Quem chega em melhor forma ao EURO? A big data responde ☑️

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O EURO 2020 arranca já esta sexta-feira, mas até lá as selecções preparam o certame com a realização de diversos jogos amigáveis, para afinar as máquinas colectivas e a forma das suas estrelas. Por falar em craques, é habitual que em cada edição de uma grande competição surjam alguns jogadores em grande forma, capazes de decidir um troféu ou, pelo menos, deixar uma marca forte.

Nesta perspectiva, olhámos para as principais Ligas europeias e para o que cada jogador fez nos derradeiros meses de competição, em Abril e Maio, para detectar quais os jogadores que melhor forma (estatística) demonstraram na fase final da temporada (Abril e Maio), reflectida nos GoalPoint Ratings parciais acumulados. Limitámos a nossa análise a jogadores com pelo menos 450 minutos de utilização… com uma excepção, totalmente justificada, que fica para o fim desta análise.

Um ucraniano extraordinário

Portugal sabe bem da capacidade da Ucrânia, que venceu o grupo da turma das “quinas” (o B), com mais três pontos que os campeões da Europa. Vários são os jogadores de grande qualidade na formação orientada por Andriy Shevchenko, mas há um que espantou a Serie A italiana, ao serviço da Atalanta. O médio-ofensivo Ruslan Malinovskyi não só terminou com o melhor rating da Liga italiana – entre jogadores com pelo menos 1710 minutos -, um extraordinário 7.33, como completou os dois últimos meses em grande.

O rating de 8.17 em dez jogos é coisa “Messiana”, mas Ruslan não se conteve e, neste período, fez cinco golos e oito assistências pelo “rolo compressor” de Bérgamo, acumulando também excelentes “absolutos”, como 20 remates de bola corrida, 22 passes para finalização de bola corrida ou 66 passes ofensivos valiosos. Na jornada 33, disputada a 25 de Abril, Malinovskyi “libertou-se” e arrasou o Bolonha, com uma exibição a roçar a perfeição. Será um dos nomes a ter em conta e a seguir com atenção neste Euro, no Grupo C, o mesmo dos Países Baixos.

[ As oito assistências de Malinovskyi  em Abril/Maio ]

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Se a França já era um problema…

No subtítulo íamos escrever “cuidado com a França”, mas de redundâncias está o Mundo cheio. Nesta recta final de temporada houve dois franceses numa forma tremenda. E se de um já se espera o melhor, o outro promete ser uma espécie de “joker” para Didier Deschamps ao longo do torneio.

[ Pelo bigode até podia ser “tuga”, mas Yedder juntou-se a Mbappé como franceses prontos a dar-nos dores de cabeça em breve ]

Wissam Ben Yedder foi um dos responsáveis pela grande época do Monaco, que lutou quase até ao fim pelo título – viria a cair para o lado do Lille. O extremo/médio-ofensivo fez 20 golos e sete assistências nesta Ligue 1, e em Abril/Maio esteve em oito jogos dos monegascos no campeonato, somando sete tentos e três assistências. A sua mobilidade e capacidade para surgir nos espaços vazios em velocidade poderá ter um efeito devastador neste Euro, apesar de, previsivelmente, ser segunda opção, atrás de nomes como Karim Benzema, Antoine Griezmann e Kyliam Mbappé.

A estrela do Paris Saint-Germain, Mbappé, fez sete golos e uma assistência em apenas sete partidas neste período, com um brilhante registo de 27 remates de bola corrida e 42 tentativas de drible. Apesar de ter realizado uma recta final de campeonato em crescendo, não foi o suficiente para ajudar os parisienses a reconquistarem o titulo.

Dependência de Depay?

A Holanda, ou Países Baixos, como é agora a sua designação oficial, está de regresso aos grandes palcos e há poucas dúvidas quanto a quem é a grande figura da equipa, pelo menos em quem são depositadas as esperanças ofensivas. Memphis Depay pode não ter vingado no Manchester United, mas em França, ao serviço do Lyon, tem “partido tudo”, ao ponto de ser apontado como estando próximo de reforçar o Barcelona.

Abril e Maio foram meses de grande produtividade para o neerlandês, autor de seis golos e três assistências em sete jogos. Jogador de remate fácil (27 disparos nestes 614 minutos), é difícil de parar (18 dribles completos) e é um pesadelo para as defesas contrárias. Que o diga o Angers, equipa que encaixou dois golos do atacante, que ainda fez quatro passes para finalização e terminou esse jogo, a 11 de Abril, com um rating de 8.6. Se der continuidade a esta boa forma no Euro, vai ser um caso sério.

Ligue 1: uma espécie de poção mágica

A Liga francesa, está visto, é a principal fonte de jogadores no topo da forma, nesta fase da época. Neste Top 10 surgem mais dois e há outros com grandes desempenhos que ficaram de fora das escolhas dos seus seleccionadores, mas que certamente teriam um impacto forte na prova.

O campeão francês foi o Lille, e muito pode agradecer a um turco. Burak Yilmaz havia feito a sua carreira praticamente toda na Turquia, mas o Lille não quis saber desse pormenor e apostou no veterano. Os resultados estão à vista, com 16 golos marcados e cinco assistências. Em Abril/Maio atingiu um rating de 6.99, fruto de sete golos e uma assistência em oito jogos. Portanto, em praticamente dois meses fez quase metade de todos os tentos que conseguiu na Liga francesa, com destaque para o bis ao Lyon (statscard acima), e será certamente a grande figura de uma selecção turca que, na fase de qualificação, somou uma vitória e um empate contra a poderosa França.

Aleksandre Golovin é uma cara conhecida da selecção russa, de qualidade reconhecida, mas esta época excedeu-se no Monaco. O extremo/médio-ofensivo terminou a época em alta, com um golo e duas assistências em sete jogos, 12 remates, mas também uma entrega aos momentos defensivos, que lhe valeu 18 acções defensivas nos meios-campos contrários, e um rating nestes meses de que se pode orgulhar.

Mas antes de fecharmos este capítulo olhamos um jogador que ficou de fora das opções de Didier Deschamps. Dimitri Payet, o “vilão” que lesionou Cristiano Ronaldo na final de 2016, estará a pagar a factura dos seus 34 anos mas a verdade é que o criativo terminou a época em grande no Marselha, com três golos e incríveis seis assistências em somente oito jogos. Irá Deschamps arrepender-se de o ter deixado de fora?

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Maquinaria germano-polaca e um “proscrito”

A Bundesliga tem sido pródiga em dar-nos “máquinas” colectivas arrasadoras, talentos individuais que estilhaçam recordes e é, claramente, uma das mais fascinantes Ligas do futebol europeu. E para este Euro 2020 dá-nos um lote de craques extraordinários, dos quais destacamos dois, e com uma pequena “batota” pelo meio.

Os adjectivos começam a escassear para descrever a qualidade de Joshua Kimmich. Com Pep Guardiola foi mais vezes usado a lateral-direito no Bayern, com grande qualidade, diga-se, mas já se notava a sua propensão para jogar no meio-campo como poucos. Cérebro e principal engrenagem do eneacampeão alemão, foi o jogador com melhor rating da Bundesliga, um 7.21 que não deslustra o 7.05 que registou na recta final da temporada, a qualidade no passe e a amplitude de terreno que cobre.

A “batota” de que falámos prende-se com Robert Lewandowski. A nossa análise centrou-se em jogadores com pelo menos 450 minutos nesta fase, mas desculpamos o polaco (“só” 360 minutos), não só pela época inacreditável que fez, mas também porque esteve lesionado em Abril, numa Liga com menos quatro jornadas que as outras. Na verdade, não podíamos deixar de fora um jogador que marcou 41 golos num dos campeonatos de maior qualidade do continente, batendo o recorde de 49 anos de Gerd Müller. Em Abril/Maio, “Lewangoalski” fez seis golos e uma assistência em quatro jogos e será peça fundamental na equipa orientada pelo português Paulo Sousa.

[ A amarelo os seis golos de Lewandowski em Abril/Maio ]

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Não deixamos a Alemanha sem uma palavra para Marco Reus. O atacante do Dortmund viveu anos massacrado por lesões, mas terminou 2020/21 em grande pelo Dortmund, com cinco golos em oito jogos e um belo rating. Ainda assim, Joachim Löw deixou-o de fora. Lá ver se não se arrepende (para nós, portugueses, era bom sinal).

Nápoles talismã para Espanha e Itália?

De Itália chegam dois jogadores do mesmo emblema, o Napoli, apesar de, no último jogo da época, ter empatado em casa e perdido o “comboio” da Champions. Mas a verdade é que os últimos meses foram muito positivos para os napolitanos, que apresentaram o melhor futebol de Itália, a par da Atalanta. Fabián Ruiz foi um dos esteios da equipa nos derradeiros 11 encontros, referentes a Abril e Maio, e chega ao Euro 2020 em grande forma, sendo uma das esperanças de Espanha para uma boa campanha.

Ainda que com um rating mais curto, Lorenzo Insigne deixou bem vincado o seu momento, com seis golos e três assistências no mesmo período, extraordinários 37 remates de bola corrida e 65% de eficácia nos 26 dribles tentados. Um jogador capaz de causar estragos desde a esquerda ou nas costas do avançado, numa “squadra azzurra” que fez 37 golos em dez jogos na fase de qualificação.

Felicidade de Thiago, desgosto de Alexander-Arnold

De Inglaterra o nosso destaque vai para dois jogadores do Liverpool, apesar da época atípica que os “reds” viveram, com muitas lesões e longos períodos de maus resultados. Porém, os comandados de Jürgen Klopp recuperaram na recta final, a tempo de terminar no terceiro lugar, e muito por culpa da subida de forma de um hispano-brasileiro.

A chegada de Thiago Alcântara aos então campeões ingleses foi muito falada, pela qualidade extra que o jogador ia emprestar a uma equipa que já era considerada, talvez, a melhor do mundo. Lesões e uma espécie de período de adaptação ao clube e à Premier League não permitiram ao ex-Bayern exibir-se ao melhor nível na primeira metade da época, Ainda assim terminou com um rating de 6.58 e, em Abril/Maio, chegou mesmo aos 7.01. Estupendo no passe, no posicionamento, no drible, nas acções defensivas, voltou a ser fundamental como o foi por todas as equipas onde passou. Destaque para a tremenda exibição na vitória em casa do West Bromwich, praticamente em todos os momentos do jogo (vide statscard acima).

O “desgosto” caiu em Trent Alexander-Arnold, o lateral-direito que seria, certamente, uma das estrelas de Inglaterra neste certame, mas que ficou de fora devido a lesão. Nada má a recta final de temporada, na qual fez um golo e quatro assistências, aliás, é um especialista nos passes para golo. Vai fazer falta aos “três leões”.

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