Portugal | Porquê ratings tão baixos GoalPoint?

O resultado de Portugal frente à Croácia trouxe alegria... e (relativa) incompreensão para com os baixos GoalPoint Ratings do jogo. Ajudamos a perceber.

O apito final do Croácia – Portugal trouxe a “explosão” de alegria, também da nossa parte. Presamos a nossa objectividade mas caramba… a Selecção está no quartos.

A emoção

No que toca ao trabalho, e em específico aos GoalPoint Ratings a conversa é outra. A emoção futebolística tem destas coisas. Se até aos 110 minutos as redes sociais fervilhavam de desalento perante o futebol “chato” praticado por Portugal e Croácia, à mistura com as infelizmente habituais discussões que decorrem da “encefaloclubite” galopante nacional o golo de Quaresma tudo mudou.

De repente o desempenho “guerreiro” dos últimos minutos limpava a memória dos adeptos felizes e tudo terminava com contornos… épicos. E essas memórias não eram compatíveis com ratings tão baixos como aqueles que o GoalPoint publicou. Para nós a polémica é sempre uma ocasião para a pedagogia.

Perceber o que escapa à vista

Sucede que os nossos ratings traduzem tudo o que se passou durante os 120 minutos de futebol jogados em Lens e não apenas naqueles momentos em que estivemos melhores (ou menos “mal”, dependendo do conceito de bom futebol de cada um) ou nos derreirados instantes de resistência ao assalto croata.

Nada como ilustrar o porquê das coisas, tal como já fizemos em textos anteriores. Antes de os abordarmos referimos o caso especial: Rui Patrício. O guarda-redes de Portugal somou um rating baixo. Com poucas solicitações, o guardião acabou por ser penalizado por dois lances “estatísticos”. O primeiro uma a saída/tropeção em falso, registada pela Opta e contabilizada pelo nosso algoritmo. O segundo a “defesa” que a Opta não considerou. Sendo verdade que a bola embate primeiro no poste Rui Patrício toca-a embora seja difícil perceber se, quando o faz, a bola se encaminhava ou não para o fundo das redes. A Opta decidiu que não. E o GoalPoint Ratings calcula em conformidade.

Três exemplos

Para muitos adeptos e até comentadores Pepe foi o melhor em campo de Portugal. Eis os seus números estatísticos no jogo de ontem.

GoalPoint | O desempenho de Pepe frente à Croácia
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Em primeiro lugar é preciso ter em conta que o desempenho de Pepe evoluiu um crescendo, ao longo do jogo, com particular incidência no prolongamento. Em boa parte dos 90 minutos regulamentares Pepe rivalizava pelo título de jogador português que mais passes falhava, o que num central se torna assinalável, pela negativa.

Os seus números melhoraram mas a eficácia de passe e o número de perdas de posse são elucidativos do que referimos. Jogo negativo? Nada disso até porque o central somou bastantes acções defensivas e numa fase importante do jogo. Mas longe de se poder considerar uma exibição de topo para o nível de Pepe tendo em conta… os 120 minutos de jogo.

GoalPoint | O desempenho de Adrien frente à Croácia
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Adrien foi um dos pontos de maior discussão nas redes sociais. Quando o GoalPoint anunciou que o médio leonino (que integrou o nosso XI do ano Liga NOS pelos mesmíssimos critérios que agora aplicamos) havia batido o recorde negativo de duelos perdidos a discussão aumentou. A verdade é que o médio foi importante sobretudo pela sua capacidade defensiva mas menos feliz no frente-a-frente com os adversários e bem menos visível do que o habitual no plano ofensivo.

Aliás tal como Pepe também Adrien oscilou durante o jogo: ao intervalo era  único jogador “luso” com 100% de eficácia de passe no meio-campo adversário. A segunda parte e o período de prolongamento que jogou mostrariam um rendimento em queda.

GoalPoint | O desempenho de Renato Sanches frente à Croácia
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Renato foi eleito pela UEFA (pelos seguidores da UEFA, é preciso esclarecer) o melhor em campo. O dinamismo que o jovem médio traz ao meio-campo “luso” transcende por vezes a estatística e ontem foi um bom exemplo disso. Renato não registou um rating excepcional mas as três faltas que sofreu (e quando as sofreu) e a sua eficácia no drible acabaram por ser fundamentais para Portugal mas ainda assim… longe de garantirem um Rating dedicado às grandes exibições.

Conclusão: como sempre afirmamos a estatística não explica tudo mas como adepto do futebol, coloque de parte a alegria (que também sentimos) de ver Portugal nos quartos E faça o seu próprio “exame”: assistiu ontem a um bom jogo de futebol? Que avaliação faria dos jogadores adversários caso os papéis da partida estivessem invertidos?

Após esta reflexão e tendo em conta que os números não são tudo… os GoalPoint Ratings não irão parecer-lhe tão estranhos.