Casemiro deixou marca forte na equipa do FC Porto em 2014/15, mas a saída do médio brasileiro, de regresso ao clube de origem, o Real Madrid, foi rapidamente colmatada, aliás como é hábito no Estádio do Dragão. “Rei morto, Rei posto”, poderia dizer-se, mas talvez esta expressão não se adeqúe bem ao caso do seu substituto: o português Danilo Pereira.

Tal como referimos na pela anterior sobre outro reforço do FC Porto, o “rei” do meio-campo portista será, muito provavelmente, Giannelli Imbula. Como referimos nessa análise, o habitual “trinco” do Marselha tem características que apontam para uma utilização mais adiantada no terreno, na posição actualmente denominada de número “8”, e caso se confirme essa previsão do GoalPoint, Danilo terá todas as possibilidades de entrar na equipa de Julen Lopetegui, precisamente para a posição ocupada anteriormente por Casemiro.

Suspeitamos, pela análise aos números e às características dos jogadores em causa, que Imbula será o “patrão” do “miolo” portista, e terá atrás de si um “guarda-costas”, uma autêntica parede de músculos, força, capacidade de recuperação de bola e posicionamento, precisamente Danilo. Mas Lopetegui terá a última palavra em relação a esta questão.

Reforços 2015/16 - Danilo Pereira, FC Porto
Clique na infografia para ampliar (infografia: GoalPoint)

Até lá importa ver até que ponto o internacional português ex-Marítimo, de 23 anos, conseguirá fazer esquecer Casemiro. Para começar são jogadores de características fisionómicas e futebolísticas distintas, mas será que o são também nos números, de forma significativa?

Casemiro é tecnicamente mais dotado e Danilo fisicamente mais forte, o que pode levar à conclusão precipitada de que em termos defensivos o português é mais eficaz, em contraponto com a capacidade construtora de Danilo, mas os números desmentem (mais uma vez) ideias feitas. Como pode conferir na infografia, Danilo e Casemiro têm semelhantes valores na média de remates à baliza, sendo que ambos marcaram três golos, mas o jogador formado nas escolas do SL Benfica registou 50% de remates enquadrados, contra 32% do brasileiro.

Acontece que apenas em mais um aspecto, na recuperação de posse (8,0 contra 5,7 por jogo), Danilo se superioriza a Casemiro. No resto o brasileiro é melhor: nas tentativas de passe, na sua eficácia, passes para ocasião, e também a defender, nas intercepções, desarmes, duelos e respectiva eficácia.

As realidades de Porto e Marítimo são distintas e a comparação directa pode estar condicionada à partida, mas a frieza dos números mostra que Danilo, provavelmente o “trinco” de serviço dos portistas, terá de melhorar em alguns aspectos para fazer esquecer Casemiro, nomeadamente nas etapas defensivas e na construção de jogo. Certamente que no Porto o internacional luso terá a oportunidade de crescer.