Pré-Temporada: FC Porto com planeamento “vencedor”

Analisámos a estruturação das pré-temporadas dos “grandes” e respectivo desempenho, procurando sinais do que poderão render no arranque da época 2014/15.

 

Os "três grandes" apostarem em pré-temporadas diferentes em quase tudo, obtendo também resultados distintos (infografia: GoalPoint)
Os “três grandes” apostarem em pré-temporadas diferentes em quase tudo, obtendo também resultados distintos (infografia: GoalPoint)

A pré-temporada já terminou e aproxima-se o arranque da Liga 2014/15. Apesar de Benfica, Porto e Sporting se apresentarem como candidatos aos mesmos objectivos (luta pelos títulos internos e uma campanha “rentável” na Champions League), a verdade é que cada um apostou numa planificação de jogos de preparação distinta, variando no número de jogos disputados, grau de dificuldade dos opositores e distribuição dos mesmos. Os resultados são também eles distintos. Passamos a analisar a pré-temporada de cada um dos três crónicos candidatos, atribuindo a cada adversário um grau de dificuldade numa escala de 1 a 5, baseada na dimensão, resultados obtidos na época anterior e proveniência, bem como aplicando a “regra dos três pontos” de modo a melhor avaliar o desempenho das equipas.

Benfica: uma programação pensada para outra realidade

 

(foto: J. Trindade)
(foto: J. Trindade)

Nesta altura muitos são os dados que indicam que os “encarnados” não previram, no momento de planificar a pré-temporada, o que sucedeu no último mês e meio (BES?). As “águias” apostaram claramente numa pré-temporada de grau de dificuldade considerável (3,6), com apenas um adversário de grau de dificuldade realmente acessível (o já habitual Sion) e colocando-se como a única equipa que, no nosso entender, enfrentou um adversário de grau máximo de dificuldade, o Arsenal de Wenger. Fruto das opções tomadas não existe propriamente uma lógica de evolução progressiva do grau de dificuldade dos jogos das “águias”, embora o emblema suíço, defrontado ao quinto de oito jogos realizados, surja como uma estranha excepção (sobretudo pelo timing).

Os resultados obtidos pelos homens da Luz são outro indicador de que esperavam um mercado menos atribulado, entre saídas e lesões: o Benfica não atinge sequer a média de um ponto por jogo e registou apenas duas vitórias, precisamente nos jogos de menor dificuldade, sofrendo 1,8 golos por jogo e marcando apenas 0,8 tentos por partida.

A conquista da Supertaça 2013/14 foi certamente um tónico importante para os “encarnados” mas assumir que a mesma corresponde ao ultrapassar por completo das dificuldades demonstradas pelos campeões nacionais poderá ser uma conclusão mais optimista do que racional.

pretemporada2014SLB
Legenda: GD – grau de dificuldade (0 a 5); GM – Golos marcados; GS – Golos sofridos; Pontos – atribuição fictícia do sistema de pontuação “3,1,0”