Reforços: Cristian Tello, um extremo-esquerdo à antiga

O jogador “culé” chega ao Dragão por empréstimo e pronto a assumir de imediato a ala esquerda do ataque portista.

De todas as sonantes contratações que o FC Porto efectuou até agora para a época 2014/15, o empréstimo de Cristian Tello é, porventura, a mais impactante na candidatura dos “dragões” ao regresso às vitórias. O espanhol Tello é um produto clássico de La Masía, onde chegou em 2002 com 12 anos. Seria na época 2011/12, já após ter consolidado o seu lugar na equipa B “blaugrana” que Cristian se estrearia na equipa principal do Barça, pela qual cumpriria nessa época 22 jogos, entre Liga BBVA, Taça do Rei e Champions League. Nas duas épocas seguintes, e apesar de nunca se afirmar como titular indiscutível, Tello constituiu opção recorrente (tal como Adrián no Atlético de Madrid na última época, reforço “azul-e-branco” quejá aqui analisámos), primordialmente na ala esquerda (embora possa ocupar qualquer ala), marcando presença em 64 jogos oficiais. O Porto acolhe assim um jogador que, apesar da juventude e da falta de “90 minutos”, acumulou experiência ao mais alto nível do futebol europeu, sendo que, como veremos, nem só de experiência vive o curriculum deste extremo-esquerdo.

Conforme habitual nas análises GoalPoint decidimos comparar Cristian Tello com um jogador cujo posicionamento e contexto melhor permita retirar conclusões do seu desempenho. Optámos por um extremo/avançado também ele espanhol, jovem e com semelhante estatuto num clube que luta pelos mesmos objectivos que o FC Barcelona: Jesé Rodríguez, o avançado do Real Madrid FC, também ele produto da formação “blanca” e protagonista de uma época muito positiva pelo Real, até ao momento da sua lesão.

Clique na imagem para ler em detalhe (foto: Natursports/Shutterstock)
Clique na imagem para ler em detalhe (foto: Natursports/Shutterstock)

Um ala de desequilíbrios e protecção de bola

Cristian Tello realizou, na época 2013/14, 22 jogos pelo FC Barcelona, mas apenas em dois deles foi titular. De tal resulta uma média de cerca de 20 minutos de jogo por partida apenas. Ainda assim o seu desempenho resulta assinalável, sobretudo se recordarmos que a temporada finda dos “blaugrana”esteve longe de ser brilhante. Apesar dos poucos minutos em campo, Tello foi uma presença rematadora (quase um remate por jogo em média), ainda que com acerto reduzido (apenas cinco remates à baliza no total). Obteve ainda assim um golo, optando por realizar 60% dos 20 disparos já dentro da área adversária.

É na criação (directa ou indirecta) de oportunidades de golo que Cristian se notabiliza, com sete passes para ocasião e um total de nove oportunidades a surgirem da sua capacidade de decisão e execução, o que lhe valeu duas assistências para golo na Liga. O seu controle de bola e resistência à pressão dos adversários sobressai no comparativo com Jesé (apenas 0,2 bolas perdidas e igual registo de desarmes sofridos por partida contra valores mais elevados do avançado “blanco”).

Tello aproveitou bem os minutos que lhe foram dados para mostrar uma eficácia de passe condizente com os pergaminhos da equipa onde se formou (82,1%), com eficácia total nos raros passes longos que efectuou e realizando cruzamentos que encontraram os seus colegas em 22% dos casos.

Apesar de não ser claramente um jogador de atributos defensivos, Tello mostrou acerto no tradicional jogo catalão de pressão alta após a perda da bola, com uma eficácia de 57% sempre que entrou à bola buscando a recuperação ou o desarme. Cristian não é, no entanto, uma opção na hora de disputar bolas pelo ar (não disputou qualquer lance de duelo aéreo), limitação que se compreende à luz da sua altura e peso.

Extrema titularidade

Tal como referimos no caso de Adrián, Cristian Tello vem para o Dragão com expectativas certamente idênticas às que levaram a administração da SAD “azul-e-branca” a investir no seu empréstimo por uma época: a titularidade imediata na ala esquerda do Porto, com claro prejuízo para outros candidatos, mas com todas as condições derendimento imediato para o FC Porto, consiga Tello adaptar-se com a rapidez expectável e mostrar capacidade para corresponder em campo por períodos superiores aos que lhe foram pedidos em Barcelona.

Radiografia *

Cristian Tello é um extremo “à antiga”. Apesar de na academia de La Masía se privilegiar a posse de bola e o jogo em apoio, Cristian é um extremo que vai à linha e tenta cruzar. É dotado também de uma boa qualidade técnica na condução de bola e drible, que aliada à sua elevada velocidade, resistência e capacidade de reacção, causa grandes dificuldades aos defesas contrários.

Tello é ainda jovem e por isso terá ainda uma margem de progressão bastante aceitável, contudo o seu ritmo competitivo  poderá impedir uma evolução imediata, fruto da utilização por escassos períodos, sobretudo na última época.

A “Radiografia” é da autoria de Miguel Pontes.