Alberto Bueno, o novo reforço dos “dragões”, não é um ponta-de-lança, não é um segundo avançado e talvez não seja sequer um médio-ofensivo. É, na prática, um pouco disto tudo. E, assim, vai oferecer versatilidade ao plantel do FC Porto na próxima época.

À primeira vista, até pela equipa que vai representar, Bueno pode ser encarado como um substituto de Óliver Torres, ainda que o seu desempenho e caraterísticas o distanciem do papel que o jovem espanhol do Atlético de Madrid desempenhou em 2014/15 no Dragão. Na época agora finda Bueno conseguiu ser o 7º melhor marcador da Liga BBVA apesar de militar no Rayo Vallecano e com uma particularidade: em 36 partidas apenas por uma jogou na posição de avançado puro, ocupando quase sempre terrenos de apoio próximo à frente de ataque.

POUCA VELOCIDADE COM FARO DE GOLO

Os golos apontados por Bueno na última edição da Liga espanhola (17, 37% dos golos do Rayo), repare-se, foram todos concretizados no interior da grande área, o que mostra o seu poder em decidir em espaços curtos – e nisso tem enorme facilidade, sendo um atributo difícil, muito difícil mesmo, de encontrar no mercado pelas equipas grandes que têm de enfrentar, na esmagadora maioria dos jogos, formações fechadas, com uma grande densidade populacional nos 30 metros periféricos à baliza de quem defende.

Quem espera um futebolista veloz vai ter uma pequena desilusão. Bueno não é rápido, mas pode perfeitamente jogar na ala, sobretudo a esquerda, por ser destro, para poder desequilibrar fruto do seu jogo interior – uma situação cada vez mais em voga nas equipas grandes que vão percebendo que os extremos que procuram a linha são mais previsíveis do que aqueles que sabem confundir a defesa contrária através de sucessivas diagonais. Talvez aqui esteja a explicação para sofrer acima das duas faltas por jogo em média (2,2). Bueno é, claramente, um jogador para esta posição, mas talvez em encontros de maior dificuldade diante de adversários poderosos.

REMATE PELA CERTA

Então, onde poderá Lopetegui utilizá-lo com maior assiduidade? Esta é uma pergunta de difícil resposta, mas tendo em conta que estamos perante um jogador de enorme craveira técnica, não é difícil imaginar Bueno, na maior parte das vezes, como terceiro homem do meio-campo e, em simultâneo, como muleta do ponta-de-lança a aproveitar espaços para finalizar, porventura a sua maior qualidade. Haverá jogos em que o domínio portista será tão preponderante que Lopetegui pode dar-se ao luxo de ter uma unidade que possa ser mais segundo avançado do que terceiro médio.

Aqui entronca o seu duplo pecado: parca resistência física e atitude/vocação defensiva. Apesar de ter sido a grande figura do Rayo Vallecano, foi rendido em 13 encontros. A defender, quando perde a bola, é reativo mas pouco intenso e agressivo, e isso vê-se na maneira como perde um duelo em cada três.

Por isso, em encontros de elevada superioridade, o FC Porto pode dar-se ao luxo de ter um jogador entre o meio-campo e o ataque com estas características que não ajude tanto na transição defensiva e que canalize as suas energias para os últimos 30 metros.

Falamos de um executante que decide bem, com alguma qualidade de passe (embora com eficácia baixa para um papel de construção) e que tem imenso critério em quase tudo o que faz e isso nota-se pela sua superior eficácia de remate (57% das suas finalizações são enquadradas com a baliza). Precisa de melhorar no capítulo das assistências (0,8/jogo), mas este paradoxo talvez exista pelo seu enorme faro de golo, que o faz ver a baliza quando acredita que a pode alvejar com êxito.