúben Semedo ganhou nas alturas e João Félix, ao segundo poste e sem marcação, falhou por muito pouco a finalização. Foi o canto do cisme no encontro. 

O melhor em campo GoalPoint👑

Sem mácula. Após não ter sido titular nos dois últimos jogos da Selecção, Rui Patrício voltou a merecer a confiança de Fernando Santos e rubricou mais uma excelente exibição. No fecho de contas, o guardião foi chamado à acção e respondeu de forma afirmativa com cinco defesas, algumas das quais de elevado grau de dificuldade, que foram segurando as diversas investidas espanholas e serenaram os ânimos nacionais. Realce, ainda, para as 43 acções com a bola e os sete passes progressivos que fez. O GoalPoint Rating de 7.6 foi o espelho disso mesmo.

Jogadores em foco 🔺🔻

  • Dani Olmo 6.8 – Uma verdadeira dor de cabeça. Sempre venenoso nas diagonais, somou inúmeras jogadas de perigo e, tivesse outro acerto na finalização, poderia ter sido considerado o MVP da partida. O jogador do Leipzig acumulou seis remates, expected goals (xG) de 0,6, uma ocasião flagrante criada (e uma desperdiçada), quatro passes valiosos (entregas certas a menos de 25 metros da baliza adversária) e cinco acções com a bola dentro da área contrária.
  • Sergi Roberto 6.4 – Sempre seguro a defender, mostrou-se no ataque na melhor fase da Espanha, com dois passes para finalização, quatro progressivos certos e 100 acções com o esférico ao longo dos 90 minutos em que actuou.
  • João Cancelo 6.2 – Mesmo na fase de maior ascendente do adversário, nunca se escondeu e foi dos elementos lusos mais consistentes, terminando o duelo como lateral-esquerdo. Dos seus números, destacamos dois cruzamentos feitos, cinco passes progressivos correctos, seis recuperações de posse e seis acções defensivas – três desarmes e outras tantas intercepções.
  • Rúben Neves 6.0 – Quase perfeito no passe (três falhados em 33 tentados – 91%), foi crescendo de produção com a passagem dos minutos, teve ainda cinco recuperações de posse, três desarmes e duas faltas sofridas.
  • Adama Traoré 5.6 – Esteve apenas meia-hora em campo, mas sempre ligado à corrente, causando calafrios em todas as vezes que tocava na bola. Contabilizou um remate, uma ocasião flagrante criada, quatro acções com bola dentro da área de Portugal e foi quem mais driblou – três com êxito e seis tentados. 
  • Diogo Jota 5.6 – Com o moral nos píncaros, precisou de apenas 13 minutos e seis acções com a bola para quase marcar um golo já na fase de descontos.
  • Pepe 5.6 – Jogo especial para o defesa-central de 37 anos, que esta quarta-feira tornou-se no quinto jogador com mais internacionalizações com as cores nacionais, e o defesa com mais jogos. São já 111 e promete não ficar por aqui.
  • Rúben Semedo 5.0 – No primeiro jogo ao serviço da selecção principal, foi titular e acusou a pressão – três perdas de bola. Contudo, a “performance” foi melhorando com o acumular dos minutos. Foi o autor de dois remates, falhou apenas dois dos 44 passes efectuados, e venceu os dois duelos aéreos ofensivos que protagonizou.

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