Raúl Jiménez é o novo avançado do Benfica, juntando-se a Mitroglou na tentativa da “estrutura encarnada” em revitalizar a frente de ataque da “águia”, tão bem liderada por Lima, Cardozo e Jonas nas últimas épocas.

O mexicano não será um nome estranho para dois grupos de interesse: aqueles que seguem os nomes apontados ao futebol português (Jiménez surgiu na agenda de Benfica, Porto e Sporting nos últimos dois defesos) e os “hipters da bola”, que acompanham com particular atenção os nomes que poderão definir o futuro do futebol internacional.

PROMESSA MEXICANA

O ano de 2012 foi especialmente importante na carreira de Raúl Jiménez, precisamente da mesma forma que o foi para os portistas Herrera e Reyes, todos unidos pelo “ouro” alcançado nos Jogos Olímpicos de Londres, nos quais a selecção Sub-23 mexicana bateu o Brasil na final e colocou diversos nomes na agenda dos clubes europeus. Jiménez permaneceria ainda no Club América até 2014, antes de se transferir para o Atlético Madrid.

UM ANO DE ESTAGNAÇÃO

Com Mario Mandzukic a assumir no Atletico de Madrid as despesas de Diego Simeone após a saída de Diego Costa, o jovem mexicano rapidamente percebeu que o seu primeiro ano de vermelho e branco seria vivido num papel secundário. Assim sucedeu, com o mexicano a alinhar em 27 partidas, números enganadores ao constatarmos que, em média, disputou apenas 31 minutos por jogo, números típicos de substituto de terço final de segunda parte. Os resultados foram naturalmente “magros” e distantes dos números promissores que havia demonstrado na Liga mexicana (a qual venceu em duas ocasiões): um golo e duas assistências.

Apesar do “tropeção” espanhol Jiménez soma já 36 partidas jogadas na selecção principal mexicana desde 2013, apontado até agora oito tentos.

GIGANTE TRABALHADOR

A estatura de Jiménez (1,90m) não faz prever o perfil mais abrangente que, no seu melhor, pode oferecer à equipa. Raúl gosta de disparar de média/longa distância, de participar no jogo de construção e de apoiar a equipa nas tarefas defensivas, tentando o desarme com uma frequência acima da média num avançado. Algumas destas características tornam-no num potencial substituto de Lima, até mais do que Mitroglou apesar de ambos apresentarem uma estrutura física muito diferente do brasileiro.

Perante este perfil não será de estranhar que o mexicano seja capaz de desempenhar também a função de segundo avançado, com a sua melhor época ao serviço do América a fundamentar a sua predesposição para o apoio ofensivo (nove assistências).

Segundo as informações veiculadas pela imprensa desportiva Raúl Jiménez chega ao Benfica com um custo de nove milhões de euros por 50% do passe, adquiridos ao Atlético de Madrid, com o empresário Jorge Mendes a deter os restantes 50%. Tendo em conta que o mexicano tem, neste momento, um valor de mercado estimado em cerca de 5 milhões de euros esta será, a confirmar-se, uma aquisição relativamente “cara” por parte dos encarnados. No entanto devemos avaliar negócios deste tipo com alguma cautela, tendo em conta que, tal como sucedeu no caso do ingresso de Imbula no FC Portoas parcerias de investimento entre clubes, agentes e investidores encerrem por vezes um racional confidencial que explica o aparentemente inexplicável.

Jiménez chega ao Benfica perfeitamente a tempo de não só confirmar as expectactivas interrompidas por um ano “perdido” em Madrid como também de oferecer aos encarnados uma solução desportiva e um novo projecto de rentabilização futura.

Aos 24 anos, e olhando os casos de grandes avançados potenciados no futebol português (Jackson e Falcao os melhores e mais recentes exemplos), o mexicano chega na altura certa para potenciar as suas qualidades e melhorar fragilidades (finalização) na certeza porém que, caso Jonas se mantenha de “águia ao peito”, Jiménez terá de lutar novamente, contra um “peso pesado” por um lugar no onze.