Champions | Que “leão” para travar o colosso? 🤔

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A partir do momento em que se ficou a conhecer o resultado do sorteio da fase de grupos da Liga dos Campeões, os responsáveis e adeptos leoninos souberam que tinham pela frente um grupo complicado e que, ou apostavam numa ou duas surpresas contra Juventus e Barcelona, ou teriam de apontar à Liga Europa, batendo o Olympiacos naquilo que mais parece uma eliminatória a duas mãos.

Pois bem, um forte primeiro passo já foi dado, com o ultrapassar do campeão grego no Olimpo, e agora chegou o momento de tentar travar Lionel Messi e companhia. Quais são, então, as diferentes abordagens possíveis – tanto a nível individual como estrutural – que Jorge Jesus poderá conjugar para esta partida, com a ideia de surpreender o gigante espanhol?

Um Barça de regresso às origens

Podemos estar ainda no início de temporada, o que torna a amostra que temos um pouco reduzida, mas a verdade é que Ernesto Valverde parece ter – à sua maneira – restaurado no Barça um estilo mais próximo daquele a que associamos a formação da Catalunha. Enquanto adicionou elementos claramente fora do comum para a equipa, incluindo algumas contratações, a simples decisão de colocar Messi numa posição central aproximou o trio Messi-Iniesta-Busquets, e esse facto trouxe, por arrastamento, um domínio natural.

Neste momento o Barça tem uma média de 602 passes curtos por jogo e uma percentagem de eficácia de passe de 89%. Estes números não só são muito superiores aos dos seus adversários – Real tem 511 neste momento -, mas também significativamente mais elevados que os da época passada (567 passes curtos por jogo, 86,7%), e até ligeiramente superiores a uma das épocas de Pep. Mesmo no meio-campo adversário, onde os “blaugrana” pretendem estar a maior parte do tempo, a eficácia de passe continua elevada, nos 84%!

Apesar de o Sporting jogar no seu terreno, será muito provável que seja o Barcelona a assumir o jogo. Com que plano entrará em campo o Sporting de Jorge Jesus, num jogo em que passará muito tempo no seu meio-campo?

Bas Dost ou Doumbia?

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Médias por cada 90 minutos jogados (Liga NOS 17/18 + Champions League 17/18)
Fonte: GoalPoint / Opta

 

A primeira dúvida passará pela frente de ataque. Doumbia tem sido a escolha para o lugar em jogos europeus, enquanto Bas Dost é o matador “caseiro”. A opção pode parecer óbvia, especialmente depois de ver o costa-marfinense ser crucial nos contra-ataques em Atenas, mas há argumentos a favor de Dost. O holandês venceu 56% dos duelos aéreos ofensivos que disputou esta temporada, número que equilibra bastante com os duelos aéreos defensivos ganhos por Busquets (61%) e Piqué (57%). Sabendo da preferência que ambos têm de manter a bola junto ao terreno de jogo, um plano focado em incitar os tais duelos entre o avançado leonino e o sector central mais recuado do Barcelona poderá dar frutos, sobretudo se for alguém como William Carvalho a municiar os passes para tal, visto que o internacional português foi o segundo jogador da Liga NOS 16/17 com mais passes longos certeiros.

A parceria Dost-Doumbia parece claramente ser só para momentos de “desespero”, logo será um terceiro jogador a ocupar a posição de segundo avançado. Alan Ruiz parece estar fora das opções: sendo alguém muito mais adaptado a um jogo de posse e ataque continuado do que a tirar vantagem de transições rápidas. Se já é o jogador com mais situações de mau controlo de bola por jogo do plantel (2,9 p/90m), é difícil imaginá-lo com pouquíssimo tempo e espaço para controlar e tomar decisões neste jogo. Bruno Fernandes será a opção mais óbvia – mais um terceiro médio do que um segundo atacante – até porque o português irá ajudar mais defensivamente que qualquer outra opção para o lugar.

Tendo isso em conta, Podence é candidato a surpresa. O “baixinho”, com a sua velocidade e capacidade de drible, poderá ser mais uma arma para contra-atacar. Voltando à hipótese anterior, caso jogasse Dost, combiná-lo com Podence não só parece acertado devido ao aproveitamento que este pode dar às bolas ganhas no ar pelo colega, como a equipa não perderia a velocidade que tem com Doumbia. Oferecendo ainda mais capacidade de drible que o costa-marfinense, Jesus poderia aqui ter uma hipótese a combinar o “melhor dos dois mundos”.

> Na próxima página: O regresso dos três “centrais”?

Tiago Estêvão
Tiago Estêvão
Performance Analyst na GoalPoint, já colaborou com a Statsbomb e WhoScored, entre outros.
GoalPoint

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