Tal como previmos na análise ao também recém-chegado Naldo, o Sporting CP não se ficou pela aquisição de um central, avançando este sábado para um acordo com o francês Michael Ciani, ex-colega de Maurício na Lázio (Itália). Apenas não previmos duas particularidades face ao que se confirma: que os “leões” fechassem o tema de forma tão rápida e que a opção recaísse sobre um jogador com as características de Ciani, mas lá chegaremos.

A PREMIER QUE NUNCA CHEGOU

Michael Ciani chega ao Sporting a “custo zero”, após terminar o seu contrato com a Lázio, mas há seis anos justificava o investimento do Bordéus na sua aquisição por cerca de quatro milhões de euros, numa fase em que a sua provável transferência para a sedutora Premier League era noticiada. Já no defeso anterior, e com ainda um ano de contrato com os romanos, Michael voltou a ser hipótese para a Liga inglesa, ainda que para clubes de objectivos pouco ambiciosos, como o Crystal Palace e o West Ham. A transferência nunca chegou e Ciani cumpriu os três anos de contrato em Itália (onde fez apenas 48 jogos em três épocas, nunca se afirmando como titular indiscutível), após uma fase maioritária da carreira construída na Ligue 1 francesa, afirmando-se sobretudo no Lorient e Bordeaux, apesar de ter passado por outros quatro clubes gauleses nos primeiros anos como profissional (vide infografia).

ESTAMPA FÍSICA

Se na sexta-feira falámos em envergadura para enquadrar Naldo, o que dizer de Ciani, que com 1,92m e 89kg faz da presença física a sua arma defensiva fundamental, num paralelismo com outro “gigante” que representou os “leões” no passado recente, Oguchi Onyewu (1,95m, 94kg). Mas que futebol apresenta o francês? Avançamos então para a análise de desempenho habitual, baseada em números OPTA.

Optámos, desta feita, por comparar os números de Ciani com os apresentados (e analisados esta sexta-feira) por Naldo, pois falamos de dois centrais altos (embora Ciani mais corpulento). Dado os poucos jogos realizados pelo francês na época passada, optámos por recuperar o seu desempenho na Serie A 2013/14, apesar de, também aí, ter realizado apenas 18 partidas (contra 30 de Naldo na Liga BBVA na época passada). No entanto, como olhámos os números em média por 90 minutos jogados, a diferença torna-se menos significativa.

A MONTANHA PARIU… DOIS GIGANTES

O comparativo de desempenho dos dois centrais acabou por nos surpreender pois esperávamos uma maior vantagem para Ciani, não só por lhe reconhecermos melhores qualidades, mas também por serem números de “equipa grande” (Lázio), ou pelo menos melhor que o Getafe, cuja mete foi, na época transacta, de fuga à despromoção.

Esse diferencial nota-se a favor do francês, sobretudo na eficácia de passe (86% contra 74% do brasileiro), mas a eficácia nos duelos aéreos e desarmes acabou por nos surpreender pela negativa (vide infografia). Por outro lado, Ciani regista um número médio de alívios por 90 minutos muito elevado (cerca de oito). O seu desempenho neste capítulo suplanta aliás o maior registo que haviamos identificado num reforço da Liga NOS, desde a fundação do GoalPoint: Naby Sarr, com 7,5. A menor agilidade e velocidade, aliada à idade poderão justificar o recurso intensivo de Ciani a esta opção defensiva, normalmente característica de defesas-centrais menos propensos a sair a jogar.

Por fim o gaulês também não impressiona ofensivamente: nos 48 jogos disputados em três épocas marcou apenas um golo na Serie A, longe do seu melhor registo (quatro tentos em 29 encontros da Ligue 1 2008/9, pelo Lorient). Apesar de tudo, Ciani apresenta um registo curioso na Europa: em nove encontros na Liga dos Campeões, marcou três golos, um desempenho que, reproduzido, será certamente útil aos “leões”.


Ciani concretiza o (único) golo na Serie A, frente ao Milan, em San Siro

Apenas o futebol jogado permitirá confirmar os atributos dos dois novos centrais “verde-e-brancos”, mas fica a ideia de que serão dois candidatos ao mesmo posto e que ambos constituíram segundas ou mesmo terceiras opções face às prioridades que os “leões” terão definido para o reforço desta posição. Acontece, é o “mercado”. Resta esperar por perceber de que forma o”toque de Jesus” poderá potenciar as qualidades que ambos têm para oferecer ao Sporting e reduzir ou mesmo anular as suas fragilidades.