Preocupante unanimidade

Fernando Santos promoveu alguns regressos polémicos à selecção (foto: Jason Bagley)
Fernando Santos promoveu alguns regressos polémicos à selecção (foto: Jason Bagley)

Fui, por norma, um crítico de Paulo Bento. Das suas atitudes, da forma de a equipa jogar e, essencialmente, dos conflitos que, para os mais atentos, eram uma questão de tempo depois da passagem pelo Sporting.

Bento passou à história e Fernando Santos assumiu-se como um treinador bem visto pela opinião pública. E isso, nos dias que correm, em que a imagem vale mais do que quase tudo, é meio caminho andado para a tolerância. Não se pense que ponho em causa a competência de Fernando Santos, um treinador com méritos mas que, valha a verdade, não pode ser visto como um ganhador, porque, na realidade, nunca o foi – e talvez já não esteja a tempo de o ser.

A convocatória, a primeira, confesso que me surpreendeu por dois nomes. Ricardo Carvalho volta a ser chamado aos 36 anos. O momento é que conta, mas depois do que se passou e da idade do central do Mónaco terá muita lógica este regresso? Não me parece. E chamar Ricardo Carvalho é passar uma borracha por algo que não pode, nem deve, ser esquecido – neste particular a Federação tem culpas, o seleccionador não.

Depois Quaresma. Percebem-se as ausências de João Pereira e Miguel Veloso, pois não jogam com assiduidade nos seus clubes – o lateral não joga de todo – mas o extremo do FC Porto tem a regularidade suficiente que se enquadre nos limites de utilização de Fernando Santos? E quais são esses limites? Era interessante ter noção dessas fronteiras.

Chamar os dois Ricardos vai de encontro aos desejos da opinião pública e ajuda a ganhar tempo, mas irá de encontro aos reais interesses da selecção? Não me parece e, neste caso, esta unanimidade tem mais de preocupante do que saudável.

Mas devo ser claro e aplaudir a abertura a jogadores sem história na equipa das quinas e que por aquilo que vêm fazendo já mereciam mostrar-se ao seleccionador – seja ele quem for. Falo, obviamente, de Ivo Pinto e, principalmente, de José Fonte. Este é apenas o capitão e patrão da formação menos batida da Premier League. Que não é o Chelsea, nem o Manchester United, nem o Manchester City, nem o Arsenal. É o Southampton…