Os adeptos do Sporting aguardavam há muito novidades do mercado, após o choque emocional positivo que constituiu o anúncio de Jorge Jesus como novo treinador dos “leões”. Os “verde-e-brancos” haviam anunciado já a contratação do jovem guardião Azbe Jug, mas a confirmação do experiente Bryan Ruiz como reforço leonino para as próximas três temporadas será compreensivelmente encarada como a primeira “contratação” com “C” maiúsculo do defeso.

O nome Bryan Ruiz não é estranho ao futebol português. Ainda antes de rumar ao futebol inglês o jogador costa-riquenho surgiu associado ao Benfica, na altura comandado por Jorge Jesus. O tecnicista acabaria por rumar ao Fulham, de Inglaterra, em 2011, após viver aquele que foi o seu período mais profícuo ao serviço do Twente (clube ao qual o Benfica foi agora buscar o promissor Bilal Ould-Chikh). Curiosamente, Jorge Jesus fez questão de salientar na sua primeira entrevista televisiva, após assinar pelo Sporting, que Ruiz não foi, desta feita, uma opção sua e que já estaria a ser negociado quando chegou.

Em Inglaterra a “estrela” de Bryan nunca brilhou com a intensidade que o seu talento fazia prever, mas muitos ainda se recordarão da forma como, há precisamente um ano, liderou a selecção costa-riquenha no Mundial 2014, numa campanha que apenas terminaria nos quartos-de-final, aos pés da Holanda, nas grandes penalidades. Bryan Ruiz destacou-se nessa altura, juntamente com Joel Campbell (outro alvo recorrente do futebol português desde então), marcando golos contra adversários exigentes como o Uruguai e Itália e demonstrou sempre uma classe com a bola nos pés familiar aos apreciadores do futebol de outras décadas. É precisamente na análise dessa “classe” que encontramos as virtudes e fragilidades de um jogador que raramente passa despercebido em campo.

POUCA VELOCIDADE, MUITO TALENTO

Durante a sua carreira Bryan Ruiz ocupou frequentemente as alas, ora esquerda ora direita, bem como uma posição mais avançada no terreno, de apoio ao ponta-de-lança. O seu talento com a bola nos pés, visão de jogo, qualidade de passe e de protecção de bola fazem dele um típico “10” à moda antiga e foi precisamente esse o papel que desempenhou no Fulham na época 2014/15, cujos números de desempenho apresentamos na infografia anexa. Optámos por comparar a sua produção com Nani.

O virtuoso português foi fundamental na boa campanha leonina, mas quem se recorda do “velho Nani” terá também identificado um jogador mais pausado, menos explosivo mas mais disponível para constantes incursões interiores, pautando o jogo ofensivo leonino num ritmo diferente de outros tempo,s mas igualmente influente.

Nani procura o remate com mais frequência que Ruiz (embora este o faça com maior acerto entre os postes), mas a média de passes a cada 90 minutos dos dois jogadores na época finda demonstram a sua preponderância nas respectivas equipas: ambos carregaram a matrícula de extremos, ambos foram (são hoje?) “free roamers” que procuram carregar ofensivamente a equipa pelos terrenos que lhes são oferecidos ou que conquistam fruto das suas características. Bryan pode rematar menos mas oferece duas características complementares: sabe bater bolas paradas e, apesar de não apresentar disponibilidade física para os 90 minutos (66′ jogados por encontro na época passada), apoia a equipa nas tarefas defensivas, algo que Jesus certamente valorizará.

https://www.youtube.com/watch?v=cu7LTjCvfgA

ONDE ENCAIXARÁ RUIZ?

O papel reservado por Jorge Jesus a Bryan Ruiz será, neste momento, dúvida maior do que aquelas que os menos informados reservam sobre as suas qualidades. A falta de velocidade do costa-riquenho não faz prever um regresso às alas a não ser que a isso seja obrigado o treinador campeão, uma vez fechado o plantel 2015/16.

A frente de ataque pode reservar um papel a Ruiz, sobretudo após uma época onde Jesus demonstrou saber montar uma dupla de área em que nenhum dos seus intervenientes (Jonas e Lima) era um ponta-de-lança clássico. Por fim sobra o meio-campo ofensivo, função que oferece melhores condições às características de Ruiz mas recordando, no entanto, que Jesus apenas com Aimar optou, de forma consistente, por um miolo menos sólido, trocando um “8” de trabalho polivalente (Axel Witsel, Pizzi, Enzo os mais recentes) por um “mágico”, como o sabe ser Bryan Ruiz.

Salvas as devidas comparações os adeptos leoninos podem esperar em Ruiz traços de outro jogador que uns amaram, outros detestaram, muito poucos ignoraram: Pedro Barbosa. Resta saber como Jesus encaixará no seu xadrez este talento à moda antiga.

 

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