Reforços: Andrés Fernández, um “portero” habituado a sacrifícios

Após sete anos no Osasuna o guarda-redes espanhol tem aos 27 anos a grande oportunidade da sua carreira ao assinar pelo FC Porto.

Andrés numa campanha do Osasuna dirigida aos adeptos locais (foto: CAO)
Andrés numa campanha do Osasuna dirigida aos adeptos locais (foto: CAO)

Com 27 anos não é propriamente um guarda-redes experiente, no sentido etário. No entanto o novo guardião do FC Porto, Andrés Fernández, chega à Invicta com 112 jogos realizados na Liga BBVA e 31 na Liga Adelante (segunda divisão espanhola), o que faz dele um atleta com bastantes jogos no curriculum ao mais alto nível.

Titular desde a época 2011/12 (a melhor dos últimos anos para o clube de Navarra, ao terminar em sétimo lugar) Andrés foi impotente para travar a despromoção do Osasuna na época 2013/14, encaixando 61 golos durante toda a campanha (falhou apenas uma das 38 jornadas). A queda do clube de Navarra na Liga Adelante terá certamente aberto as portas de saída a um guarda-redes que terá salvado muitas vezes a sua equipa de igual destino (já na época anterior o Osasuna havia “dançado” em redor da descida).

Olhamos assim o desempenho de Andrés na sua última época na Liga espanhola, comparando-o com outro nome forte da mesma Liga e que, segundo a imprensa, também chegou a estar na agenda dos “dragões” mas cujo interesse de Bayern de Munique o anulou como hipótese para a baliza “azul-e-branca”, o costa-riquenho Keylor Navas, protagonista no último Campeonato do Mundo.

Clique na infografia para ler em detalhe (foto: Maxisport/Shutterstock infografia: GoalPoint)
Clique na infografia para ler em detalhe (foto: Maxisport/Shutterstock infografia: GoalPoint)

Um guardião habituado a pressão contínua

Do desempenho de Andrés na última época ressalta de imediato o número significativo de golos que sofreu mas nem sempre isso define as capacidades de um guarda-redes, sobretudo em contextos diferentes (recorde-se o malogrado Robert Enke, que chegou à Luz como o mais batido da Liga alemã na época anterior e viria a afirmar-se como um talento promissor). Inegável é também o facto de Andrés não ser um guarda-redes alto (1,84m), sobretudo se comparado com Helton (1,89m) e Fabiano (1,97m). Talvez por isso o elevado número de vezes que opta por socar a bola (praticamente uma vez por jogo em média).

Das suas mãos saem, no entanto, aparentemente bons passes, sobretudo se comparado com Navas, com uma eficácia de 57%, a uma distância média de 40 metros, o que pode indiciar um guarda-redes habituado a lançar contra-ataques com rapidez após recolher o esférico. Apesar da época negativa, Andrés manteve a sua baliza inviolada em nove jogos.

Concorrência apertada, mas há Lopetegui

Uma das incógnitas que pende sobre Andrés é perceber se será um guarda-redes de “clube grande”, factor que muitas vezes impede guardiões que brilham em equipas que lhes exigem concentração contínua (em virtude da quantidade de vezes que são solicitados) de se afirmarem, por passarem boa parte do jogo no papel de espectadores, aumentando assim a importância da sua capacidade de concentração – e dos erros que possam cometer por falta dela.

Andrés defronta concorrência apertada. Mesmo não contando no imediato com o brasileiro Helton, que poderá nem sequer contar de todo para Lopetegui, Fabiano e Ricardo oferecem garantias que tornarão difícil a afirmação de Andrés. No entanto, é necessário ter em conta não só a presença de Lopetegui mas também o peso que o contingente espanhol terá neste Porto renovado, sendo que caso o Porto se mantenha em diversas frentes por um período de tempo condizente com as suas ambições não será de admirar se o treinador espanhol recorrer a uma solução de rotatividade semelhante à adoptada por Jorge Jesus no Benfica na época passada. Luxos da abundância.