Ainda a imprensa digeria a contratação falhada de Kevin-Prince Boateng e já o Sporting CP resolvia a clara intenção de reforçar o seu meio-campo com a contratação de Alberto Aquilani. O internacional italiano (em 38 ocasiões, 5 golos) é tudo menos um desconhecido para quem segue a última década do futebol europeu. Formado e lançado na AS Roma o médio acumulou passagens pelo Liverpool, Fiorentina Juventus, Triestina, Juventus e AC Milan antes de chegar ao Sporting, embora por empréstimo nos últimos três clubes referidos. O outrora “golden boy” de Roma foi ainda internacional italiano em todos os escalões jovens, dos Sub-15 aos Sub-21, um sinal claro de que também ele personificou outrora uma das maiores promessas do futebol italiano.

No seu currículo sobressai apenas um aspecto negativo, a relativa escassez de títulos (duas taças e uma supertaça italiana) para um jogador que envergou tantas (e pesadas) camisolas.

UM “TREQUARTISTA” GOLEADOR

Confinado à posição de médio-centro na fase mais recente da carreira, Aquilani desempenhou também as funções de médio ofensivo e defensivo no passado, posições todas elas propícias às suas qualidades, sendo a frequência e eficácia de passe as mais proeminentes e aquela que sempre definiu o italiano como aquilo que os italianos apelidam de um “trequartista”, um organizador de jogo que, não atingindo o nível do conterrâneo Andrea Pirlo (este mais perto do que os italianos apelidam de um “regista”), ainda assim se notabilizou ao ponto de motivar o Liverpool a investir cerca de 20 milhões de euros na sua contratação em 2010, terminando assim a longa ligação entre Alberto e o seu clube formador.

Ao longo da sua carreira de clubes Aquilani acumulou 39 golos em cerca de 390 partidas disputadas o que resulta numa média aproximada de um golo a cada 10 encontros, uma média próxima da atingida pelo português com maior experiência no cumprimento de papéis semelhantes no futebol transalpino: Rui Costa.

UM ÚLTIMO FÔLEGO DE CLASSE

A última época de Aquilani ao serviço da Fiorentina foi tudo menos brilhante, ao ponto de optarmos por recuperar o seu registo OPTA de 2013/14 de modo a podermos produzir uma análise com suficiente relevância (vide infografia). Curiosamente, as duas épocas imediatamente anteriores do italiano ao serviço da turma agora liderada por Paulo Sousa representaram até a melhor produção goleadora de Alberto na Serie A, com sete golos marcados em 2012/13 e seis na época em análise.

Não deixa de ser curioso que, dada a sua qualidade de passe, Aquilani tenha oferecido ao longo da sua carreira tantas assistências como os golos que marcou, uma marca que se torna mais compreensível ao constatarmos a média (baixa) de passes para ocasião de golo que produz (vide infografia). Aos 31 anos o italiano tem agora em Alvalade a última grande oportunidade de demonstrar que o melhor Aquilani aindanão pendurou as botas.

REFORÇO OU SUBSTITUTO?

Aquilani foi confirmado pouco tempo depois de abdicarmos do comparativo entre Boateng e João Mário. Rapidamente recuperámos os números do jovem médio, o “leão” que, pelas características e contexto de  afirmação progressiva, nos pareceu acertado incluir num enquadramento do desempenho do novo companheiro de sector.

O comparativo acaba por ser interessante não só pela proximidade ao nível da produção e criação ofensiva mas também pelo aparente maior dinamismo do italiano nas tarefas defensivas. O grau de dificuldade das provas em comparação recomenda a habitual cautela na formação de conclusões (precipitadas) mas não deixa de ser curiosa a relativa semelhança de registos entre os dois jogadores.

Os próximos meses irão esclarecer que Aquilani o Sporting contratou: o útil playmaker com que a Fiorentina (e outros clubes) contou num passado recente ou o jogador apagado e dispensado pelos “viola” após uma época muito distante do seu melhor. O tempo (e o fecho da janela de transferências) também permitirá perceber se Aquilani chegou para competir ou substituir as apostas actuais do Sporting para aquela zona do terreno, nomeadamente Adrien e João Mário.