Reforços: Que garantias dá Bruno Indi?

O novo reforço do FC Porto destaca-se a defender, mas tem alguns detalhes que podem complicar a vida de Lopetegui.

Indi foi confirmado no FC Porto ainda com o Mundial 2014 em curso (foto: AGIF/Shutterstock)
Indi foi confirmado no FC Porto ainda com o Mundial 2014 em curso (foto: AGIF/Shutterstock)

“Impressionou-me bastante no Brasil, em especial contra a Argentina (…) Teve excelente presença em campo e precisamos de alguém assim.” O elogio a Bruno Martins Indi veio de Bryan Robson, antigo jogador e lenda do Manchester United, mas chegou tarde, porque quem garantiu primeiro o concurso do defesa nascido no Barreiro foi mesmo o FC Porto.

A formação lusa não perdeu tempo e durante o Mundial já o negócio se falava insistentemente, dando a ideia de que o “dragão” não quis esperar que o jogador se valorizasse no Brasil. E pelas palavras de Bryan Robson, foi isso mesmo que aconteceu. Bruno Indi, de 22 anos, é reforço portista por 7,7 milhões de euros, com vínculo de quatro anos. Mas quem é este jogador, filho de mãe portuguesa e pai guineense, que aos três meses foi com a família para Roterdão?

Formado no Feyenood, foi neste clube que começou a dar nas vistas, marcadamente pela sua capacidade e polivalência defensivas. Apresenta números interessantes a defesa-central e a lateral-esquerdo, posição esta em que foi mais vezes utilizado no clube em 2013/14 – 14 vezes, contra 12 a central. Estreou-se na selecção com 20 anos, num amigável ante a Bélgica, em Agosto de 2012, e na equipa “laranja” tem jogado a preferencialmente no eixo. A explicação tem que ver com os sistema tácticos usados. Enquanto o Feyenoord privilegiou o 4-3-3 ao longo da época, a Holanda tem actuado com cinco defesas.

Clique na infografia para ler em detalhe (foto: AGIF/Shutterstock infografia: GoalPoint)

Consistente a defender

O que esperar então de Bruno Indi sob as ordens de Lopetegui? Presença física, combatividade e uma alternativa sólida do lado esquerdo, em especial nas acções defensivas. Olhando para os números na Eredivisie de 2013/14, Indi fez 26 jogos (uma média de 88 minutos), e destacou-se sobremaneira nos alívios defensivos (118 no total, 4,5 por jogo). Conseguiu 1,2 intercepções por jogo e teve 1,5 entradas, números mais modestos mas que reflectem, de alguma forma, o seu posicionamento na lateral-esquerda. No Mundial, curiosamente, estes valores caíram um pouco, talvez pela exigência da prova no Brasil – seis partidas, cinco a titular, com 1,5 alívios por jogo, 0,8 intercepções, mas um número de entradas superior, 2,3 por encontro. A grande diferença entre o desempenho no clube e na selecção é mesmo na eficácia nos duelos aéreos. No Feyenoord atingiu 51%, contra 20% no Mundial.

Bruno Indi é, fundamentalmente, um jogador “certinho” a defender. Viu só um cartão amarelo na última época da Liga holandesa e foi driblado apenas seis vezes, mas o FC Porto poderá tirar menos do jogador em dois outros momentos. A sua estrutura física não o beneficia tanto no futebol com a bola pelo chão, pelo que os chamados “carrinhos” podem não sair com tanta frequência. À primeira vista o FC Porto vai apostar num futebol de pressão bem à frente, de posse de bola e, consequentemente, de defesa subida. Apesar da boa velocidade de Indi, o recurso aos desarmes pelo chão são importantes quando se usa este modelo de jogo, pelo que aqui poderá estar um senão.

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Por outro lado, caso o internacional holandês seja utilizado a defesa-esquerdo, é de notar a pouca produção ofensiva. Os dois golos apontados na Liga holandesa e os dois tentos em 22 internacionalizações pela “laranja” dão margem no ataque, mas os 40 cruzamentos em 14 jogos a lateral (2,9 por jogo) são um pecúlio algo escasso para a posição. Veremos como Bruno Martins Indi será utilizado pelo treinador espanhol do FC Porto, mas fica, para já, a ideia de que a defesa-esquerdo poderá dar melhores garantias defensivas do que a defesa-central.

Radiografia *

Indi pode jogar como defesa-central ou como lateral-esquerdo. É dotado de uma excelente compleição física que o torna muito forte quer no jogo aéreo, quer no choque físico com o adversário. Tecnicamente é limitado na condução de bola, no passe sob pressão e também na recepção. É um central que deve jogar mais na marcação e não como defesa que sai a jogar com a bola.

É também um atleta que por vezes não consegue medir correctamente o tempo de entrada à bola e que tem dificuldade em antecipar-se ao adversário sem cometer falta. O FC Porto será um bom clube para continuar a sua progressão futebolística, sendo que tecnicamente não deverá evoluir muito mais.

A radiografia é uma rubrica da autoria de Miguel Pontes.