Reforços: Adrián chega em busca da titularidade

Adrián López é um dos reforços sonantes do FC Porto para a época 2014/15 e chega com vontade e atributos para recuperar o que perdeu ao longo do tempo no Atlético: a titularidade.

Adrián Lopez chega ao FC Porto para recuperar a titularidade perdida (foto: Natursports/Shutterstock Infografia: GoalPoint)

O espanhol Adrián López é apenas uma das diversas contratações sonantes já confirmadas ou em perspectiva para o “dragão” 2014/15. Quem não se recorda do golo que assinalou em Stanford Bridge na última época, relançando um Atlético que perdia até então perante o Chelsea de José Mourinho? Adrián viria a ser substituído por Raúl Garcia, numa opção de reforço do miolo por parte de Simeone quando o Atlético já vencia fora por 2-1. O trabalho de Adrián estava feito, como tantas vezes o havia sido em épocas anteriores, antes de perder a titularidade perante a riqueza de opções como Diego Costa e Arda Turan entre outros.

E é este o papel que devemos ter em perspectiva ao analisar o desempenho de Adrián López na sua última época na BBVA: o de um “pronto-socorro” sempre disponível a reforçar o ataque da equipa, seja no segurar de um resultado seja na procura de pontos que os titulares não haviam garantido até à sua entrada em campo. Na última época, Adrián alinhou em 22 partidas na Liga BBVA pelo Atlético, mas apenas em quatro o fez como titular. López registou apenas 33 minutos por jogo, um registo indicador do seu papel secundário mas sempre uma primeira opção na hora de repensar o jogo, aos olhos do treinador argentino.

Seguindo a metodologia aplicada na análise de outros reforços, avançamos então para a análise do desempenho de Adrián comparando-o com outro avançado da Liga espanhola com semelhante posicionamento e perfil físico, o mexicano Carlos Vela, este uma opção primordial (e rentável) da Real Sociedad. A comparação resulta exigente para Adrián mas permite também identificar alguns dos seus pontos fortes, mesmo tendo em conta o seu papel e minutos em campo.

Clique na imagem para ler em detalhe (foto: efecreata mediagroup/Shutterstock Infografia: GoalPoint)
Clique na imagem para ler em detalhe (foto: efecreata mediagroup/Shutterstock Infografia: GoalPoint)

Rematar e cruzar com acerto sem perder o domínio

Adrián concretizou apenas um golo e três assistências na Liga BBVA na última época (números que melhoram substancialmente se somarmos dois golos e duas assistências em nove jogos na exigente Champions League). Mas para lá do registo lido à luz da sua condição de alternativa sobressai a elevada taxa de eficácia de remate (46% dos disparos foram enquadrados com a baliza) e de cruzamento (50% dos seus cruzamentos foram ao encontro dos seus colegas de equipa), detalhes promissores para um jogador que tenciona reconquistar no FC Porto o estatuto perdido.

Apesar de não ser um jogador de estatura elevada (o que também lhe permite a mobilidade e tempo de reacção que o caracteriza), Adrián conquistou cerca de 66% dos duelos aéreos disputados. Mas é com a bola no solo que Adrián demonstra uma maior qualidade na protecção e controlo da mesma (apenas 0,3 desarmes sofridos e 0,5 perdas de controlo de bola por partida). Adrián gosta de colar a bola aos pés, mesmo jogando preferencialmente no último terço adversário.

Lutar pelo lugar no “onze”

O Porto investiu 11 milhões de euros em metade do passe de Adrián López, convicto certamente do que a sua idade (26), experiência e passado sustentam: um jogador disciplinado, que viveu por mais do que uma vez o estatuto secundário com profissionalismo, focado e capaz de fazer a diferença a qualquer momento quando chamado às responsabilidades. O seu desempenho na última época será certamente pouco para fazer jus à sua capacidade de se impor de azul e branco. A bola fica agora do lado de Adrián.

Terminamos com algumas imagens de Adrián Lopez relativas às três épocas que cumpriu no Atlético:

Radiografia *

Adrián López pode actuar quer como avançado centro, quer como falso extremo ou ainda mesmo como segundo avançado. É forte tecnicamente tanto na recepção como na condução de bola e drible, apresentando ainda bom nível na disputa de bolas aéreas e uma capacidade de finalização acima da média.

Tendo em conta a sua idade, Adrián estará porventura no patamar mais elevado do seu potencial, mas poderá ainda melhorar no Dragão o seu jogo defensivo e posicionamento em alguns momentos do jogo.

Adrián tem tudo para constituir uma peça fundamental no FC Porto desta temporada, sendo previsível que se afirme sobretudo como falso extremo, flectindo para o centro do terreno e criando assim movimentos de ruptura.

A “Radiografia” é da autoria de Miguel Pontes.