Reforços: Aboubakar, de mota mas sem “capacete”

Em foco no último Mundial, o camaronês Aboubakar destaca-se pela sua grande velocidade e potência, mas também pelo fraco jogo de cabeça.

Aboubakar marcou presença no Mundial 2014 pelos "leões indomáveis" (foto: J. Bernardes/Shutterstock)
Aboubakar marcou presença no Mundial 2014 pelos “leões indomáveis” (foto: J. Bernardes/Shutterstock)

Após uma grande investida no mercado espanhol neste último período de transferências, o FC Porto explorou terras gaulesas encontrando nestas o grande reforço para o seu ataque, de seu nome Vincent Aboubakar. Este jovem jogador de apenas vinte e dois anos, após ter jogado no clube camaronês Cotonsport, fez grande parte da sua formação em França, no Valenciennes, mudando-se por fim para o Lorient.

Para quem acompanha a Liga Francesa ou até mesmo para quem viu o último Campeonato do Mundo, Aboubakar foi um dos grandes destaques. Joga como ponta-de-lança e salta à vista sobretudo pelo seu enorme poderio físico e capacidade de desmarcação. Foi inclusivamente dos melhores marcadores da última Liga francesa, com dezasseis golos.

Será que este jogador, habituado a um futebol de contra-ataque no Lorient, se irá conseguir adaptar à exigência de um clube como o FC Porto? Sendo que ainda é muito jovem tem ainda tempo para melhorar em aspectos como o seu jogo sem bola ou o cabeceamento.

Clique na infografia para ler em detalhe (foto: J. Bernardes/Shutterstock infografia: GoalPoint)
Clique na infografia para ler em detalhe (foto: J. Bernardes/Shutterstock infografia: GoalPoint)

Avançado em potência

Todo o jogo de Aboubakar é feito em velocidade e força, mesmo assim possui também alguma qualidade técnica no passe e remate. Em 35 jogos pelo seu clube fez 2,4 remates por partida, sendo que 76,5% foram dentro da área adversária. Apesar de jogar como avançado, este é um jogador muito móvel e que descai muito bem para os corredores laterais (também explora muito o espaço entre lateral e central) e tem números muto aceitáveis nos cruzamentos – apesar de os realizar com pouca frequência, teve uma eficácia de 18,8%.

Este atleta tem ainda outro ponto muito interessante que é a sua boa qualidade de passe, nota-se que é um jogador que consegue jogar muito bem em equipa e que tem boa visão de jogo. Teve uma eficácia de passe de 76,1% num total de 23,6 passes por jogo, o que revela entrosamento com os companheiros da ex-equipa. Conseguiu fazer sete assistências para golo, embora não seja um jogador que tente muito a desmarcação de colegas. Porém, quando faz passes no último terço do terreno, é também perigoso.

É, em suma, um ponta-de-lança que gosta de explorar as costas das defesas adversárias, e que devido à sua rapidez, elevada capacidade de reacção e também razoável condução de bola, consegue ser muito perigoso a jogar numa táctica de constante desmarcação.

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O contrapeso

Apesar de ser um jogador muito bom em diversos aspectos importantes para um atacante, Vincent tem também alguns defeitos que podem e devem ser trabalhados, visto ser ainda bastante jovem (os bons avançados atingem normalmente o pico de maturação já após os 26 anos).

Mesmo sendo um jogador fortíssimo fisicamente, tem alguns problemas de recepção e protecção da bola – perde a bola em média 2,2 vezes por jogo e sem um índice de desarmes sofridos por jogo de 2,8, números que não são muito abonatórios.

A sua grande falha como avançado é, contudo, a sua incapacidade de marcar golos de cabeça. Tem 1,82m de alturamas revela alguns problemas de impulsão e, sobretudo, movimentação dentro da área adversária. Teve uma eficácia de apenas 27% nos duelos aéreos com os seus oponentes, marcando apenas três golos de cabeça no Lorient.

Apesar de a Liga francesa ser bastante competitiva, no FC Porto este avançado vai enfrentar um ritmo de jogo e dinâmica diferentes da sua equipa anterior, que baseava o seu estilo de jogo num futebol bastante rápido e directo que tentava apanhar os adversários em contrapé.