O Sporting atacou já o mercado de Janeiro anunciando a contratação de Bruno César, o extremo/médio-ofensivo que outrora equipou de águia ao peito (também sob o comando de Jesus) e que militava desde o início da época no Estoril Praia – após regresso da aventura no Al Ahli (Arábia Saudita), clube para o qual se tinha transferido em 2013 oriundo do Benfica.

PESADINHO (?) MAS… CHUTÃO

O regresso de Bruno César ao futebol português surgiu associado à ideia de algum excesso de peso, característica que sempre surgiu ligada ao brasileiro, mesmo nos tempos do Benfica, clube pelo qual o jogador disputou 60 jogos (3483 minutos) e marcou 13 golos. Longe de ser um jogador desconhecido dos adeptos do futebol português, decidimos avaliar sobretudo o que fez Bruno César num passado recente (Estoril), em comparação com o sector no qual se enquadra o brasileiro, tendo em conta as suas posições preferenciais em campo (extremo-direito, esquerdo e por vezes médio-ofensivo). Apesar das dúvidas que a contratação possa suscitar nos adeptos leoninos, o desempenho comparado acaba por não desenquadrar o “chuta chuta”, bem pelo contrário:

Reforços 2015/16: Bruno César
Clique na infografia para ampliar (infografia: GoalPoint)

A alcunha do brasileiro encontra fundamento nos números: Bruno César remata quase três vezes a cada noventa minutos, contra cerca de dois remates em média por parte dos extremos leoninos nesta edição da Liga NOS. Isto apesar de falarmos dos números registados no Estoril.

Na hora de medir a eficácia de remate, César é menos certeiro, com 31% de remates enquadrados contra uma média de 40% dos futuros concorrentes de sector, no Sporting. Mas como nem só de remates se deve analisar um reforço com estas características, vale a pena referir que o brasileiro vinha oferecendo em média de dois passes para golo a cada 90 minutos, contra 1,5 dos futuros companheiros, numa pecha que já era visível (colectivamente) no barómetro semanal comparado do desempenho dos “grandes”: o Sporting faz menos passes para golo que os rivais mas não será por culpa de Bruno César que esse registo se manterá, caso o brasileiro venha a contar com tempo de jogo. Neste particular convém referir que muitos dos passes para ocasião do brasileiro surgem de bola parada (0,7 a cada 90 minutos), área onde terá de competir, por exemplo, com Jefferson.

Mas nem tudo são “rosas” surpreendentes, no desempenho do brasileiro que outrora “tapou” Nolito no Benfica, para incompreensão de muitos adeptos e analistas, que vêem hoje o espanhol prosperar em Vigo e surgir no radar do Barcelona. Bruno César é bem menos eficaz no drible (31%) do que a média dos companheiros de sector (48%) bem como parece ser menos eficaz na disputa de duelos individuais (39% vs 48%). Num sistema em que Jesus espera apoio defensivo dos extremos, Bruno parece também menos disponível, com 2,5 recuperações de posse contra uma média de 4,6 bolas recuperadas pelos extremos leoninos, em média.

JESUS TEM A PALAVRA… NOVAMENTE

Numa contratação que tem o nome de Jorge Jesus carimbado de forma bem visível, cabe agora ao treinador justificar, com o seu trabalho, o porquê da aposta em Bruno César, bem como demonstrar que poderá fazer dele tudo aquilo que ficou por fazer na Luz. O brasileiro, para lá da questão do peso, apresenta forças e fraquezas, como qualquer jogador. Resta agora saber que papel lhe reserva o treinador leonino daqui a sensivelmente mês e meio, quando (a partir de 1 de Janeiro) puder finalmente justificar a sua contratação.

Atingindo a sua melhor forma, somando a experiência adquirida e equacionando um Sporting com alas com frequentes incursões interiores (como sucede com Ruiz) e abrindo os corredores aos laterais, o “chuta chuta” pode vir a ter um papel a cumprir… se chutar.