Na recepção do Benfica ao Rio Ave, a contar para a 21ª jornada da Liga NOS, Eduardo Salvio lesionou-se num joelho, estando desde então afastado dos relvados. Imediatamente, Rui Vitória recorreu a Rafa Silva para preencher a vaga deixada em aberto pelo extremo argentino. Muitos terão, certamente, torcido o nariz a esta aposta, perante o desempenho apenas residual do português esta temporada pelos “encarnados”. Porém, as exibições do atleta têm dado razão a quem acreditou que chegara a hora de apostar no jogador que custou 16 milhões de euros aos cofres benfiquistas.

Mas será esta a verdadeira cara de Rafa Silva? Estará o ex-Sp. Braga finalmente a confirmar predicados e a justificar o investimento, ainda que de forma relativamente tímida, ou serão apenas momentos esporádicos e sem sustentação? Esta é uma pergunta difícil de responder, sendo quase impossível prever o comportamento de um jogador face a eventuais momentos menos felizes, bem como a sua capacidade para reagir aos mesmos, mas podemos olhar para os números de Rafa nestas duas temporadas de águia ao peito e, até, partir a época de 2017/18 em dois “blocos”, o antes e o depois da lesão de Salvio, que abriu ao português as portas da titularidade.

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As diferenças em relação a 2016/17 começam a notar-se, embora não de forma significativa. O que salta à vista é o GoalPoint Rating de 6.08 da época em curso, superior ao 5.85 da anterior. Mas também o facto de Rafa registar já dois golos, os mesmos da temporada transacta, mas alcançados em apenas 727 minutos. Tentos que surgem aliados a algumas boas exibições e a variáveis em que o jogador mostra melhorias significativas. Esta época, Rafa regista mais remates (2,4 por 90m), uma maior eficácia de remates enquadrados dentro da grande área (53%), mais passes para finalização (2,0 por 90m), uma maior qualidade no drible (2,7 eficazes por 90m) e até, pasme-se, 70% de duelos aéreos ofensivos ganhos, para os 18% da época passada.

Estes são números que ajudaram Rafa a melhorar em relação a 2016/17. Contudo, o arranque de 2017/18 não foi famoso, tendo o internacional luso passado muitos jogos sem sair do banco, ou mesmo na bancada. Tudo parece ter mudado com a aposta forçada de Rui Vitória no jogador natural do Barreiro. Algo que se nota nos ratings verdadeiramente díspares entre os conseguidos da primeira à 21ª jornada (altura da lesão de Salvio), e da 22ª à 27ª, altura em que o jogador assumiu a titularidade. A primeira ideia que salta após observar o gráfico seguinte é a de que Rafa precisou de uma injecção de confiança e de continuidade no seu jogo. Confira por si próprio.

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A tendência é óbvia (e claramente ascendente). Rafa entrou para substituir Salvio ante o Rio Ave e, apesar de não ter realizado uma grande exibição, registou uma assistência. E a partir daqui a qualidade do futebol do extremo foi-se consolidando, com dois golos apontados e alguns ratings bem positivos. Mas para além dos golos que marcou, que estatísticas mostram a evolução de Rafa esta temporada, nestes dois “blocos” de jornadas?

Variável1 à 21J22 à 27J
Golos02
Assistências11
Remates p/ 90m1,82,7
% rem. enquadrados40%50%
% concretização0%14%
Ocasiões flagrantes criadas11
Ocasiões flagrantes falhadas35
Passes p/ finalização p/ 90m2,21,9
Cruzamentos p/ 90m1,41,9
% cruzamentos eficazes0%20%
% passes certos69%76%
Dribles eficazes p/ 90m1,83,2
% dribles eficazes31%53%
Dribles último terço p/ 90m2,24,5
% dribles efic. último terço33%54%
Maus controlos bola p/ 90m2,91,7
Desarms p/ 90m0,71,3
Intercepções0,01,3

Fonte: GoalPoint/Opta

O quadro acima mostra claramente um upgrade no futebol de Rafa nestes últimos encontros. Em relação ao período entre a primeira e a 21ª ronda, o português de 24 anos fez mais golos e melhorou claramente nos remates realizados a cada 90 minutos, na percentagem de disparos enquadrados, na concretização, na eficácia dos cruzamentos de bola corrida, na certeza do passe, nos número de dribles completos a cada 90 minutos e na eficácia global deste gesto técnico, incluindo os realizados no último terço do terreno. E ainda melhorou em algumas das mais importantes acções defensivas e diminuiu bastante o número de maus controlos de bola. Único grande senão é as cinco ocasiões flagrantes desperdiçadas, três delas na última jornada – três em toda a temporada que passou.

Em suma, a melhoria de desempenho de Rafa Silva da época actual em relação à anterior baseia-se quase em exclusivo nas últimas jornadas da Liga NOS. Uma constatação simples de fazer, com base nestes números. Será que Rafa conseguirá manter a tendência ascendente na qualidade do seu jogo? Ou cairá à primeira exibição menos conseguida ou no regresso de Salvio? Estaremos cá para tentar perceber.