O Sporting avança, pela segunda vez esta época, para a contratação de um avançado “veterano”, com a opção a recair desta feita no argentino Hernán Barcos, após a aposta (falhada?) em Teo Gutiérrez (não por falta de aviso GoalPoint). Apesar do “desaparecimento” de Teo, é Fredy Montero a ter a continuidade em Alvalade em risco, pelo menos à hora em que escrevemos esta análise, numa fase em que (como defendemos desde a sua chegada) é Bryan Ruiz que vai apoiando Slimani na frente. Neste contexto, nada como compararmos então o desempenho do recém-chegado Barcos com o homem de saída (a confirmar) e ainda com a referência de sector.

Reforços: Barcos, um gigante que não poupa remates
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Um gigante que… voa baixinho e fora da área

A envergadura de Barcos pode levar os desconhecedores a identificar nele rapidamente um homem para rivalizar com o perfil de Islam Slimani. Provavelmente vai ouvir o mesmo de alguns comentadores, ao estilo análise “fast food”, mas tal será… puro engano. Apesar de competir não só em atributos como também na eficácia na disputa dos duelos aéreos com o argelino, Barcos é tudo menos um jogador de futebol aéreo, pelo menos na hora de apontar mira à baliza. No último ano ao serviço do Grêmio Hernán não somou qualquer golo de cabeça em 32 partidas no Brasileirão (no qual registou 14 tentos) e, já na Liga Chinesa, apenas 16% dos seus quase quatro remates a cada 90 minutos foram efectuados desta forma.

Barcos gosta de apontar à baliza, mas não da mesma forma que Slimani o faz. Aliás neste particular aproxima-se mais de Montero, com ambos a disparar de fora da área em cerca de 40% das vezes, uma opção que Slimani apenas toma em 4% das ocasiões.

Como se já não bastassem estas diferenças Barcos é também bastante mais propenso ao drible (2,2 tentados por jogo, contra 1,6 de Islam) e sobretudo mais eficaz: o argentino dribla os seus adversários em 38% das tentativas (mais até do que Montero, com 30%) e muito acima de Slimani, que apesar da evolução positiva neste capítulo se fica pelos 23%.

Não deixa de ser curioso perceber que Barcos acaba por suplantar (por duas décimas) o já muito positivo desempenho de Slimani no GoalPoint Ratings, facto ao qual não será estranha a infeliz propensão do argelino para cair em fora-de-jogo, característica em que é líder, pela negativa, da Liga NOS.

Conclusão: dois “calmeirões” na frente?

Ao contrário do que seria de esperar, desconfiamos que, mais cedo ou mais tarde, e caso se afirme rapidamente ao serviço do “leão”, Barcos será muito muito mais um concorrente ao lugar mais recente de Ruiz, no apoio a Slimani, do que propriamente um rival do argelino no desempenho das mesmas funções. Os próximos meses demonstrarão se esta aposta será mais bem conseguida do que a que recaiu em Gutiérrez e se Hernán consegue reproduzir o desempenho positivo que evidenciou na China, pesem as diferenças entre as competições.

Uma coisa é certa: perto de completar 32 anos, e após um percurso que incluiu nada menos do que a passagem por 11 clubes, Barcos vem para oferecer soluções imediatas e não para constituir um projecto de médio/longo prazo no futebol leonino. Saiba enquadrar-se rapidamente no ritmo europeu (que só conheceu na passagem pelo Estrela Vermelha, na longínquo ano de 2007) e poderá oferecer algo mais ao “leão”. Necessite Barcos de tempo e queira Jesus incutir alterações ao seu estilo de jogo e… a coisa poderá complicar.

As ténues semelhanças entre Barcos e a mítica personagem de “O Grande Lebowski”, Jesus Quintana, promete ilustrar os nossos tweets, sempre que o argentino descobrir o fundo das redes ao serviço dos “leões”. Agora… depende dele.