O Sporting CP há muito procurava um defesa-central para reforçar o seu plantel. A busca terminou agora com o anúncio a contratação do internacional uruguaio, Sebastián Coates. O jogador, de 25 anos, chega a Alvalade por empréstimo dos ingleses do Sunderland, até final da temporada.

O anúncio da aquisição de Coates surge com alguma surpresa. O sul-americano vinha a ser utilizado com regularidade no Stadium of Light (sim é esse o nome do recinto do Sunderland). Foi quase sempre titular da primeira à 20ª jornada da Premier League, prova na qual somou esta temporada 16 partidas e 1229 minutos. Até que, depois da derrota por 3-1 com o Arsenal na terceira eliminatória da Taça de Inglaterra, não mais foi opção nos últimos três desafios da equipa.

Um “varredor”, não um marcador

Sebastián Coates é um defesa-central acostumado a jogar num sistema táctico de quatro ou mesmo três defesas. É muito alto, factor que o torna perigoso a nível ofensivo nas bolas paradas – realizou esta época em Inglaterra quase 0,5 remates de cabeça por cada 90 minutos, 33% deles enquadrados. Porém, em termos defensivos não se destaca nos duelos aéreos, uma vez que é pouco agressivo a atacar a bola – característica nada animadora para quem tem 1,96m. A sua altura poderia antever muita participação em jogo pelo ar, mas os 3,4 duelos aéreos por cada 90 minutos são um registo modesto, com somente 57% deles ganhos. Não nos esqueçamos… tem 1,96m. E se levarmos em linha de conta que Paulo Oliveira e Naldo (ambos com 52%) são os dois centrais dos quatro primeiros classificados da Liga NOS com pior percentagem de sucesso nos duelos aéreos, somos levados a concluir que a prioridade leonina não é melhorar esse aspecto.

Reforços: Coates para dar envergadura
Clique na infografia para ampliar (infografia: GoalPoint)

Não é um central de marcação ao adversário, optando antes por jogar na antecipação, como demonstram os seus números. A cada 90 minutos realizou 6,6 alívios, três intercepções e ganhou 82% dos 3,3 desarmes tentados. Números interessantes, mas que devem ser também enquadrados na realidade do Sunderland, habituado mais a defender que a atacar – o oposto do Sporting cá em Portugal.

A nível técnico Coates é bastante razoável para a sua estatura, mas essa capacidade técnica invulgar num central acaba por ser um pau de dois bicos, pois como mostram os números leva-o a arriscar no drible com uma frequência atípica, expondo-o a perdas de bola em zonas proibitivas.

Ao nível do passe curto é bastante razoável, o que dá garantias de uma continuidade e fluidez na etapa de construção baixa.

Foi muito jovem para o Liverpool e nunca se impôs nos “reds”, apesar de ter sido emprestado consecutivamente, e apenas no Sunderland – pelo qual assinou a título definitivo no Verão passado – conseguiu jogar com regularidade e a bom nível. É um jogador que, do ponto de vista do potencial, não atingiu o que prometia e estagnou, pelo que terá já atingido o seu pico máximo de evolução. É um central de características distintas dos restantes do plantel do Sporting, garantindo uma técnica um pouco mais apurada, bom sentido posicional e alguns centímetros à defesa.

Coates em accção pela selecção uruguaia na Copa América 2015

Naldo e Paulo Oliveira: quem tem lugar em perigo?

Difícil será saber para já qual o papel que Coates terá neste Sporting, embora não será surpreendente se, dado o investimento, o jogador for aposta firme de Jorge Jesus. Tendo isto em conta, quem estará em posição mais delicada entre os centrais leoninos? Comparámos o uruguaio com Naldo e Paulo Oliveira e apresentamos os números para que tire as suas próprias conclusões sobre as escolhas de Jesus.

Porém dá para identificar algumas diferenças. Nota-se que Coates não é, certamente, o rei do passe longo. Dos poucos que fez para o meio-campo adversário (5,6 por 90 mins) apenas acertou 44%, e aqui Naldo (com 76% certos) ganha em toda a linha. Nos desarmes, Coates destaca-se, como já referimos – 82% de eficácia, para 72% de Naldo e 71% de Oliveira -, e mais ainda nos alívios – Naldo não passa dos 3,9 por 90 minutos, Paulo Oliveira dos 3,4. Também nas recuperações Coates parece ser uma mais-valia, como demonstram as 5,2 contra 4,6 do brasileiro e modestas 3,4 do português.

À primeira vista parece que Coates chega para dar envergadura à defesa leonina (que não tem com Paulo Oliveira ou mesmo com Ewerton) e capacidade nos lances de bola parada ofensivos. E, um pouco como Naldo, dar reactividade defensiva, conferindo maior capacidade de antecipação e pragmatismo.