Nunca é fácil para um jogador carregar a “cruz” de transferência mais cara de um clube. De Elías a Imbula, passando por Rodrigo Tello e, mais recentemente, Óliver Torres, são vários os casos de maquias recorde gastas pelos “clubes grandes” em jogadores que, por uma ou outra razão, não correspondem ao valor da “etiqueta”.

Quando no Verão de 2015 o Benfica decidiu comunicar a contratação de um ponta-de-lança mexicano com apenas um ano e um golo na Europa a troco de €22M, temeu-se que o seu nome iria inevitavelmente acabar na mesma lista. Para agravar, as primeiras aparições em campo não foram brilhantes, e a concorrência de Mitroglou e Jonas foi sempre atrasando a sua afirmação e empolando a exigência à sua volta, algo que o próprio presidente “encarnado”, Luís Filipe Vieira, não amenizou, quando decidiu vir a público dizer que Raúl Jiménez ainda iria dar lucro ao Benfica.

Quase três épocas passaram desde a sua chegada, a presença regular no “onze” benfiquista nunca foi realidade, mas Raúl foi conquistando os seus adeptos com golos, alguns importantes, e muita entrega nos minutos que foi tendo. Chegados aqui são já 31 os tentos certeiros do mexicano de águia ao peito, em apenas 36 jogos como titular.

Não se pode dizer que seja um mau pecúlio, mas se em épocas anteriores foi ficando a sensação que ainda estava longe de ter nível para ser unânime, Jiménez tem dado provas na presente temporada de que é um avançado ao nível dos melhores do nosso campeonato.

Na jornada passada correu mundo pela assistência “de letra” com que presenteou Jonas para o 2-0 e, desta vez, na complicada deslocação a Setúbal e ausência do brasileiro, Jiménez foi chamado apenas pela segunda vez à titularidade e… bisou, confirmando que é uma alternativa de grande valia ao principal goleador do campeonato.

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Raúl chegou assim aos seis golos na Liga NOS 17/18, um a cada 111 minutos, mas também se tem mostrado altamente profícuo nas assistências, com uma a cada 134 minutos. Fomos fazer contas e, entre os 1953 jogadores com tempo de jogo igual ou equivalente ao do mexicano nas principais Ligas europeias, ninguém precisa de menos tempo para fazer ambas as coisas, marcar e assistir.

#JogadorClubeMinutos / GoloMinutos / Assist
1Raúl JiménezBenfica111134
2NeymarParis SG94137
3SoaresPorto86172
4BernardeschiJuventus183122
5CoutinhoLiverpool / Barcelona209209
6MessiBarcelona89215
7JamesBayern221133
8SanéManchester City221166
9MbappéMonaco / Paris SG146237
10ThauvinMarseille153245

Fonte: GoalPoint/Opta

Num “top 10” que tem jogadores de qualidade insuspeita, o mexicano só tem por perto o “milionário” Neymar e o “dragão” Tiquinho Soares, um dos mais rápidos da Europa a marcar (apenas atrás de Jonas, Lewandowski e Salah), mas que também assiste com frequência elevada.

Não nos atrevemos a afirmar que o mexicano irá, de facto, dar o lucro financeiro antecipado por Luís Filipe Vieira, mas, no que toca a rendimento desportivo, já haverá poucos argumentos para criticar Raúl Jiménez e a sua contratação. Numa altura em que os benfiquistas poderiam temer pela ausência do seu principal goleador, o mexicano voltou a dizer “presente” e a sossegar as almas com golos, entrega e rendimento elevado. Já merece pelo menos um mea culpa de todos os que dele duvidaram.