“UUUISH”, “WOOOW”, “GANDA GOLO”, “GOLAÇO”, etc. São várias as formas que temos para reagir a um grande golo, mas o sentimento de regozijo que eles nos despertam é universal. Não é só por eles que vemos um jogo de futebol, mas é também por eles que determinados jogos nos ficam na memória mais facilmente.

Mas o que é um “grande golo”? Diferentes pessoas darão diferentes respostas e estamos longe de querer acabar com discussões que nos permitam ver e rever os mais belos remates, fintas ou jogadas. No entanto, pusemo-nos a pensar se não poderíamos também contribuir para o debate. A verdade é que temos hoje dados suficientes que nos permitem caracterizar cada golo a um nível de detalhe significativo.

Com os “expected goals” (xG), podemos atribuir a cada remate uma probabilidade de ser convertido em golo de acordo com factores como localização, parte do corpo com que é feito, se foi ou não de primeira, quantos adversários se encontravam entre a bola e a baliza e quão perto da bola estavam, etc, mas dispomos ainda da probabilidade de cada remate ser convertido em golo de acordo com a sua colocação“expected goals on target” (xGOT). Neste caso, se um remate for desenquadrado essa probabilidade é zero, mas se for à baliza são tidas em conta as coordenadas da zona da baliza para onde foi feito o remate, e também o posicionamento do guarda-redes. Podemos dizer que, por norma, quanto mais baixo for o xG e mais alto for o xGOT. Veja-se por exemplo este golo de Dyego Sousa na época passada.

Não só a execução era muito difícil tendo em conta o ângulo (xG=0,05), como a colocação do remate foi praticamente perfeita (xGOT=0,86), o que denota um golo de execução bastante complicada.

Mas claro, há outros factores que contribuem para um golo merecedor de “Prémio Puskas”, para além da eficácia da sua execução. A beleza é um conceito muito subjectivo, até quando falamos de futebol, mas há características de um belo golo às quais não podemos fugir. O que fizemos foi pegar em algumas delas e atribuir pontos extra quando se verificam, assim como retirar pontos quando se verificam outras. Remates em vólei, em arco ou de trivela, disparos fortes, que batem na trave antes de entrar ou que vão “mesmo ao cantinho”, assim como remates que se sucedem a dribles, são “vitaminados”, enquanto em sentido oposto, aqueles que sofrem desvios, são tocados pelo guarda-redes ou resultam de remates fracos serão prejudicados no ranking.

O vólei de Óliver Torres em Tondela foi um dos que cumpriu um maior número destas condições na época passada.

A qualidade e beleza da finalização contribuem e muito para o que consideramos um “golaço”, mas nós resolvemos ir mais além e valorizar também a complexidade da jogada. Nesse sentido, para cada golo calculámos várias dinâmicas acerca da jogada que o antecedeu, desde o número de passes aos metros que a bola progrediu no terreno após ser recuperada, passando pelo número de jogadores envolvidos na jogada, o números de dribles e de passes de ruptura.

A título de exemplo, esta jogada do golo de Galeno na época passada começou num passe de Léo Jardim para o central de Buatu e envolveu dez passes, seis jogadores diferentes, um drible e um passe de ruptura.

O que nos propomos é juntar tudo isto e criar um ranking de “golaços” para a Liga NOS 19/20. A nossa opinião acaba nos critérios que escolhemos. A partir daí, uma fórmula matemática escolherá os melhores golos, mas contamos consigo para embirrar connosco ao longo da época.

Pode encontrar aqui o “Puskas Ranking” actualizado, jornada a jornada.