Após a notícia da aposta do Sporting CP em Teo Gutiérrez, agora é a vez de o FC Porto fechar o tema da “herança” de Jackson Martínez com a contratação de Pablo Osvaldo. Porquê o paralelismo? É fácil explicar. Ambos têm por missão marcar golos. Ambos o fizeram ao longo das suas carreiras com idêntico índice de produtividade (cerca de 0,48 golos a cada 90m). Ambos nasceram na América do Sul e… ambos incluem na sua história pessoal/profissional sinais de alerta para os clubes que os contrataram. A separá-los algo significativo: enquanto Teo falhou na sua breve passagem europeia, já Osvaldo construiu o que de positivo a sua carreira apresenta precisamente no futebol europeu e sempre em Ligas de topo.

UM JOGADOR “TODO-O-CENÁRIO”

Com 12 clubes representados em nove anos de carreira, Osvaldo foi tudo menos daqueles jogadores que criam raízes, pelo menos ao nível de clubes, já que em termos de países/competições foi sem dúvida na Serie A e B italianas onde mostrou mais “serviço”, com destaque para a passagem pela Roma, onde registou o seu melhor período ao serviço de um único emblema. Ao todo o avançado movimentou cerca de 47 milhões de euros em transferências, números de “craque”.

47 MILHÕES DE EUROS DEPOIS

As constantes mudanças de poiso não impediram, contudo, que o italo-argentino se adaptasse com facilidade (e resultados) a todos os contextos por onde passou, com excepção do futebol inglês (Southampton), onde entre fraca produtividade e demasiados problemas disciplinares (agrediu o colega José Fonte num treino) rapidamente se percebeu que iria falhar. Mas mesmo em modo “caixeiro-viajante” tal não impediu que Pablo encerrasse o último ano de contrato com os ingleses… ao serviço do Internazionale e Boca Juniors, clubes pelos quais marcou 13 golos e efectuou sete assistências, este último o seu melhor registo neste capítulo.

AZZURRO POR POUCO TEMPO

Apesar de ter nascido na Argentina, as raízes familiares italianas garantiram-lhe o acesso e chamada à selecção italiana em 2011, pela qual marcou ainda quatro golos em 14 jogos antes de Cesare Prandelli o ter “esquecido” a partir de 2013, precisamente ao mesmo tempo que a sua aventura inglesa ia dando sinais de falhanço.

AGRESSIVO… COM O PRÓPRIO BALNEÁRIO

O espírito revoltado e conflituoso será não só o “calcanhar de Aquiles” do ponta-de-lança, como também a razão pela qual não atingiu voos mais altos. Erik Lamela na Roma, o já referido José Fonte em Southampton e Mauro Icardi em Milão são nomes associados a conflitos e agressões com um denominador comum: aquando dos incidentes nenhum deles era adversário de Osvaldo mas sim colega de balneário.

ANIMAL DE ÁREA

Para lá do risco comportamental, o FC Porto contrata não só um ponta-de-lança talentoso, como um jogador que, apesar do percurso acidentando, terminou a época 2014/15 em crescendo, na Argentina. Forte na finalização, à flor da relva ou de cabeça, Osvaldo tem no passe e na armadilha do fora-de-jogo as suas falhas mais recorrentes, que não o impedem contudo de ser um “animal de área”. Os “dragões” acabam por oferecer talvez a última oportunidade de Osvaldo retomar a ascenção estagnada pela incursão infeliz na Premier League.

Osvaldo tem talento e nunca escondeu a vontade de emular o icónico Gabriel Batistuta: copiou-lhe a celebração (metrelhadora) e boa parte do percurso (o avançado argentino também passou por Fiorentina, Roma e Internazionale). Mas se ainda quiser ficar na memória de um futebol moderno cada vez mais célere na renovação de “craques” terá de demonstrar “juízo” e perceber a oportunidade que os “dragões” lhe oferecem.