Reforços: Rabia, uma opção para o meio-campo

O Sporting assegurou o jovem Rami Rabia e o GoalPoint olhou para o desempenho do jogador, que mostra característica propícias a actuar no "miolo".

 

O jovem egípcio chega a Alvalade com um destino posicional menos óbvio do que o até agora referido (foto: CC)
O jovem egípcio chega a Alvalade com um destino posicional menos óbvio do que o até agora referido (foto: CC)

Na senda daquilo que temos feito nesta pré-época, o Goalpoint.pt olhou para o mais recente reforço do Sporting, o egípcio Rami Rabia. Analisados cinco encontros na última época (infelizmente a disponibiidade de dados estatísticos para as competições disputadas pelo jogador é previsivelmente escassa)  – dois amigáveis pela selecção A (Bósnia e Chile), dois jogos do Mundial de clubes e um encontro a contar para a Taça das Confederações –, percebe-se que Rabia talvez não seja bem o jogador de que os adeptos leoninos estão à espera.

É um futebolista robusto (81 quilos), alto (1,86m), mas que não tende a utilizar muito o físico, preferindo dar uso aos seus argumentos técnicos. Talvez por isso no Egipto seja mais um “trinco” do que um central, apesar de poder jogar nas duas posições. Tendo em conta a diminuta eficácia nos duelos aéreos (57%) e de desarme (59%), Rabia terá, porventura, mais possibilidades de ser uma alternativa para o meio-campo defensivo, estando a equipa técnica e a SAD a precaverem-se para uma eventual saída de William Carvalho, ficando o africano e o espanhol Rosell numa luta particular se o produto da formação de Alcochete rumar a outras paragens. O jovem egípcio foi aliás referido por diversas vezes no último ano como potencial objectivo de diversos clubes ingleses, desde o Hull City a Chelsea e Manchester United. Sendo que  estes rumores nunca são completamente fiáveis, a sua recorrência pode atestar que o jogador tem pelo menos potencial para evoluir positivamente, tenha a sua adaptação ao futebol europeu o sucesso desejado.

Clique na infografia para ler em detalhe (Foto: FEF / infografia: GoalPoint)
Clique na infografia para ler em detalhe (Foto: FEF / infografia: GoalPoint)

Mas aqui surgem algumas questões relacionadas com as características de Rabia. O jovem, logo com margem de progressão, tende a utilizar o passe longo na construção, mas normalmente só o faz perante defesas adiantadas para explorar o espaço vazio – o Sporting, como candidato ao título, não será confrontado, pelo menos internamente, com formações que deixem muitos metros nas suas costas. E é bom recordar que Marco Silva privilegia um futebol apoiado, com uma insistente circulação de bola em busca de um desposicionamento contrário que proporcione uma oportunidade de golo.

Sem um grande envolvimento atacante, percebe-se que é na reacção à perda da bola que Rabia poderá ser mais útil, pois sabe ser pressionante, contudo, na disputa por bolas divididas tem números apenas um pouco acima da média (58%).

A verdade é que o futebol egípcio, um pouco à semelhança do brasileiro, disputa-se a uma rotação mais baixa, o que configura um período de adaptação de Rabia a uma nova realidade antes de ser lançado ou mesmo de poder ser visto como uma opção credível para o “onze”. Na ambientação terá de trabalhar a agressividade e só assim pode ser um médio-defensivo para o “onze” titular do Sporting ou, em alternativa, um central em jogos em que os “leões” terão uma posse de bola maciça, pois tem facilidade na construção. Com a saída de Dier, entre os centrais só Rojo tem essa capacidade de construção desde o primeiro terço do campo – Maurício, Paulo Oliveira e Sarr são centrais com outras características. Ainda assim, Rabia, pelo que é dado ver e pelas estatísticas apuradas, será sempre uma aposta de menor risco no meio-campo. Mas tem tempo para evoluir. E para isso precisará de ter paciência enquanto verá os outros jogar. O Sporting pode ter ganho um jogador para o futuro a baixo preço (750 mil euros) e pelo qual batalhou um defeso inteiro. Mas tal como os outros reforços desengane-se quem esperar ver Rabia entre as opções prioritárias nos primeiros jogos a doer.