Nunca ninguém tinha custado tantos euros a um clube português. Giannelli Imbula é um jovem francês de 22 anos que era pretendido por grandes clubes da Europa, mas foi o FC Porto que ganhou a corrida. Fomos tentar perceber o que há neste médio-defensivo para levar Pinto da Costa a cometer uma loucura. Como termo de comparação escolhemos outro médio-defensivo da mesma idade por quem a Europa suspira, este bem conhecido de todos nós. Será maior aquilo que os une ou aquilo que os separa?

Imbula e William têm exactamente os mesmos números no que diz respeito à criação de oportunidades. Já no que toca à eficácia de passe o francês tem um pé esquerdo bem mais certeiro que o direito do português. Os 90% de eficácia são um número muito acima da média nesta zona do terreno e lembramos que, por exemplo, o ex-dono do lugar, Casemiro, apresentava um acerto de passe de apenas 79%. Imbula começa aqui a justificar alguns milhões.

ETAPA DEFENSIVA vs OFENSIVA

Aqui o francês perde claramente na comparação com William Carvalho. Os baixos números nas intercepções e na percentagem de desarmes eficazes demonstram que Imbula ainda tem alguma dificuldade em processos defensivos, como o posicionamento e a marcação.

É na etapa ofensiva que se percebe quem é verdadeiramente Gianni Imbula. Apesar de jogar habitualmente na posição “6”, o ex-Marselha é um autêntico rompedor a partir daquela posição, o que contrasta bastante com o jogo mais estático de William. Os 4,2 dribles por jogo, sendo que três em cada quatro são eficazes, são números arrebatadores para um centrocampista. Imbula acaba ainda por concretizar muitas vezes essa verticalidade em remates, sendo de esperar entre um e dois por partida. Apesar disso a taxa de concretização não é fantástica.

MUITO MAIS DO QUE UM SIMPLES “TRINCO”

Gianni Imbula vem rotulado como “trinco” e foi a partir dessa posição que jogou a maioria dos jogos no Marselha, mas os números explicam que é muito mais que isso. Pelas características que apresenta não seria de espantar que Lopetegui pensasse nele mais como uma unidade avançada dum duplo-“pivot”, do que como um número “6” clássico, pois é no momento defensivo que o francês tem mais por onde evoluir. Se assim for, com outro médio como Danilo Pereira mais no resguardo, Imbula tem tudo para ser uma das figuras do campeonato. Caso contrário, em jogos de grau de dificuldade mais alto talvez fiquem a nu algumas debilidades nas quais ainda tem de trabalhar. Veremos se Julen Lopetegui o consegue fazer evoluir e torná-lo num centrocampista completo.