Reforços: Sarr, um gigante à procura do destino

Naby Sarr chega a Alvalade à procura de confirmar o que dele se espera desde que se sagrou campeão do mundo.

O francês Mouhamadou-Naby Sarr chega a Alvalade trazendo no curriculum o título de campeão do mundo de sub-20, conquistado em 2013 na Turquia. Ao contrário de outros titulados, Sarr não foi apenas figura de corpo presente, alinhando em cinco das sete partidas que os franceses completaram rumo ao título, numa selecção que contou com nomes como Pogba (Juventus FC), Digne (PSG) e Sanogo (Arsenal FC). O Sporting CP garante assim um jogador sobre o qual recai alguma atenção no futebol francês e que provavelmente apenas não usufruiu de maior confiança do Lyon (alinhou apenas em quatro jogos na época transacta) pelo facto de a turma francesa contar também, entre outras opções, com outro campeão do mundo pela mesma equipa, Samuel Umtiti, que agarrou a titularidade realizando 35 jogos entre Ligue 1 e Liga Europa.

A base de análise do desempenho de Sarr na época anterior é assim reduzido, não podendo permitir grandes conclusões, mas ainda assim partilhamos as impressões preliminares que os quatro jogos que o jovem central francês realizou pelo Lyon permitem, dois a contar para o campeonato gaulês e outros dois para a Liga Europa.

Clique na infografia para ler em detalhe (foto: OL infografia: GoalPoint)
Clique na infografia para ler em detalhe (foto: OL infografia: GoalPoint)

Aparentemente Sarr não complica

Naby Sarr jogou um total de 294 minutos, o que perfaz cerca de 74 minutos por jogo nas quatro partidas disputadas. Se algo sobressai em Sarr é a sua presença física (1,96m de altura e 94kg de peso). É portanto um jogador do qual se espera um bom uso desses atributos, tanto a defender como a atacar, neste caso sobretudo nos cantos e bolas paradas. No entanto, o seu desempenho não permite retirar conclusões nessa linha de pensamento: se por um lado a ausência de quaisquer remates ou cabeceamentos ofensivos poderá ter resultado de instruções específicas, já o seu registo de eficácia aérea não aparenta ser promissor, conquistando apenas 60% dos lances aéreos disputados (o valor médio de eficácia num central situa-se entre os 65% e os 70%, com valores superiores por parte dos defesas mais eficazes pelo ar). No entanto, e como já referimos, um total de quatro partidas não permite retirar conclusões. Por outro lado a Liga portuguesa poderá permitir a Sarr fazer valer, de forma mais determinada , a sua estatura.

No seu registo defensivo sobressai sim a quantidade significativa de alívios de bola que realizou por jogo (7,5), sinal de que o jovem central privilegia a segurança defensiva. Resta confirmar, aquando do seu arranque em Alvalade, se tal não poderá também significar limitações ao nível da recepção e controle de bola.

O desempenho ofensivo de Sarr é praticamente nulo (não fez qualquer remata, cruzamento ou passe para golo nos jogos realizados), ficando a dúvida se tal decorre de opções tácticas recebidas ou de uma postura mais conservadora do jovem central na hora de subir no terreno. Apesar de tudo apresenta uma eficácia de passe positiva (79%) embora os valores elevados nesta variável sejam habituais em defesas-centrais, sobretudo nos que menos se aventuram no processo ofensivo.

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Uma incógnita associada a Rojo

Num momento em que surgem dúvidas compreensíveis sobre o destino que o Sporting CP dará a Sarr (recordamos que pelo Sporting passou na época passada um jogador com perfil semelhante, o paraguaio Matías Pérez, que acabou por realizar apenas cinco jogos pela equipa B dos “leões”), o destino dos restantes centrais do Sporting CP, nomeadamente de Marcos Rojo, poderá ditar em que medida Naby Sarr poderá ambicionar maiores oportunidades no imediato, isto porque tal como o argentino, Sarr utiliza preferencialmente o pé esquerdo e Marco Silva poderá ter esse factor em conta, caso o jogador corresponda nos treinos e na necessária adaptação de um jovem a uma nova realidade futebolística e cultural.