Numa fase em que as instâncias do Futebol agitam cenários de regresso das Ligas nacionais, decidimos submeter os emblemas da Liga NOS 19/20 ao “raio-x” GoalPoint. Quais os ratings do “onze” mais influente de cada clube? Que dados caracterizam o seu futebol e como se comparam com os restantes adversários? Qual o desempenho das suas principais figuras? Estas são as respostas que tentaremos dar, de forma objectiva e sucinta.

Começamos pela análise e caracterização do FC Porto, o líder da Liga.

A folha de serviço “azul-e-branca”

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O “dragão” pode não ser a equipa mais concretizadora da Liga, ou sequer aquela que menos tentos sofreu, mas não só lidera a Liga como o faz com o menor número de derrotas: apenas duas, uma delas ainda em Agosto de 2019, na primeira jornada.

Os méritos da liderança portista assentam claramente numa solidez defensiva que, não só não se resume (ao contrário do que muitos pensam) à qualidade do guardião Marchesín (os 71% de remates enquadrados que travou são, aliás, apenas o 9º melhor registo da prova), como se manifesta em diversos outros indicadores estatísticos mais elaborados. Todos esses indicadores concorrem para um mérito do processo, mais do que desta ou daquela individualidade.

Os “dragões” são a equipa da Liga que menos remates permite a cada partida: 7,5, cerca de menos dois do que o seu directo perseguidor (Benfica, 9,7), que nem sequer é o segundo melhor desempenho nesta matéria. Não admira assim que os “azuis-e-brancos” se destaquem com o melhor registo de Expected Goals sofridos (xG) da Liga, que conseguiram ainda melhorar no “mundo real”, ao sofrerem menos um golo (-1,3) do que os cerca de 17 que deviam ter encaixado (estatisticamente).

No entanto, o grande “segredo” do líder, apesar de igualmente defensivo, revela-se bem mais à frente da sua grande área. O Porto é a equipa que permite menos veleidades ao adversário na hora de circular/construir jogo, não só na Liga como em toda a Europa (Ligas top-5 + Liga NOS). Falamos da forma como a pressão defensiva “azul-e-branca” bate qualquer outra, sendo a que menos passes permite no “velho continente”, um tema analisado em detalhe recentemente, neste link.

No plano ofensivo os números são menos vistosos, mas não deixam de indiciar uma sobreprodução muito útil a um líder: os “dragões” marcaram quase mais cinco golos do que aqueles que justificaram estatisticamente (xG).

O onze-tipo do “dragão”

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Os GoalPoint Ratings do “onze-tipo” portista (definido entre jogadores com mais de 1.080 minutos na prova) acabam por coincidir com os indicadores colectivos referidos anteriormente. Os “dragões” colocam três dos cinco elementos do sector defensivo no melhor “onze” GoalPoint da Liga.

Os laterais dos “dragões” acabam por personificar o maior elogio ao eficaz processo defensivo “azul-e-branco”. A turma de Conceição consegue ser a que menos veleidades permite, sem com isto deixar de apresentar nos corredores defensivos o seu melhor marcador (Alex Telles) e o seu melhor assistente (Tecatito).

Com este balanceamento ofensivo pelos corredores, Uribe e Danilo focam-se nas compensações e na manutenção da ordem: poucos golos (apenas dois entre si), mas muito trabalho na recuperação de posse e fecho de “avenidas”.

Mas há ainda outros dois homens que merecem especial destaque, apesar de dividirem opiniões e “paixões” entre os adeptos portistas. Falamos de Otávio e, mais recentemente, de Sérgio Oliveira, dois destaques muito particulares por oferecerem, ao mesmo tempo, soluções ofensivas e (muito) trabalho de qualidade, o tal labor defensivo avançado que contribui para um Porto muito especial e eficaz no “cerco” ao adversário com bola.

No plano ofensivo o destaque é menor, com os méritos repartidos por diversos homens, perante o cenário atípico de, a 10 jornadas do final da prova, encontrarmos um lateral como melhor marcador do líder. Mesmo tendo em conta a especialização de Telles nas bolas paradas, esta curiosidade contextual diz mais sobre a volatilidade e irregularidade do desempenho das escolhas de área de Conceição do que dos méritos (já conhecidos) de Alex Telles.

Uma palavra especial para Zé Luís que, apesar das lesões e aparente perda do estatuto de favorito que apresentou no arranque da prova, continua a não só apresentar o melhor rating entre os “dragões” de área, como é ainda o segundo melhor marcador (sete golos), lado a lado com Tiquinho Soares.

Terminamos com “BIs” dos restantes destaques individuais do FC Porto.

Em breve: o raio-x a mais emblemas da Liga NOS 19/20, por ordem de classificação à 24ª jornada.