Um número “8” com grande raio de acção, o filho de António André, glória “azul-e-branca” que entre muitas outras coisas ajudou a conquistar uma Taça dos Campeões Europeus, mostrou de área a área um nível de maturação que lhe valeu inclusive a chamada à selecção A, e que culminou a semana passada com a confirmação da sua transferência para o clube onde o pai foi mais feliz, o FC Porto.

Falta perceber se André André conseguirá chegar ou até ultrapassar o nível do pai, e acima de tudo se terá qualidade para já na próxima época entrar no “onze” portista. Para tal formos comparar os seus números com os de Hector Herrera, dono da posição “8” no meio-campo do FC Porto durante quase toda a época, mas que ainda não convenceu totalmente a maioria dos adeptos portistas. Será que a solução está em alguém que até já passou pela formação da casa?

Convém começar por explicar que Vitória Guimarães e Porto jogam de maneiras diferentes e têm volumes de jogo ofensivos e defensivos bem distantes, logo é recomenda-se cautela ao analisarmos os números absolutos como quantidade de passes ou remates. Como tal resolvemos incluir isso na análise.

POSSE DE BOLA

A. AndréH. HerreraVitória SCFC PortoPeso A. AndréPeso H. Herrera
Toques de bola / 90m668255078112%11%
Passes / 90m46.866.033156714%12%
% Passes Certos78%85%72%84%--
Passes p/ ult. 1/3 / 90m8.58.958.170.815%13%
Passes p/ ocasião / 90m1.01.37.19.615%14%

fonte: análise GoalPoint sobre dados OPTA

Aqui está um excelente exemplo do que foi explicado no parágrafo anterior. Olhando a números absolutos o mexicano parece ser melhor em tudo. Tem mais vezes a bola, faz mais passes, acerta uma maior percentagem deles e cria mais oportunidades de golo. No entanto, quando olhamos ao peso relativo de cada um dentro da sua equipa conseguimos mais facilmente colocar isso em perspectiva. De facto, André André passa quase menos 20 bolas por jogo que Herrera, mas isso deve-se em grande parte ao facto de a sua equipa fazer perto de metade dos passes do FC Porto. Também é certo que André André acerta uma menor percentagem dos passes que tenta, mas isso também tem muito provavelmente que ver com o modelo de jogo. O Porto de Lopetegui pratica um futebol mais mastigado, de posse, com muitos passes curtos, enquanto o Vitória baseia o seu ataque na velocidade e em transições rápidas, o que torna aumenta naturalmente o nível médio de dificuldade de cada passe. No entanto, enquanto a percentagem de passes certos de Herrera está muito perto da média da sua equipa (85% contra os 84% globais), André André tem uma precisão de passe seis pontos percentuais acima dos seus colegas, o que nos dá a entender que o português, devidamente enquadrado noutro modelo de jogo, iria decerto aumentar a sua percentagem. 

MOMENTO OFENSIVO

A. AndréH. HerreraVitória SCFC PortoPeso A. AndréPeso H. Herrera
Remates / 90m1.41.913.515.511%12%
% R. enquadrados48%20%33%36%--
Dribles / 90m2.21.718.724.212%7%
% Dribles eficazes50%44%35%43%--
Faltas sofridas / 90m2.61.117.914.915%7%

fonte: análise GoalPoint sobre dados OPTA

Uma análise mais simplista olharia para os 11 golos de André André contra os três de Herrera para tirar a conclusão de que o português é melhor, mas é preciso ter cuidado com a maneira como se olham os números. Na verdade, oito dos 11 golos de André André foram apontados da marca de grande penalidade, o que deixa os dois jogadores com um nível de concretização semelhante. Mas vamos ao detalhe: Herrera remata mais. E neste caso até remata mais em peso relativo dentro da sua equipa. A vantagem de André André neste parâmetro é que remata muito melhor. Na verdade, Herrera tem uma fraquíssima percentagem de remates enquadrados com a baliza, enquanto o ex-Vitoriano enquadra quase metade dos remates que faz.

Mas é noutros parâmetros que a surpresa pode ser maior. De facto, André André revelou-se no último campeonato muito melhor driblador que o mexicano, não só em quantidade como em qualidade, e a diferença é ainda mais óbvia se tivermos em conta que a liberdade e oportunidade para partir para cima do adversário é maior para os lados do Dragão. No entanto, as diferenças não se ficam por aqui, e veja-se a frequência com que um e outro são capazes de ganhar faltas a favor da sua equipa. Também aqui se revelou excelente o número 11 vimaranense.

MOMENTO DEFENSIVO

A. AndréH. HerreraVitória SCFC PortoPeso A. AndréPeso H. Herrera
Recuperações / 90m6.75.948.355.414%11%
Intercepções / 90m2.21.318.617.612%8%
Desarmes / 90m2.71.718.921.314%8%
% Desarmes completos81%73%73%79%--
Duelos aéreos / 90m3.02.935.728.49%10%
% Duelos aéreos ganhos44%47%49%55%--

fonte: análise GoalPoint sobre dados OPTA

Se até aqui ainda podiam sobrar dúvidas, é no momento defensivo que André André esmaga completamente o seu novo concorrente directo. Só o jogo aéreo não é ponto forte para nenhum deles, mas em tudo o resto os números do novo “dragão” são claramente melhores que os do mexicano, tanto em absoluto como em peso relativo.

https://www.youtube.com/watch?v=cfsZSjnycGU

CONCLUSÃO

Traçado que está o perfil do novo reforço do Porto em comparação com até agora dono do lugar, parecem não ficar dúvidas que André André é uma opção perfeitamente válida para o “onze” inicial. Veremos se o mexicano puxa dos galões na pré-época e aumenta drasticamente o seu nível, mas à vista dos números do passado são demasiadas variáveis a favor de André André neste “mano-a-mano”.