Reforços: Casemiro para esquecer o “polvo”?

Casemiro chega ao FC Porto com uma grande oportunidade de afirmação em mãos: ocupar o "vazio" deixado por Fernando.

A estratégia de mercado do FC Porto já não confundirá ninguém neste momento. Colmatar as necessidades do plantel com base em opções de segunda linha (mas nem por isso de qualidade secundária) oriundas da Liga BBVA parece ser a linha condutora do “dragão” no ataque à época 2014/15, independentemente de outras aquisições que compõem o plantel “azul-e-branco” da próxima época. Torres, Tello e Adrián já haviam dado corpo à estratégia. A chegada do jovem brasileiro Casemiro confirma-a, num cenário certamente influenciado pela presença de Lopetegui no Olival.

Várias vezes apontado ao SL Benfica, o jovem Casemiro chega ao FC Porto por empréstimo de uma época (num cenário semelhante a Torres e Tello). Formado nas escolas do São Paulo FC, internacional brasileiro em cinco ocasiões (e em 15 pela selecção de sub 20 “canarinha) Casemiro ocupa preferencialmente a posição de médio-defensivo ou médio-centro. Apesar de ter constituído claramente uma segunda (ou terceira) opção nos “blancos” no decurso da época 2013/2014, Casemiro aproveitou relativamente bem o tempo de que dispôs para mostrar qualidade suficiente para merecer a aposta maior pela qual irá agora lutar na cidade do Porto. Comparamos (como habitualmente no GoalPoint) o desempenho de Casemiro na última época com um jogador de contexto semelhante, neste caso o camaronês Alex Song, também ele relegado para um papel secundário, mas regular, no centro do “miolo” do FC Barcelona.

Clique na imagem para ler em detalhe (infografia: GoalPoint)
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Menos tempo, mais rendimento

Casemiro jogou apenas 12 partidas e só numa delas foi titular pelo Real Madrid. No total cumpriu 283 minutos de branco, o que lhe atribui uma média de 23,6 minutos em campo por jogo. Pouco tempo. Mas o mesmo já não se pode dizer do seu rendimento. Apesar de ter como preocupação sobretudo o estancar das investidas adversárias e a distribuição de jogo para os elementos mais criativos, o jovem brasileiro aproveitou as oportunidades para criar seis ocasiões de golo para os colegas (tantas como Song com apenas um quarto do tempo de jogo do camaronês), das quais saiu uma assistência para golo.

Na hora de apoiar os movimentos ofensivos, o jovem médio aposta tudo no passe (com 85,7% de eficácia) e menos no remate (apenas fez quatro e nenhum deles saiu sequer enquadrado com a baliza), efectuando uma média de 17 passes por jogo nos cerca de 24 minutos em que esteve em campo por partida.

Casemiro demonstrou também a sua utilidade na fase defensiva (ainda que inferior à do camaronês), com uma eficácia de cerca de 56% nos duelos aéreos disputados e de 49% em todos os duelos travados com os adversários, fazendo assim bom uso da sua velocidade e capacidade física.

Na linha de Javi Garcia?

Casemiro, apesar de jovem, caminha para o seu 23º aniversário, pelo que a oportunidade de assumir no FC Porto o vazio deixado pela saída de Fernando constitui uma ocasião de se afirmar em definitivo e definir um novo rumo para a sua carreira. O tempo se encarregará de confirmar se Casemiro constituirá mais um exemplo de um jovem médio oriundo de Madrid que confirma na Liga portuguesa os predicados que lhe são atribuídos, tal como sucedeu com Javi Garcia aquando da sua passagem pelo SL Benfica, clube cujo alegado interesse neste jogador se compreende face à preferência de Jorge Jesus por algumas qualidades que Casemiro apresenta e à incógnita sobre a continuidade de Enzo Péres de “encarnado”.

Radiografia *

Casemiro pode jogar como “trinco” (num sistema de duplo pivot ou sozinho à frente da defesa) ou ainda como médio box-to-box. O médio brasileiro tem uma enorme capacidade física que fazem dele um excelente recuperador de bolas mas não se fica por aí, ao apresentar uma excelente qualidade de passe e visão de jogo bastante aceitável. Apesar de toda a sua força física é também um jogador razoavelmente rápido e muito resistente.

Com esta contratação o clube português fica com um médio que dá garantias de competência imediata apresentando, apesar de tudo, uma promissora margem de progressão.

A radiografia é uma rúbrica da autoria de Miguel Pontes.