Último dia do mercado de transferências e Pinto da Costa dá a Julen Lopetegui a cereja no topo do “bolo” que é o plantel portista deste ano. Jesús Corona, um jogador que se define como rápido e atrevido, chega do Twente da Holanda a troco de 10,5 milhões e euros. A mudança que Lopetegui tanto queria para a sua renovada equipa em 2015/16.

Corona não é um jogador alto (1,73m) e muoto menos forte (59kg), mas tem tudo o que um extremo deve ter. Velocidade, drible, técnica de passe, capacidade de finalização, irreverência e capacidade de sacrifício quando assim é pedido.

Na época passada, no campeonato holandês, Corona apresentou dados muito interessantes. Titular indiscutível na equipa, os seus dribles são o factor-chave para o seu jogo. Com poder de finalização, sabe que terrenos pisar mesmo que tenha de se apresentar pelo centro. Um pouco como Yacine Brahimi, com o qual comparamos os números na infografia (com surpreendente simetria). Internacional Sub-20 e A, esteve presente na Copa América com Herrera, atestando que, apesar dos seus 22 anos, é já uma certeza do futebol mexicano, futebol este que gosta particularmente de acompanhar “Tecatito”, e a ida para o FC Porto teve grande eco na comunicação social do seu país.

Reforços 2015/16 - Jesús Corona - FC Porto
Clique na infografia para ampliar (infografia: GoalPoint)

Mas este forte investimento por parte do FC Porto vem anexado a uma ideia que já foi testada no Dragão. Lopetegui quer Brahimi no meio, com duplo-pivô defensivo – Danilo Pereira e Imbula. Isto permite retirar o melhor tanto de Brahimi como dos dois médios recém-chegados à equipa. Opção inteligente por parte de Lopetegui que carece agora de concretização prática. O início do jogo contra o Estoril na última jornada serviu como teste para o que aí vinha mas ainda sobram “arestas a limar”. Teremos, portanto, um Porto diferente a partir de agora – fruto da contratação de Jesús Corona.

Mas não é só neste ponto que o FC Porto ganha. Com a chegada de Corona, previne já o futuro – Tello entra no segundo e último ano de empréstimo, e Brahimi, uma das estrelas do campeonato, já afirmou que procura voos mais altos. É também por isto que Pinto da Costa e Lopetegui investiram forte no reforço mexicano.

Revelação do Mundial de clubes em 2012 – fez um jogo “enorme” frente ao Chelsea -, Corona tem sido apontado como “the last big thing” no México. Estreou-se no Monterrey com apenas 17 anos, mas encantou no campeonato, sendo muitas vezes titular já desde tenra idade, mostrando que tem maturidade e mentalidade de grande jogador – requisito fundamental para uma equipa que luta por títulos como é o FC Porto.

A curiosidade é a sua alcunha. O Monterrey era patrocinado pela empresa que detinha a marca de cerveja chamada Tecate. Corona, a famosa cerveja mexicana, era, portanto, rival. O clube cedo quis deixar de ter a sua estrela com nome de cerveja rival. Surge assim “Tecatito” – diminutivo pela sua estatura na altura em que se estreou – 1,64m.

Seja como Corona ou “Tecatito”, o jovem mexicano tem todo o potencial para ser mais uma das figuras de proa a juntar a tantas outras que já militam no Dragão. Pronto para se afirmar no futebol português, o extremo tem perfil para entrar no “onze” titular do seu novo clube.