Reforços: José Ángel para esquerda de ataque

Dribles, cruzamentos, assistências para golo: números dignos de um extremos, mas José Ángel é lateral e vai ter de tornar-se mais forte a defender para tirar o lugar a Alex Sandro.

Ángel vem de uma época de afirmação pela Real Sociedad (foto: P. Miller/ WC)
Ángel vem de uma época de afirmação pela Real Sociedad (foto: P. Miller/ WC)

Uma onda de reforços continua a chegar a um ritmo alucinante ao Estádio do Dragão. Desta feita, Julen Lopetegui parece ter resolvido um dos problemas recorrentes no FC Porto, a inexistência de uma alternativa credível de raiz ao habitual lateral-esquerdo, com a aquisição do espanhol José Ángel.

Nos últimos anos, perante momentâneas ausências de Alex Sandro, o FC Porto via-se obrigado a algumas adaptações do lado canhoto da defesa, com Mangala a ser um dos escolhidos para essa tarefa, mas desta feita esse problema parece estar resolvido. José Ángel é um jovem lateral espanhol, de 24 anos, que deu nas vistas no Sporting Gijón, e foi contratado pelo actual treinador do FC Barcelona, Luis Enrique, para o acompanhar então até à AS Roma. Não vingou em Itália, rumou por empréstimo à Real Sociedad, onde viveu uma última época razoável.

O facto de não ter tido sucesso em Itália, de apenas na última temporada ter mostrado serviço e chegado agora ao Dragão a custo-zero abre uma janela de mistério sobre este promissor atleta. Os números que apresenta, sobretudo no momento ofensivo, entusiasmam. Fica a pergunta: o que falta a Ángel para explodir?

À primeira vista, José Ángel tem grande qualidade a atacar, perdendo um pouco no capítulo defensivo – podendo estar aí a resolução deste puzzle. Decidimos compará-lo com Jaume Costa, defesa-esquerdo do Villarreal – clube que terminou com os mesmos 59 pontos da Real Sociedad, embora um lugar acima na Liga BBVA.

Clique na infografia para ler em detalhe (foto: RS infografia: GoalPoint)
Clique na infografia para ler em detalhe (foto: RS infografia: GoalPoint)

Imparável rumo à linha

O que salta à vista, colocando os números dos dois jogadores lado a lado, é a surpreendente capacidade ofensiva de Ángel. Em primeiro lugar o número de assistências para golo, cinco nos 22 jogos que fez no campeonato, o que o coloca no segundo lugar dos defesas com mais assistências na La Liga. No que toca aos defesas, só Marcelo, do Real Madrid, tem mais assistências (seis), embora com 28 jogos disputados, pelo que Ángel tem mesmo melhor média de assistências por jogo – 0,23 contra 0,21 – do que o brasileiro.

Vamos aos cruzamentos. Em 22 encontros, o novo recruta portista somou 99, uma média de 4,5 por jogo, embora apenas um por partida levou a precisão necessária, o que revela quantidade, mas fraca qualidade no movimento técnico. Aliás, a percentagem de cruzamentos completos de Ángel é de 21,2%, e fica abaixo dos números de Jaume Costa – que efectua apenas 1,4 centros por partida, mas com uma eficácia de 32,6%. Para alcançar estes números (e a linha final), o portista teve de recorrer a 78 dribles, com um sucesso de 48,7% (contra 32 e 46,9% de Jaume), correspondente a 3,5 fintas com êxito por partida, sendo claro que o jogador tira bastante proveito destas incursões ofensivas. No remate, as diferenças são grandes: 80% dos dez disparos de Ángel aconteceram de fora da área, enquanto o lateral do Villarreal divide-se nesse vector.

Onde o recruta do Porto perde é no capítulo defensivo. Jaume Costa não é, propriamente, um lateral de créditos firmados, de topo, mas consegue, ainda assim, mostrar alguns números ligeiramente superiores aos de Ángel, o que pode explicar a demora deste em vingar.

Aqui destacam-se os duelos aéreos. Cada vez mais os laterais são chamados a zonas interiores (na área) para ganhar bolas pelo ar, e Ángel peca neste capítulo, com apenas 46,7% dos lances por alto ganhos, apesar do 1,82m do jogador. Fez apenas 1,2 intercepções por jogo (contra 1,6 de Jaume) e dois desarmes completos (2,1 de Jaume por partida), com 55% de eficácia. Destaca-se porém, pelas poucas faltas que comete: em 22 jogos, apenas 15, que correspondem a 0,7 por encontro, contra 1,7 do defesa do Villarreal.

Resta saber se no FC Porto vai confirmar estes números. Se melhorar no capítulo defensivo, é legítimo dizer que Alex Sandro vai ter de trabalhar bastante para não perder o seu lugar no “onze”.