O português Rafa Silva ainda nem entrou em campo e já foi, provavelmente, o mais falado entre todos os reforços dos “grandes”. Aparentemente desejado por Benfica, Porto e Sporting, o ex-jogador do Braga acabou mesmo por rumar à Luz, mas não sem antes passar por uma interminável e desgastante “novela”, que teve como tema o pagamento das comissões da sua transferência.

O caso não é para menos, com um valor total de €16M, Rafa ultrapassou João Moutinho como o maior negócio entre dois clubes portugueses, milhões que trazem “agarrados” muita expectativa sobre o que pode fazer de águia ao peito.

Formação “ali ao lado”

Nascido em Vila Franca de Xira, Rafa Silva teve um percurso pouco habitual na formação, tendo em conta que o seu talento escapou aos maiores clubes durante todo o seu trajecto formativo. Sete épocas passadas ao serviço do Alverca, por sinal bem perto de Lisboa, acabariam por atrair apenas a atenção do Feirense, que o levou para o Norte no sentido de fazer o último ano de júnior em Santa Maria da Feira. A equipa de júniores até acabaria por descer de divisão, mas Rafa deu nas vistas e garantiu um lugar no plantel sénior do ano seguinte, igualmente na Segunda Liga, visto que a equipa sénior também foi despromovida na mesma época.

Logo no seu primeiro ano de sénior, em 2012/13, começou a dar nas vistas em grande escala. Titular indiscutível no Feirense como médio-ofensivo, apontou dez golos em 41 jogos no campeonato, o que lhe garantiu não só a primeira ida às selecções nacionais, como também o interesse de vários clubes, com o Sporting à cabeça. Essa corrida acabaria por ser ganha pelo Braga de Jesualdo Ferreira. Uma segunda metade da época de grande gabarito convenceu Paulo Bento a convocá-lo para o Mundial do Brasil, em 2014.

Tinha nascido definitivamente uma estrela e as duas épocas seguintes só viriam a confirmar o talento de Rafa Silva. Agora a jogar pelas alas, principalmente a esquerda, tanto Sérgio Conceição como Paulo Fonseca fizeram dele protagonista principal do ataque do Braga, e é a última época que analisamos de seguida, em comparação com o que fizeram Nico Gaitán e Pizzi no Benfica.

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Desde logo salta a vista o baixo número de assistências de Rafa (uma), comparando principalmente com Nico Gaitán. Se em 14/15, com Sérgio Conceição, Rafa foi o “assistente” principal da equipa do Braga, com cinco passes para golo, na época passada as coisas inverteram-se e Rafa tornou-se um jogador mais incisivo na procura pela baliza do que pelos colegas.

Esse dado confirma-se nos passes para ocasião, uma vez que em média apenas cerca de uma vez por jogo Rafa deu aos seus colegas hipóteses para finalizar. Um grande contraste com Pizzi e Gaitán que o fizeram o triplo das vezes e que mostra, acima de tudo, que Rafa é um jogador que procura mais o desequilibro individual do que o colectivo.

A tendência para apostar no drible é outro dos dados que confirma esse individualismo. Doze por cento dos toques na bola de Rafa são tentativas de drible, em contraste com os 7% de Nico Gaitán e os 3% de Pizzi, tendência que fez dele o quarto maior driblador da Liga na época passada, apenas atrás de, agora, três portistas: Brahimi, Corona e Otávio.

A outra grande diferença em relação aos dois titulares do Benfica a época passada, é a pouca de tendência de Rafa para rematar de fora da grande área. Apenas 20% das suas tentativas de remate surgiram de longa distância, menos de uma por jogo. A pouca aposta nesse recurso é explicada pela pouca qualidade com que o faz. Dos oito remates que fez de fora da área apenas um foi enquadrado com a baliza, em 1977 minutos de futebol.

https://www.youtube.com/watch?v=fQFtMbmhtro

Diferenças de estilo, a recomendar calma

O talento de Rafa Silva é óbvio e evidente. Poucos jogadores na nossa Liga demonstram uma capacidade de desequilibro individual semelhante à do novo reforço “encarnado”, mas a sua tipologia de jogador recomenda alguma calma para que tenha tempo de se adaptar a um novo tipo de jogo.

Como jogador do Benfica, Rafa não terá o espaço que tanto gosta para usar a sua velocidade e terá necessariamente que se adaptar a jogar de uma forma mais colectiva. É certo que oferece coisas ao jogo que nenhum outro jogador no plantel (à excepção talvez de Zivkovic) oferece, mas no Benfica vai-lhe faltar algo que sempre precisou para pôr em prática a sua capacidade de explosão: espaço. Não é por acaso que Rafa sempre deu nas vistas nos jogos contra os “grandes” e a época passada também na Liga Europa.

Se conseguir fazer essa adaptação com sucesso, Rafa pode tornar-se numa referência do futebol português, mas as suas características aconselham a que se lhe dê algum tempo. O problema é que, por outro lado, o preço coloca uma exigência imediata. Veremos como Rafa e também Rui Vitória lidam com esse dilema.

Confira as análises a outros reforços do Benfica para 2016/17:

⚽ Danilo
⚽ 
Franco Cervi

 André Horta