Três são os clubes ingleses que entregaram os destinos das suas equipas principais a treinadores portugueses. Portugal é mesmo o terceiro país, atrás de Inglaterra e Espanha (que emprestam quatro cada), com mais técnicos à frente de emblemas da Premier League. José Mourinho, Marco Silva e Nuno Espírito Santo não têm tarefa fácil naquela que é considerada, por muitos, a mais competitiva Liga do Mundo.

Oito jornadas já foram disputadas na EPL 2018/19, pelo que já dá para auscultar o bater do “coração” luso em Inglaterra, e de que forma Manchester United, Everton e Wolverhampton arrancaram as suas participações na prova. Num olhar mais directo para o desempenho dos três emblemas não deixa de causar surpresa pelo facto de o “todo poderoso” United de Mourinho ocupar um nada famoso oitavo lugar, atrás do recém-promovido Wolves, de NES. Marco Silva, esse, começou de forma tímida, mas vai subindo lugares na classificação e começa a gerar optimismo entre os seus adeptos.  O destaque acaba por centrar-se sobretudo em Nuno, que acaba de ser eleito treinador do mês de Setembro na Liga inglesa.

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Nuno Espírito Santo e a sua “armada lusitana” surpreendem pela positiva em diversos vectores, tendo mesmo arrecadado para si 62,5% dos pontos em disputa, fruto de quatro triunfos e apenas uma derrota. O sétimo lugar que ocupa, logo à frente do United, não acontece por acaso e muito do sucesso da equipa nesta fase inicial da temporada assenta na consistência defensiva que vem apresentando. Dos três clubes orientados por lusos, o Wolves é o que sofreu menos golos, seis, menos de metade dos consentidos por United e exactamente metade dos permitidos pelo Everton – compensando assim o menor poder de fogo no ataque. Tudo isto com um plantel de valor bem inferior aos outros dois emblemas. Razões para tal?

VariáveisEvertonWolvesMan. Utd
Perdas de posse153,9143,5151,3
Bloqueios de remate2,23,41,9
Bloqueios de passe8,48,87,6
Defesas2,33,63,1
% Remates enquad. defendidos61%83%64%
% Remates enquad. na área defend.43%76%52%
% Remates enquad. fora da a área defend.92%93%92%
% Defesas nos ângulos39%55%48%
Remates permitidos (área)6,05,46,0
Remates permitidos (fora da área)4,56,44,5

Fonte: GoalPoint/Opta

Como referimos anteriormente, a consistência defensiva tem sido uma das principais armas do Wolverhampton, sendo que não sofreu golos em metade das jornadas disputadas. Olhando para alguns números importantes das carreiras das três equipas, na tabela acima, é fácil de identificar alguns dos pontos fortes da equipa de NES. Dos três conjuntos, o Wolves é o que apresenta menos perdas de posse por 90 minutos, é o que realiza mais bloqueios de remate e de passe e é o que menos remates permite na sua grande área, obrigando os adversários a tentarem o remate de longe (6,4 por 90m), perante a ausência de espaços na retaguarda.

Contudo, Nuno Espírito Santo e o Wolves têm contado com um elemento verdadeiramente crucial neste arranque de temporada: Rui Patrício. O internacional português tem estado em grande destaque e, no confronto particular com David de Gea e John Pickford, os seus números dão razão a quem considera a sua contratação como uma das mais acertadas da temporada inglesa. Patrício ganha aos outros dois guarda-redes no número de defesas por 90 minutos, na percentagem de remates enquadrados defendidos (impressionantes 83%, 76% deles de disparos na sua grande área, 93% de fora) e ainda foi buscar, até ao momento, 55% dos remates com direcção aos ângulos superiores da sua baliza.

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O resumo estatístico do melhor desempenho de Rui Patrício na Premier League até ao momento (clique para ampliar)

 

Caso os números defensivos colectivos do Wolverhampton e os individuais de Rui Patrício mantenham esta tendência, poderemos estar perante uma verdadeira surpresa na Premier League 2018/19. Quanto a Marco Silva, necessita de consolidar as boas prestações das últimas rondas, enquanto Mourinho terá de retirar o melhor potencial do seu plantel avaliado em 835 milhões de euros. Até lá, os holofotes estão nos “Lobos”.