A comparação entre a chegada de Peter Schmeichel a Avalade no Verão de 1999 e a contratação de Iker Casillas por parte do FC Porto gera alguma controversia. “Não há comparação possível”, dizem alguns, referindo que o momento de forma vivido pelo dinamarquês aquando da chegada ao Sporting nada tem que ver com a fase “cinzenta” do campeão do Mundo espanhol no Real Madrid nas últimas épocas. O argumento tem alguma razão de ser mas, como é nosso hábito, decidimos conferir os números o desempenho de ambos nas últimas épocas que realizaram nas suas Ligas e eis que a comparação não é tão descabida como o senso comum aponta:

ÉpocaClubeJg.Jg. s/ sofrerGolos sofr.Média golos sofr. p/jg
Schmeichel98/99Manchester Utd3411351,02
Casillas14/15Real Madrid3212351,09

A separá-los surge sim um final de carreira glorioso para Schmeichel nos “red devils”, que nessa época obteve a “tripla” (Premier League, FA Cup e Liga dos Campeões), face a um Casillas que foi um dos protagonistas da época pobre dos “blancos”, após uma temporada anterior terminada em glória com a conquista da “décima”. Schmeichel decidiu, na altura, partir em busca do “sol”, mas nem por isso surgiu em ritmo de férias, liderando os “leões” rumo a um título histórico há muito perseguido. Já Iker chegará com as “ganas” de mostrar (com ou sem culpa própria) que merecia outro final de carreira num Madrid que vai assumindo o papel de “cemitério de jogadores” que nos anos 90 foi protagonizado pelos italianos do Internazionale (clube onde Bergkamp e Roberto Carlos saíram rotulados de “flops” para mais tarde brilharem de forma intensa noutras paragens).

DISPOSTO A RETOMAR O SEU LUGAR?

Quem acompanhar o futebol apenas nos últimos cinco anos desconhecerá o papel proeminente que Casillas teve não só no Real Madrid como também na selecção espanhola, onde foi não só campeão do Mundo em seniores como já o havia sido na categoria Sub-20. O seu palmarés fala por si: três Ligas dos Campeões, cinco Ligas BBVA, dois títulos de campeão europeu de selecções e um título de campeão do Mundo, referindo apenas os mais relevantes e prestigiados.

Apontado como guarda-redes de enorme potencial deste tenra idade (foi chamado à primeira equipa pela primeira vez com apenas 16 anos), Casillas tornar-se-ia no mais jovem guarda-redes a disputar uma final da Liga dos Campeões, no ano 2000, na vitória dos então “galácticos” frente ao Valência por 3-0. Desde então, e até à segunda época de Mourinho em Madrid, seria sempre o indiscutível guardião daquele que é, para muitos e não só adeptos, o maior clube de futebol do planeta.

DUELO DE GUARDIÕES?

A nossa análise infográfica do desempenho de Casillas na época 2014/15 acaba por recair na comparação que, por estes dias, todos fazem: Casillas versus Júlio Cesar, dois guarda-redes experientes com muitos anos de futebol europeu e mundial ao mais alto nível. Os números acabam por dar vantagem clara ao brasileiro (o número de erros defensivos cometidos por Casillas é o espelho do seu problema psicológico actual), sem surpresa, ainda que convenha referir que Casillas enfrentou mais do dobro dos remates enquadrados desferidos na direcção de Júlio César (77 contra 38), ao que se junta também a diferença competitiva de cada uma das Ligas em análise e ainda a qualidade colectiva do Benfica na fase defensiva na última época por oposição a um Real Madrid muito permissivo nesse capítulo – e nem sempre por culpa do seu eterno guardião.

https://www.youtube.com/watch?v=TTMNqh_eGcU

Não vale a pena perder muito tempo na análise do futuro de Casillas nos “dragões”. Consiga o espanhol fazer coincidir esta nova fase da sua carreira com a resolução da sua principal fragilidade nos anos recentes, a “cabeça”, e o FC Porto pode ter assegurado, ainda que a um custo elevado, um esteio importante dentro e fora de campo, do futebol jogado ao noticiado e ainda vendido, em camisolas.