Reforços: Nani, o regresso do “acrobata” leonino

O extremo regressa a casa sete anos após abandonar Alvalade, período durante o qual conheceu apenas as cores do Manchester United. Voltará Nani a brilhar?

A experiência de Nani na Liga dos Campeões será muito importante para o Sporting CP (foto: efecreata mediagroup/Shutterstock.com)
A experiência de Nani na Liga dos Campeões será muito importante para o Sporting CP (foto: efecreata mediagroup/Shutterstock.com)

São 230 jogos, 40 golos e 73 assistências. É esta a história que Nani traz para contar, quando entrar novamente em Alvalade cerca de sete anos após partir rumo a Manchester, afirmando-se como a maior transferência dos “leões” até hoje. Sete anos passaram, de facto, e durante esse período “diferentes Nanis” surgiram nas muitas competições disputadas pelos “red devils”.

A questão passa por perceber que Nani surgirá (ou ressurgirá) de “verde-e-branco”: aquele que nas primeiras épocas maravilhou Old Trafford e se apresentou como potencial herdeiro de Cristiano Ronaldo ou o extremo que se eclipsou nas últimas quatro temporadas, com especial ênfase a partir de 2012/13? A dúvida dá lugar a uma incógnita e a nós resta-nos analisar o seu desempenho procurando perceber que Nani poderá o Sporting apresentar. Para atingir esse objectivo escolhemos analisar as últimas cinco épocas de Nani ao serviço do United, observando a sua prestação na Premier League e na Liga dos Campeões, um duplo caminho que significa tudo relativamente ao que o Sporting espera do extremo português: o cumprimento de um papel nuclear na luta pelo título perdido e no regresso dos “leões” à competição maior da Europa.

Clique na infografia para ler em detalhe (foto: efecreata mediagroup/Shutterstock.com)
Clique na infografia para ler em detalhe (foto: efecreata mediagroup/Shutterstock.com)

No passe e no cruzamento se define um extremo à antiga

O melhor período de Nani ao serviço do United teve lugar entre 2009 e 2012, sendo que a época 2011/12 foi o ano de maior afirmação do extremo: 33 jogos, nove golos e 19 assistências na Premier, somando ainda 12 jogos e um golo na Liga dos Campeões (a melhor época do português nesta competição havia sucedido em 2009/10, com dois tentos e cinco assistências). De lá para cá Nani foi reduzindo influência e produtividade nos “red devils”, mas sem nunca perder algumas das características base: eficácia de passe elevada para um extremo de desequilíbrio (79% ao longo dos seis anos, em ambas as competições), um cruzamento eficaz (cerca de 22% na Premier, um pouco menos na Champions) e, claro, a propensão para o drible, que lhe garante uma média próxima dos dois dribles eficazes por jogo ao longo dos últimos cinco anos.

A irreverência prejudica o controle

O lado negativo do jogo de Nani transparece no registo do seu desempenho e é natural num jogador com as suas características: perde demasiadas vezes a bola à mercê do desarme dos adversários ou por simples perda de controlo do esférico, num total médio entre as quatro e as cinco vezes por jogo, um registo elevado. Este “calcanhar de Aquiles” de Nani mantém-se, a par das suas características positivas, ao longo da sua carreira nos “red devils”, tornando-se particularmente evidente em alguns momentos (na já referida época 2011/12 foi desarmado 79 vezes e perdeu o controlo da bola em 66 ocasiões em jogos a contar para a Premier League).

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O reforço do defeso

Nani vai perder o controle de bola. Vai ser desarmado. Mas caso aproveite a oportunidade de renascimento que lhe é concedida também poderá ser o jogador que cruza uma média de seis a sete bolas para a área, que entrega uma média de dois passes para golo por jogo e que, tal como fez na sua melhor época, poderá render cerca de dez golos e 19 assistências ao serviço do Sporting. Pelo seu mediatismo e significado para o futebol português não é descabido considerar o extremo “acrobata” a grande contratação do defeso, até agora. Agora cabe a Luís Nani prová-lo também, a nível desportivo.