Preponderância Ofensiva ou “passa a bola ao craque” 🔑

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O que têm em comum Lionel Messi, Eden Hazard, Diego Farias e Goran Pandev? Todos eles jogaram mais de 1200 minutos nos respectivos campeonatos e são os jogadores mais influentes das suas equipas no último terço. Mas não fiquemos por aí. Cada um deles tem uma preponderância ofensiva nas respectivas equipas de 31%! Ou seja, no Barcelona, no Chelsea, no Cagliari e no Génova não existem dúvidas quanto a quem é o “dono da bola” quando é preciso fazer acontecer.

Arnautovic (30%), Salah ou Neymar (29%) são outros dos nomes que se apresentam como figuras tutelares neste território. Nas respectivas equipas, o seu percentual de acções nas proximidades da área, em situações de bola corrida, tornam-nos jogadores à volta dos quais se foram criando as dinâmicas ofensivas. Tendo isto em conta, e porque decidir sobre a influência de um jogador a partir dos golos e das assistências não nos conta a história toda, olhamos para as equipas da Liga NOS à procura dos craques que têm maior preponderância em cada uma delas.

Mas o que é isto da Preponderância Ofensiva?

Com a Análise de Preponderância Ofensiva procuramos aqui encontrar quais são os jogadores que, em campo, têm maior peso nas acções ofensivas de cada equipa. Esta definição permite-nos ter uma ideia de quais são os jogadores que mais vezes têm acções positivas no momento ofensivo, procurando a influência para lá da bola que entra ou não na baliza.

GoalPoint-Russell-WestbrookO conceito inspira-se no Usage Rate popularizado no basquetebol da NBA, que faz uma estimativa sobre o número de jogadas de uma determinada equipa que são finalizadas por um determinado jogador. Russell Westbrook e Lebron James são os “reis” desta estatística. A transposição para o futebol foi ensaiada por Martin Hawkes-Teeter, mas na GoalPoint procurámos refinar o seu trabalho, buscando uma maior preocupação com as acções positivas de cada jogador e deixando de fora o factor utilização.

Deste modo, a fórmula final é a média ponderada do peso relativo de cada jogador em três parâmetros: remates enquadrados, passes para finalização e dribles eficazes no último terço, por esta ordem. Para chegarmos à contabilidade final utilizamos apenas situações em bola corrida, com os dados agrupados por 90 minutos.

O meu nome é Nakajima e essa bola é minha

O japonês que está a reescrever o destino da sua carreira em Portugal, Shoya Nakajima, é o jogador que se destaca na Análise de Preponderância Ofensiva na Liga NOS. Com um peso médio de 25% nas acções ofensivas do Portimonense, mostra bem como a equipa algarvia está dependente da sua capacidade, o que vai ajudando a explicar a subida no preço de mercado que foi exigido quando bateram à porta do clube no passado mercado de Janeiro.

GoalPoint-Nakajima-PortimonenseOs outros dois jogadores que conjugam os 25% de peso médio na preponderância ofensiva das respectivas equipas são o avançado Rodrigo Pinho, que num Marítimo que é a segunda equipa que menos remata acaba por ser uma espécie de luz ao fundo do túnel, e o fantasista Matheus Pereira, emprestado pelo Sporting ao Desportivo de Chaves, confirmando a sua tendência de desequilibrador e a sua evolução enquanto jogador de um nível mais alto do que aquele que a equipa transmontana representa.

Um dos resultados curiosos desta análise está na equipa do Boavista. O internacional angolano Mateus é o jogador que apresenta um peso médio mais elevado na competição, 27%, número que pode ser só levemente influenciado pela sua utilização (1120 minutos em campo, a menos de 90 do limite apontado). Com menos minutos, mas também com pesos médios muito elevados (26%), Cristian Arango do Desportivo das Aves e Victor Andrade do Estoril Praia são outros dois nomes a ter em conta. Enquanto o brasileiro chegou mais tarde ao clube, mas já se integrou, o colombiano emprestado pelo Benfica apresenta números que gritam e exigem a titularidade no conjunto de Vila das Aves.

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RE: Remates enquadrados; PPF: Passes para finalização; DUT: Dribles no último terço
Pesos médios baseados em dados da Liga NOS (Fonte: GoalPoint/Opta)

Ainda a merecerem destaque, os 24% de Tozé (Moreirense) e João Amaral (Vitória de Setúbal), os 22% de Tomané (Tondela) e os 21% Francisco Geraldes (Rio Ave), numa análise que deixa de fora os jogadores que trocaram de equipa no mercado de Janeiro, não contabilizando, assim, nomes como Rúben Ribeiro ou Paulinho.

Os craques dos grandes

Aplicando a nossa análise nos três grandes, o Benfica é a equipa que apresenta um jogador com maior peso médio nas suas acções ofensivas, nome que não é difícil de adivinhar: Jonas. O brasileiro apresenta uma preponderância ofensiva de 23%, muito contribuindo para esse facto ser o autor de 33% dos remates enquadrados da equipa da Luz. Salvio, com um peso médio de 20%, é o segundo jogador com maior percentagem de remates enquadrados, apresentando ainda 30% dos dribles eficazes da equipa do Benfica no último terço.

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RE: Remates enquadrados; PPF: Passes para finalização; DUT: Dribles no último terço
Pesos médios baseados em dados da Liga NOS (Fonte: GoalPoint/Opta)

No caso do FC Porto é Yacine Brahimi o homem mais preponderante, não escapando ao facto de ser um dos dribladores mais eficazes da Europa. O argelino tem um peso médio de 21% na equipa “azul-e-branca”, sendo o autor de 46% dos dribles eficazes no último terço. Moussa Marega e Vicent Aboubakar, maiores contribuintes no capítulo dos remates enquadrados, apresentam um peso médio de “apenas” 17% e 16%.

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RE: Remates enquadrados; PPF: Passes para finalização; DUT: Dribles no último terço
Pesos médios baseados em dados da Liga NOS (Fonte: GoalPoint/Opta)

Dos “três grandes”, o Sporting é a equipa que apresenta maior equilíbrio entre as suas armas ofensivas. Bruno Fernandes é o mais preponderante (19%), por representar uma distribuição mais equilibrada nos dados analisados, seguido de dois elementos com um peso médio de 16%, Bas Dost, mais presente no capítulo dos remates enquadrados, e Gelson Martins, com maior influência no número de dribles eficazes no último terço.

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RE: Remates enquadrados; PPF: Passes para finalização; DUT: Dribles no último terço
Pesos médios baseados em dados da Liga NOS (Fonte: GoalPoint/Opta)

Defesas e guarda-redes com preponderância ofensiva

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Ainda que tenha apenas 827 minutos de utilização, o colombiano Héctor Quiñones, do Paços de Ferreira, é o segundo defesa com maior peso médio (16%) na Análise de Preponderância Ofensiva realizada na Liga NOS e nas cinco maiores Ligas europeias, a apenas um por cento do alemão Lukas Klunter, jovem lateral-direito do Colónia.

O defesa da Liga NOS com melhor percentagem e mais de 1200 minutos de utilização também é do Paços de Ferreira, o que dirá algo da forma de jogar do conjunto pacense, Bruno dos Santos, com 10% das acções, ainda que Yuri Ribeiro, do Rio Ave, a apenas 30 minutos do limite de tempo, apresenta um peso médio de 12%. Florent Hanin (Belenenses), Djavan (Desportivo Chaves) e Luís Rocha (Feirense) são outros jogadores a merecer destaque, com um peso médio de 9%.

Apenas 11 guarda-redes aparecem com números positivos nesta análise, o que não é de espantar, tendo em conta que estamos a falar de situações de bola corrida no último terço ofensivo. Curiosamente, quatro deles actuam em Portugal, tornando a Liga NOS a prova onde mais guarda-redes apresentam dados de preponderância ofensiva. Quim e Adriano Facchini, do Desportivo das Aves, Cristiano, do Vitória de Setúbal, e Vágner, do Boavista, já todos completaram passes para finalização. A estrela deste conjunto de guarda-redes é, no entanto, o italiano Alberto Brignoli, que para além de ter realizado 3% dos remates enquadrados do Benevento, até já marcou um golo.

Luis Cristóvão
Luis Cristóvãohttps://luiscristovao.com/
Luís Cristóvão, autor do podcast Linha Lateral e comentador no Eurosport Portugal.
GoalPoint

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